A Rede Europeia Anti-Pobreza manifestou publicamente a sua preocupação com a possibilidade de o trabalho social associado à Prestação Social para a Inclusão (PSU) estar a contribuir para um aumento do estigma sentido pelas pessoas em situação de pobreza em Portugal. O alerta surge num momento em que várias organizações sociais questionam os métodos de acompanhamento implementados no âmbito desta prestação.

Aposição da Rede Europeia Anti-Pobreza

A organização europeia enviou um comunicado às autoridades portuguesas a expressar a sua inquietação. Segundo a entidade, os procedimentos atuais de acompanhamento social poderão estar a reforçar estereótipos negativos sobre os beneficiários. A Rede defende que o apoio social deve capacitar os indivíduos, e não expô-los a julgamento adicional.

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Em Portugal, a PSU é destinada a pessoas com deficiência ou doença crónica que se encontrem em situação de pobreza. O programa exige um processo de candidatura e acompanhamento regular, o que, segundo a organização, pode tornar-se num fator de humilhação para quem dele necessita.

Critérios de acompanhamento em análise

As entidades que acompanham os beneficiários da PSU em território nacional são obrigadas a realizar avaliações periódicas. A Rede Europeia Anti-Pobreza argumenta que estas avaliações, tal como estão estruturadas, podem parecer mais orientadas para a vigilância do que para o apoio efetivo. A organização salientou que o objetivo inicial do programa — promover a inclusão — poderá estar a ser comprometido.

As autoridades portuguesas ainda não comentaram oficialmente o alerta lançado pela Rede. Contudo, fontes do Ministério do Trabalho e da Segurança Social indicaram que uma revisão dos procedimentos está em estudo.

Impacto no terreno em Portugal

Organizações não governamentais que trabalham diretamente com populações vulneráveis em cidades como Lisboa, Porto e Setúbal confirmaram ter recebido relatos de beneficiários que se sentem inferiorizados durante os processos de acompanhamento. Voluntários e técnicos sociais relataram situações de constrangimento relacionadas com a exigência de comprovação constante da condição de pobreza.

Um estudo recente da Plataforma de Apoio aos Mais Vulneráveis indicou que cerca de 40% dos beneficiários de prestações sociais em Portugal reportaram sentir-se discriminados durante interações com serviços públicos. Esta estatística reforça a preocupação expressa pela Rede Europeia Anti-Pobreza.

O que está em causa no debate

A questão central prende-se com o equilíbrio entre a fiscalização necessária para garantir a correta utilização dos fundos públicos e o respeito pela dignidade dos beneficiários. A Rede Europeia Anti-Pobreza defende que é possível manter a transparência sem humilhar quem procura ajuda. A organização propõe a adoção de metodologias de acompanhamento que coloquem o cidadão no centro do processo.

Especialistas em política social ouvidos pela comunicação social portuguesa alertaram que o estigma associado aos apoios sociais pode afastar pessoas que genuinamente necessitam de ajuda. Em certos casos, o medo de serem vistas como fraudulentas leva famílias inteiras a desistir de pedir apoio.

Próximos passos e o que esperar

A Rede Europeia Anti-Pobreza anunciou que continuará a acompanhar a situação em Portugal e que apresentará um relatório sobre o impacto do estigma nos sistemas de proteção social durante a próxima assembleia geral da organização. O documento deverá ser discutido em Bruxelas no primeiro trimestre do próximo ano.

Em Portugal, o governo prometeu apresentar uma proposta de reformulação dos critérios de acompanhamento da PSU até ao final do ano. As organizações sociais prometem estar atentas e exigem ser ouvidas no processo de revisão.

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Opinião Editorial

Próximos passos e o que esperar A Rede Europeia Anti-Pobreza anunciou que continuará a acompanhar a situação em Portugal e que apresentará um relatório sobre o impacto do estigma nos sistemas de proteção social durante a próxima assembleia geral da organização. Voluntários e técnicos sociais relataram situações de constrangimento relacionadas com a exigência de comprovação constante da condição de pobreza.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Miguel Rodrigues
Autor
Miguel Rodrigues é jornalista de tecnologia e inovação a cobrir o ecossistema de startups português, a digitalização da economia e as políticas europeias de regulação tecnológica. Baseado no Porto, acompanha empresas de tecnologia, iniciativas de inteligência artificial e os desafios da transição digital nas PME portuguesas.

Miguel tem contribuído para publicações tecnológicas nacionais e internacionais e participado em eventos do sector como o Web Summit. Licenciou-se em Engenharia Informática na Universidade do Porto.