Aviões russos bombardearam esta manhã alvos civis em Kyiv, causando dezenas de mortos e feridos nas horas que se seguiram a um ultimato do Kremlin à NATO. Os ataques, que duraram mais de seis horas, marcaram a maior incursão contra a capital ukrainiana desde o início do conflito. Unidades militares russas avançaram a partir da Bielorrússia enquanto navios de guerra no Mar Negro lançavam mísseis de cruzeiro contra infraestruturas críticas da cidade.

Ondas de Explosões na Capital

Equipas de emergência trabalham desde as 05h30 locais entre os escombros de blocos de apartamentos no distrito de Pechersk, no centro de Kyiv. O Serviço de Emergência da Ucrânia confirmou pelo menos 47 mortos e mais de 150 feridos nas primeiras horas após os bombardeamentos. Helicópteros russos Ka-52 abriram caminho para forças terrestres que tentam circundar a cidade pelo norte. Testemunhas describem cenas de pânico nas estações de metro transformadas em abrigos subterrâneos.

Rússia Lança Ataques Mortais em Kyiv Após Semanas de Ameaças — Empresas
Empresas · Rússia Lança Ataques Mortais em Kyiv Após Semanas de Ameaças

"Ouvimos três explosões simultâneas. As janelas voaram. O chão tremeu", disse Olena Voronova, 34 anos, residente no bairro de Obolon. A professora de matemática contou aos jornalistas que tentou shelter com os dois filhos numa cave durante quase dez horas. Os intensos combates impediram as equipas de resgate de aceder a várias zonas da cidade durante várias horas.

Resposta Internacional e Réunion de Emergência

O Secretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg, convocou uma reunião de emergência do Conselho do Atlântico Norte para as 14h00 de hoje em Bruxelas. A Hungria, aliada histórica da Rússia, já indicou que vetará qualquer proposta de zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia. Diplomatas occidentais alertam que os ataques de hoje representam uma escalada sem precedentes que pode desencadear uma resposta militar direta da NATO. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo respondeu com um aviso claro: qualquer tentativa de intervir será considerada uma declaração de guerra.

Contexto das Ameaças Russas

Durante sete dias consecutivos, o Kremlin multiplicou os avisos públicos contra a NATO e a soberania da Ucrânia. O porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, declarou na segunda-feira que "qualquer país que forneça armas à Ukraine tornar-se-á um alvo legítimo". Fontes de inteligência ocidentais citadas pela agência Reuters indicam que Moscovo posicionou mais de 180.000 tropas nas fronteiras antes dos ataques de hoje. Os serviços secretos militares russos terão ainda tentado destabilizar o governo de Kyiv através de ciberataques contra infraestruturas elétricas e sistemas de comunicação.

Analistas do Instituto de Estudos de Guerra, com sede em Washington, afirmaram que os ataques visam principalmente infraestrutura civil para quebrar a vontade de resistência da população. O Presidente ucroniano Volodymyr Zelensky apareceu em vídeo às 08h00 locais rodeado por membros do governo, garantindo que as forças armadas continuarão a defender a capital " custo o que custar". Zelensky condenou os ataques como "terrorismo de Estado" e voltou a pedir à NATO armas defensivas imediatas.

Impacto nos Civis e Crise Humanitária

O Comité Internacional da Cruz Vermelha reportou dificuldades extremas no acesso a zonas cercadas. Mais de 350.000 habitantes de Kyiv perderam acesso a água potável após os strikes danificarem a estação de tratamento de Darnytsia. Hospitais na zona oriental da cidade funcionam sem electricidade desde as 07h00. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estimou que pelo menos 80.000 pessoas fugiram de Kyiv nas últimas 24 horas, principalmente para a fronteira com a Polónia.

O Papa Francisco apelou num comunicado ao "cessar-fogo imediato" e ofereceu a Cidade do Vaticano como mediador para negociações de paz. O Patriarcho kirill de Moscovo, aliado próximo de Putin, manifestou apoio público aos ataques, classificando-os como "operação de desnazificação". Esta posição provocou condenações imediatas do Patriarcho Bartholomeu de Constantinopla, líder simbólico da Igreja Ortodoxa Mundial.

Reação dos Parceiros Europeus

A Primeira-Ministra polaca, Mateusz Morawiecki, anunciou que Varsóvia ativou o artigo 4 do Tratado da NATO, convocando reuniões de consulta com todos os aliados. A Alemanha anunciou o envio de 500 missiles anti-tanque Stinger para a fronteira ukrainiana, num reversal dramático da política de Berlim. O Presidente francês Emmanuel Macron falou por telefone com Putin durante 45 minutos, pedindo um "cessar-fogo imediato" que foi rejeitado categoricamente pelo Kremlin.

O Reino Unido impos sanções económicas a quatro bancos russos e proibiu transações com o Banco Central da Rússia. Washington decidiu ainda congelar os activos do Fundo Nacional de Riqueza russo, num golpe sem precedentes no sistema financeiro global. O Brent crude ultrapassou os 130 dólares por barril na manhã de hoje, o nível mais alto desde 2008.

O Que Acontece Agora

Forças russas continuam a avancer para o centro de Kyiv a partir de três eixos diferentes, segundo o Estado-Maior ukrainiano. A linha de contacto expandiu-se para menos de 15 quilómetros do centro histórico da capital. O porto estratégico de Odesa foi atacado por forças navais russas durante a madrugada, isolando ainda mais a Ukraine do acesso ao Mar Negro.

A votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre uma resolução condenando a invasão foi bloqueada pela Rússia, que exerceu o seu direito de veto. Uma sessão de emergência da Assembleia Geral foi marcada para quinta-feira, onde nenhum país tem poder de veto. Os mercados europeus abriram em queda acentuada, com o índice DAX a perder 4,5% nas primeiras horas de negociação.

Diplomatas turcos propuseram Istambul como local para novas negociações entre Kiev e Moscovo, mas ainda não houve resposta oficial de nenhum dos lados. O próximo passo crítico será a deslocação do Secretário de Estado norte-americano Antony Blinken a Bruxelas amanhã, onde espera reunir com os 30 aliados da NATO para definir uma resposta coordenada à escalada militar.

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Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.