Os tribunais de arbitragem em Portugal receberam mais de 16 mil processos durante o ano de 2025, um marco histórico que supera qualquer registo anterior. O volume de casos representa um crescimento significativo face aos anos anteriores e coloca o país numa posição singular no panorama jurídico europeu. Este crescimento reflete tanto a confiança dos agentes económicos neste mecanismo de resolução de conflitos como a sobrecarga crescente dos tribunais estaduais.

O volume histórico de processos

O número avançado pelas entidades responsáveis pela arbitragem em Portugal situa-se acima dos 16 mil processos entradas durante o ano. Trata-se de uma subida expressiva comparativamente ao período anterior, quando a média anual rondava os valores habituais de uma década. Lisboa e Porto concentram a maioria dos casos, embora centros de arbitragem no interior do país tenham também registado maior procura.

Arbitragem em Portugal bate recorde histórico com mais de 16 mil processos em 2025 — Empresas
Empresas · Arbitragem em Portugal bate recorde histórico com mais de 16 mil processos em 2025

Os Centros de Arbitragem de Conflitos de Consumo e os tribunais arbitrais vinculados às câmaras de comércio mostram os maiores índices de atividade. A arbitralagem institucionalizada, regulada pela Lei da Arbitragem Voluntária, continua a ser o principal instrumento utilizado por empresas e consumidores para a resolução célere de litígios.

Porque os números cresceram

A explicação para este aumento reside em vários fatores que se conjugaram em 2025. Por um lado, os tribunais públicos enfrentam pendências elevadas, o que empurra os litigantes para vias alternativas mais rápidas. Por outro, as empresas descobriram na arbitragem um mecanismo eficiente para resolver disputas comerciais sem os custos e demoras associados ao sistema judicial tradicional.

Também o enquadramento jurídico português, atualizado nos últimos anos, tornou o recurso à arbitragem mais atractivo. A média de tempo para a conclusão de um processo arbitral situa-se entre três e seis meses, enquanto um processo civil comum pode demorar vários anos.

Impacto nos diferentes setores

Os setores da construção civil, do imobiliário e dos serviços financeiros lideram o crescimento doslitígios submetidos a arbitragem. Os contratos de compra e venda de imóveis e os acordos de franquia representam uma fatia considerável dos casos que dão entrada nos centros especializados.

O setor segurador também contribuiu para o aumento do volume, com um número crescente de apólices a preverem cláusulas compromissórias que obrigam as partes a recorrer à arbitragem em caso de conflito.

O papel dos centros de arbitragem

Os principais centros de arbitragem em Portugal diversificaram a sua oferta de serviços para dar resposta à procura crescente. O Centro de Arbitragem Administrativa, por exemplo, alargou a sua competência para incluir litígios entre administração pública e particulares, uma área que antes era quase exclusivamente resolvida nos tribunais administrativos e fiscais.

A Ordem dos Advogados e a Câmara de Comércio portuguesa têm vindo a promover junto das empresas as vantagens da arbitragem como método de resolução de conflitos. Estas ações de formação e sensibilização contribuíram para normalizar o recurso a este mecanismo entre os operadores económicos.

O que distingue a arbitragem da justiça estatal

A arbitragem funciona através de árbitros escolhidos pelas partes em conflito, normalmente juristas com experiência na matéria em causa. As decisões arbitrais têm o mesmo valor que as sentenças judiciais e são executáveis nos tribunais comuns quando necessário. A diferença fundamental está na celeridade e na especialização que o sistema oferece.

Em Portugal, a arbitragem pode ser voluntária, quando as partes acordam livremente submeter o litígio a este mecanismo, ou necessária, quando uma lei específica assim o determina. A legislação atual permite que empresas e consumidores recorram à arbitragem para resolver disputas de diversa natureza, desde que respeitem os limites legais definidos.

Os desafios que o crescimento traz

O aumento exponencial do número de processos coloca também desafios aos centros de arbitragem. A necessidade de recrutar e formar mais árbitros, a atualização dos regulamentos internos e a manutenção de elevados padrões de qualidade nas decisões são questões que as entidades gestoras têm de enfrentar.

A sustentabilidade financeira de alguns centros mais pequenos foi posta em causa pelo aumento da procura, que exige investimentos em infraestrutura e recursos humanos. Os centros que dependem de subsídios públicos enfrentam pressão adicional para demonstrar eficiência na utilização dos fundos disponíveis.

O que esperar para os próximos anos

Os indicadores de 2025 sugerem que a tendência de crescimento da arbitragem em Portugal deverá manter-se no curto prazo. O governo e as principais entidades do setor estão a analisar formas de modernizar o enquadramento jurídico e de atrair mais investimento internacional através de uma oferta arbitral competitiva.

Nos próximos meses, prevê-se a entrada em funcionamento de novas salas de audiência em Lisboa e no Porto, bem como a criação de centros especializados em arbitragem digital para litígios relacionados com tecnologias e comércio eletrónico. Estas mudanças prometem alterar o panorama da resolução alternativa de conflitos em Portugal e consolidar o país como um destino atractivo para a resolução de disputas comerciais internacionais.

Opinião Editorial

O papel dos centros de arbitragem Os principais centros de arbitragem em Portugal diversificaram a sua oferta de serviços para dar resposta à procura crescente. O Centro de Arbitragem Administrativa, por exemplo, alargou a sua competência para incluir litígios entre administração pública e particulares, uma área que antes era quase exclusivamente resolvida nos tribunais administrativos e fiscais.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.