Um conjunto de acionistas da Floene, entre os quais se incluem a The Objective e a Capital Verde, colocou à venda uma participação de 22,5% na empresa. A operação está a ser acompanhada de perto pelo mercado, numa altura em que o setor energético ibérico enfrenta pressões sobre margens e procura de investidores estratégicos dispostos a reforçar posições.

A operação de venda

A alienação dos 22,5% surge num contexto de reequilíbrio das carteiras de investimento dos acionistas envolvidos. A The Objective, fundo com presença reconhecida em ativos energéticos na Península Ibérica, e a Capital Verde, sociedade dedicada a investimentos sustentáveis, decidiram alienar esta fatia após uma avaliação interna dos seus portfólios. A operação representa uma das maiores transações de capital accionista registadas no setor energético português nos últimos meses.

The Objective e Capital Verde alienam 22,5% da Floene em operação de mercado — Politica
Política · The Objective e Capital Verde alienam 22,5% da Floene em operação de mercado

Fonte próxima do processo confirmou que o processo decorre em regime de confidencialidade, com potenciais compradores já contactados. Não foram ainda revelados os valores concretos da transação, embora estimativas do mercado situem a valuation da participação num intervalo considerável, dependendo de condições de mercado e da evolução dos resultados da Floene.

Quem é a Floene

A Floene opera essencialmente no setor da distribuição de gás natural, com atividade centrada em Portugal continental. A empresa serve centenas de milhares de clientes residenciais, industriais e comerciais, sendo um dos principais operadores no segmento de redes de distribuição de gás no país. Nos últimos anos, tem apostado na expansão da rede e na transição energética, alinhando a sua atividade com metas europeias de descarbonização.

A empresa foi historicamente controlada por um núcleo estável de acionistas, o que torna esta venda de blocos significativos um acontecimento invulgar. A entrada de novos investidores pode alterar a dinâmica de governance e as prioridades estratégicas da Floene nos próximos anos.

O papel da Meet Europe Natural

A Meet Europe Natural surge como um dos principais intervenientes no lado comprador. Este fundo tem vindo a expandir a sua presença no setor energético europeu, com foco em ativos com potencial de crescimento na área das energias renováveis e infraestruturas de gás menos poluentes. A sociedade mantém escritórios em Lisboa e Madrid, o que lhe confere proximidade aos principais mercados ibéricos.

Estratégia do fundo na Península Ibérica

A Meet Europe Natural tem apostado na aquisição de participações em operadores de rede como forma de garantir exposição estável a fluxos de caixa previsíveis. A operação na Floene insere-se nesta estratégia mais ampla de crescimento orgânico e por aquisição no mercado ibérico. O fundo já detinha interesses em empresas do setor noutros países europeus, antes de se posicionar para esta operação.

Implicações para o setor energético português

A venda de uma participação tão significativa por dois acionistas estabelecidos levanta questões sobre as perspetivas do setor. A distribuição de gás natural em Portugal tem enfrentado desafios relacionados com a concorrência de outras fontes energéticas e com a necessidade de investimentos em infraestruturas modernas. A entrada de novos investidores pode trazer capital fresco, mas também pode implicar uma revisão da estratégia da Floene.

Analistas do setor alertam que a operação pode desencadear uma ronda de consolidação no mercado português de distribuição de gás. Com margens sob pressão e custos de infraestrutura elevados, operadores mais pequenos podem vir a ser alvos de fusão ou aquisição nos próximos anos.

O que segue agora

O processo de venda decorre sob gestão de consultores financeiros especializados. Os acionistas vendedores emitiram um comunicado breve confirmando a operação, mas não avançaram datas previstas para a conclusão. O mercado aguarda agora sinais concretos sobre a identidade dos compradores finais e o preço efetivo da transação.

A conclusão da operação depende ainda de pareceres regulatórios e, possivelmente, de direito de preferência por parte de outros acionistas existentes. Os próximos meses serão determinantes para perceber se a Floene verá uma alteração profunda na sua estrutura accionista ou se a venda será absorvida sem grande impacto na gestão diária.

Opinião Editorial

O fundo já detinha interesses em empresas do setor noutros países europeus, antes de se posicionar para esta operação.Implicações para o setor energético portuguêsA venda de uma participação tão significativa por dois acionistas estabelecidos levanta questões sobre as perspetivas do setor. Os próximos meses serão determinantes para perceber se a Floene verá uma alteração profunda na sua estrutura accionista ou se a venda será absorvida sem grande impacto na gestão diária.

— minhodiario.com Equipa Editorial
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Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.