Meta, a empresa mãe do Facebook, anunciou uma nova medida de vigilância interna, monitorando o uso de computadores dos funcionários, enquanto acelera o treinamento de inteligência artificial (IA) antes de uma onda de demissões. A decisão ocorreu em meados de setembro, durante um período de reorganização interna que já havia gerado rumores de cortes de pessoal.

Monitoramento de Atividades dos Funcionários

A empresa implementou um sistema de rastreamento de atividades de todos os funcionários, incluindo o tempo gasto em tarefas específicas e o acesso a dados internos. O objetivo, segundo uma nota interna, é otimizar a produtividade e identificar áreas de desperdício. A medida foi divulgada em uma reunião de liderança, onde o CEO Mark Zuckerberg destacou a necessidade de "alinhamento estrito com os objetivos de inovação e eficiência".

Meta Monitora Uso de Computadores dos Funcionários e Acelera Treinamento de IA — Empresas
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O sistema, que começou a ser testado em setembro, está sendo aplicado a todos os funcionários, independentemente do cargo. A medida gerou reações mistas dentro da empresa. Alguns colaboradores expressaram preocupação com a privacidade, enquanto outros acreditam que a transparência pode melhorar a produtividade. A diretora de Recursos Humanos, Sheryl Sandberg, afirmou que a empresa está "avaliando os impactos a longo prazo" dessa mudança.

Aceleração do Treinamento de IA

Paralelamente ao monitoramento, a Meta acelerou o treinamento de modelos de IA, focando em novas ferramentas de geração de conteúdo e análise de dados. Segundo uma fonte interna, o projeto está sendo priorizado para garantir que os sistemas sejam "mais robustos e eficientes" antes de qualquer reestruturação. O foco principal está na área de inteligência artificial generativa, com investimentos de 1,5 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2024.

Essa decisão surge em um contexto de pressão por resultados. A Meta enfrenta concorrência acirrada no setor de IA, especialmente com empresas como Google e Microsoft. O diretor de tecnologia da empresa, Joaquin Perales, destacou que "a IA é um pilar estratégico para o futuro da empresa" e que os avanços tecnológicos são essenciais para manter a competitividade.

Demissões em Massa e Impacto na Indústria

As ações da Meta ocorrem em meio a rumores de demissões em massa, que podem afetar cerca de 10% dos funcionários. Esse número, segundo fontes da empresa, pode subir para 15% se os resultados da reestruturação não atingirem as expectativas. A medida, que já está em andamento, afeta principalmente equipes de desenvolvimento e suporte técnico.

O impacto da reestruturação está sendo sentido em vários países. Na Europa, por exemplo, a sede em Lisboa tem passado por ajustes, com a redução de 200 posições em 2024. O diretor da unidade europeia, Pedro Ferreira, afirmou que "a empresa está buscando equilibrar inovação e sustentabilidade".

Reações dos Trabalhadores e Parceiros

Entre os colaboradores, as reações variam. Alguns expressam preocupação com a falta de transparência, enquanto outros veem a medida como uma necessidade do mercado. Um funcionário anônimo, que trabalha na área de IA, disse: "A empresa está tentando se adaptar rapidamente, mas a pressão pode ser muito grande".

Parceiros e investidores também estão atentos. O fundo de capital de risco Sequoia Capital, que investiu cerca de 500 milhões de dólares na Meta em 2023, destacou que "a empresa precisa manter sua posição de liderança no setor de IA".

O Que Virá A Seguir

As mudanças na Meta continuarão a ser monitoradas de perto, especialmente nas regiões onde a empresa tem grande presença. A próxima etapa inclui a divulgação de relatórios trimestrais e a implementação de novos protocolos de trabalho. A data limite para a divulgação dos resultados da reestruturação está marcada para o final do primeiro trimestre de 2024.

Para os funcionários e o mercado, a situação permanece em constante evolução. A Meta segue em uma fase de ajustes, e o que acontecer nos próximos meses pode definir o futuro da empresa em um setor em constante transformação.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.