O Ministério da Economia de Portugal aprovou uma nova versão do Draft Capital Flow Management Regulations, que inclui medidas para regular o uso de criptomoedas no país. A mudança, divulgada na quinta-feira, vem em resposta ao crescimento acelerado do mercado digital e ao aumento de transações envolvendo ativos virtuais. A regulamentação, que ainda passa por revisão, pretende alinhar o setor com normas internacionais de combate ao branqueamento de capitais.

O que é o Draft Capital Flow Management Regulations

O Draft Capital Flow Management Regulations é um conjunto de normas que visa monitorar e controlar os fluxos de capital no país, incluindo operações com criptomoedas. A medida foi apresentada pelo Banco de Portugal e aprovada pelo Conselho de Ministros em 2023. Segundo o ministro da Economia, Paulo Ferro, o objetivo é criar um quadro regulatório mais claro e transparente para o setor digital.

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“A regulamentação não visa restringir o uso de criptomoedas, mas sim assegurar que as transações sejam realizadas dentro de um ambiente seguro e legal”, afirmou Ferro em declarações públicas. A nova versão do documento inclui regras sobre a identificação de clientes, relatórios de transações suspeitas e a obrigatoriedade de licenças para empresas que operam com ativos digitais.

Impacto no setor de criptomoedas em Portugal

A regulamentação pode afetar empresas de criptomoedas e investidores que operam no país. Segundo uma pesquisa do Instituto de Estudos de Tecnologia e Inovação (IETI), mais de 15% das empresas de tecnologia em Portugal já têm atividades relacionadas a criptomoedas. A nova regra exigirá que essas empresas se registrem e sigam diretrizes mais rígidas.

“A regulamentação é um passo importante para a estabilização do setor, mas também pode gerar custos de conformidade para pequenas empresas”, afirmou Ana Moreira, diretora do IETI. A medida também estabelece limites para transações acima de 10.000 euros, que devem ser reportadas às autoridades financeiras.

Contexto histórico e internacional

Portugal não é o primeiro país a regulamentar criptomoedas, mas o Draft Capital Flow Management Regulations representa uma abordagem mais abrangente. Na União Europeia, países como a Alemanha e a França já adotaram normas semelhantes. O regulamento português também se alinha com as diretrizes da Autoridade Europeia de Serviços e Mercados Financeiros (ESMA).

A regulamentação surge em um momento em que o uso de criptomoedas cresce rapidamente, com o número de transações no país aumentando em 40% no último ano. De acordo com o Banco de Portugal, a valorização de ativos digitais em 2023 atingiu 2,3 bilhões de euros, uma cifra que tem gerado debates sobre a necessidade de um controle mais rigoroso.

Reações do setor e possíveis desafios

Empresas de criptomoedas e startups tecnológicas expressaram preocupações com a nova regulamentação. O CEO da CryptoPort, Pedro Silva, destacou que “a burocracia pode desacelerar inovações e afastar investidores estrangeiros”. No entanto, alguns especialistas consideram a medida necessária para evitar riscos financeiros.

“A regulamentação precisa ser equilibrada. Ela deve proteger os investidores, mas não sufocar o crescimento do setor”, disse Maria Santos, analista de finanças digitais. A nova versão do Draft ainda está em discussão pública e deve ser revisada até o final do ano.

O que vem a seguir

Com a aprovação preliminar, o Draft Capital Flow Management Regulations entrará em fase de consulta pública até o fim de setembro. Após esse período, o documento será submetido ao Parlamento para aprovação final. A data limite para a implementação das novas regras é dezembro de 2024.

Empresas e investidores devem acompanhar as mudanças com atenção, pois a nova regulamentação pode alterar a forma como operam no mercado. O impacto real será avaliado nos próximos meses, com o objetivo de garantir um ambiente regulatório seguro e inovador.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.