O Japão e as Filipinas aprofundaram esta semana a sua cooperação em matéria de segurança marítima com a assinatura de um acordo que prevê a entrega de sistemas de radar de vigilância à marinha filipina. O pacto, revelado em Tóquio durante uma reunião entre responsáveis da defesa de ambos os países, surge num momento de tensão crescente no Mar do Sul da China, onde Manila e Beijing protagonizam confrontos cada vez mais frequentes.

Um acordo centrado em tecnologia de vigilância

O Memorando de Entendimento assinado esta quarta-feira estabelece a transferência de radares de monitoramento costeiro para as Forças Armadas das Filipinas. O equipamento vai permitir a Manila rastrear movimentos navais chineses com maior precisão ao longo da sua zona económica exclusiva, que se estende por cerca de 1,5 milhão de quilómetros quadrados no mar do Sul da China.

Japão e Filipinas assinam pacto de vigilância naval contra China no Pacífico — Politica
Política · Japão e Filipinas assinam pacto de vigilância naval contra China no Pacífico

Fontes do Ministério da Defesa japonês confirmaram que o acordo faz parte de uma estratégia mais ampla de Tóquio para reforçar os laços de segurança com países do sudeste asiático. O Japão já tinha fornecido navios de patrulha às Filipinas no ano passado, num contrato avaliado em cerca de 7 mil milhões de ienes, equivalentes a aproximadamente 45 milhões de euros.

O contexto do Mar do Sul da China

A tensão entre Manila e Beijing intensificou-se nos últimos meses. Em Junho passado, forças chinesas usaram canhões de água contra embarcações filipinas que tentavam reabastecer tropas destacadas numa base no Recife de Second Thomas, um formação coralina disputada. O incidente deixou varios marinheiros filipinos feridos e provocou indignação em Manila.

As Filipinas invocam uma sentença de 2016 do Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia que considerou as reivindicações marítimas chinesas ilegais. Beijing ignora essa decisão e continua a reclamar quase a totalidade do Mar do Sul da China, uma via navegável por onde passam aproximadamente 3 biliões de dólares em comércio anualmente.

A posição japonesa face à expansão chinesa

O Primeiro-Ministro japonês tem vindo a posicionar o país como um interveniente activo na estabilidade regional. O Japão não é parte directa no litígio territorial entre Filipinas e China, mas considera que a liberdade de navegação no Mar do Sul da China é essencial para os seus próprios interesses estratégicos. O arquipélago nipónico depende quase inteiramente de rotas marítimas no Pacífico para as suas importações de energia e matérias-primas.

Esta parceria insere-se também no quadro do acordo trilaterado que junina Japão, Filipinas e Estados Unidos. Washington mantém um tratado de defesa mútua com Manila desde 1951, o que significa que um ataque às forças armadas filipinas poderia obrigar os Estados Unidos a intervir militarmente.

Reacções de Beijing

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China reagiu com firmeza ao anúncio do acordo. Em comunicado enviado à agência noticiosa oficial Xinhua, Pequim acusou Tóquio de se intrometer em assuntos que não lhe dizem respeito e Alertou para consequências caso a cooperação militar se intensifique. As palavras foram transmitidas durante uma conferência de imprensa em Beijing na quinta-feira.

Osmedia estatais chinesas classificaram o pacto como uma tentativa de <> na região. Um editorial do Global Times escreveu que o Japão está a <> e alertou que Manila <> por essa escolha.

O que acontece a seguir

Os radares japoneses deverão ser instalados ao longo da costa ocidental das Filipinas, numa zona que inclui a Ilha de Palawan, a mais próxima do Mar do Sul da China. A instalação está prevista para começar no primeiro trimestre do próximo ano, segundo fontes do governo filipino.

Washington acompanha de perto a implementação do acordo. O Pentágono revelou que está a trabalhar com Manila para modernizar as capacidades de vigilância e defesa costeira das Filipinas ao abrigo do programa de assistência militar estrangeira.

Nas próximas semanas, Manila espera ainda receber uma nova embarcação de patrulha oferecida pelo Japão no âmbito do acordo de 2023. A entrega estava inicialmente prevista para Agosto, mas foi adiada por questões logísticas. Autoridades filipinas disseram à imprensa local que o navio chegará ao porto de Manila até ao final deste ano.

Opinião Editorial

O arquipélago nipónico depende quase inteiramente de rotas marítimas no Pacífico para as suas importações de energia e matérias-primas.Esta parceria insere-se também no quadro do acordo trilaterado que junina Japão, Filipinas e Estados Unidos. Washington mantém um tratado de defesa mútua com Manila desde 1951, o que significa que um ataque às forças armadas filipinas poderia obrigar os Estados Unidos a intervir militarmente.Reacções de BeijingO Ministério dos Negócios Estrangeiros da China reagiu com firmeza ao anúncio do acordo.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.