As autoridades sanitárias da República Democrática do Congo confirmaram esta terça-feira dois novos casos de Ébola na província do Ituri, elevando para cinco o número total de infeções detetadas desde o início do surto há duas semanas. Os casos foram identificados em Bunia, a principal cidade da região, onde três pacientes morreram nos últimos dias.
Rápida propagação preocupa autoridades
A situação no terreno agravou-se nas últimas 48 horas. Três mortes foram registadas em Bunia, incluindo a de um profissional de saúde de 34 anos que trabalhava na triagem de suspeitos. O Ministério da Saúde Pública do Congo adiantou que 91 pessoas que contactaram com os infetados estão agora sob vigilância epidemiológica.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados confirmou que dois campos de deslocados na proximidade de Bunia acolhem mais de 12 mil pessoas em condições precárias. «O risco de transmissão acelerada nestas comunidades é extremamente elevado», escreveu o UNHCR num comunicado.
Resposta humanitária enfrenta obstáculos
Aprovince has been plagued by armed conflict for over two decades, severely limiting the work of medical teams in the field. The roads connecting Bunia to Goma and other major cities are in poor condition, forcing aid organisations to rely on air transport.
Vacinas e equipamentos bloqueados
A OMS conseguiu posicionar um stock limitado de vacinas contra o Ébola em Goma, a cerca de 400 quilómetros de Bunia. No entanto, a distribuição enfrenta atrasos devido à insegurança nas vias terrestres. Uma fonte da UNICEF revelou que pelo menos 200 doses de vacinas estão disponíveis, mas ainda não chegaram aos profissionais de saúde no terreno.
O diretor provincial da saúde no Ituri, Dr. Jean-Pierre Kasereka, confirmou que o hospital provincial de Bunia já ultrapassou a capacidade de isolamento. «Temos oito pacientes numa unidade dimensionada para quatro», declarou aos jornalistas.
Aeroporto de Bunia implementa controlos
As autoridades congolesas ordenaram a instalação de pontos de rastreio sanitário no aeroporto de Bunia. Todos os passageiros que partem da cidade são agora submetidos a medições de temperatura e a um questionário de saúde. Voos internos para Goma e Quixeré são os únicos disponíveis a partir desta infraestrutura.
Bélgica reforçou igualmente os controlos nos aeroportos que recebem ligações diretas da RDC. O Instituto Superior de Saúde Pública belge comunicou que Passageiros provenientes de Goma e Quixeré estão sujeitos a vigilância ativa durante 21 dias.
Comunidade internacional reage
A Organização Mundial de Saúde convocou uma reunião de emergência para sexta-feira com representantes de vários países da região. Uganda, Ruanda e o Sudão do Sul já anunciaram o reforço da vigilância nas suas fronteiras com a RDC. O Burundi ativou o seu protocolo nacional de resposta a epidemias.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários pediu 12 milhões de euros em financiamento de emergência, dos quais apenas 3,5 milhões foram prometidos até ao momento.
Contexto histórico agrava receios
O Ituri foi cenário de um surto de Ébola em 2020, que provocou 17 mortes antes de ser dado como extinto. As lições aprendidas nesse episodio não foram totalmente aplicadas, indicam fontes humanitárias. A província enfrenta simultaneamente um surto de cólera e problemas de malnutrition infantile, o que fragiliza a população.
A experiência acumulada durante a grande epidemia de 2018-2020 no Kivu Norte, que causou mais de 2.200 mortos, demonstra que o Ébola pode ser contido quando a resposta é rapida e coordenada. O desafio atual reside na conjugação de múltiplas crises humanitárias simultâneas.
O que acontece a seguir
A OMS estimou que as próximas duas semanas serão decisivas para determinar se o surto pode ser contido. Uma equipa de epidemiologos internacionais deve chegar a Bunia até quinta-feira. Está também prevista a criação de um centro de operações de emergência em Goma.
Os próximos passos cruciais incluem o transporte das vacinas de Goma para Bunia, o fortalecimento das capacidades de isolamento no hospital provincial e a implementação de um sistema de vigilancia porta a porta nas comunidades afetadas. O Uganda já manifestou disponibilidade para enviar pessoal médico qualificado, caso a situação se deteriore.
O Instituto Superior de Saúde Pública belge comunicou que Passageiros provenientes de Goma e Quixeré estão sujeitos a vigilância ativa durante 21 dias.Comunidade internacional reageA Organização Mundial de Saúde convocou uma reunião de emergência para sexta-feira com representantes de vários países da região. O Burundi ativou o seu protocolo nacional de resposta a epidemias.O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários pediu 12 milhões de euros em financiamento de emergência, dos quais apenas 3,5 milhões foram prometidos até ao momento.Contexto histórico agrava receiosO Ituri foi cenário de um surto de Ébola em 2020, que provocou 17 mortes antes de ser dado como extinto.


