O Ministro da Finança de Angola, Enoch Godongwana, anunciou nesta quinta-feira a extensão da taxa de combustível por mais 90 dias, em meio ao aumento da volatilidade no mercado internacional devido ao conflito no Médio Oriente. A medida, que entra em vigor a partir de 1º de julho, visa mitigar os impactos dos preços crescentes do petróleo, que subiram 12% nos últimos meses. A decisão foi divulgada em Luanda, capital do país, e afeta diretamente os consumidores e empresas que dependem do diesel e da gasolina.

O contexto do aumento do preço do petróleo

O conflito no Médio Oriente, especialmente entre Israel e o Hamas, tem gerado incertezas no mercado global de petróleo. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados, conhecidos como OPEP+, anunciaram uma redução de 1,2 milhões de barris diários a partir de julho, o que contribuiu para o aumento dos preços. Em Luanda, o preço médio do diesel subiu de 1250 kwanzas para 1420 kwanzas por litro, um aumento de 13,6%. Esse aumento é sentido especialmente por famílias de baixa renda e pequenos empreendedores.

Godongwana anuncia extensão da taxa de combustível em meio ao conflito no Médio Oriente — Politica
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Godongwana destacou que a extensão da taxa de combustível é uma medida temporária, mas necessária para estabilizar o mercado interno. "A situação no Médio Oriente está colocando pressão sobre os preços globais, e é nossa responsabilidade proteger os cidadãos", afirmou o ministro em uma coletiva de imprensa. A taxa, que é uma forma de tributação sobre o combustível, tem sido usada por Angola para equilibrar a balança comercial e reduzir a dependência de importações.

Impacto na economia e na sociedade

A extensão da taxa de combustível tem implicações diretas na economia angolana, especialmente no setor de transporte e logística. Empresas de fretes já relatam aumento de custos, o que pode levar a reajustes nos preços de produtos e serviços. A Associação Nacional de Transportadores (ANT) alerta que o aumento do diesel pode causar inflação secundária, especialmente em áreas rurais onde o transporte é essencial.

Além disso, a medida afeta os trabalhadores que dependem de veículos para se deslocar entre suas casas e os locais de trabalho. Em Luanda, por exemplo, o custo médio de um passeio de táxi subiu 15%, o que impacta diretamente a renda de famílias de baixa renda. "Estamos vendo a inflação subir de forma acelerada", disse Maria dos Santos, uma mãe de família que trabalha como costureira. "O combustível é o que mais custa agora."

Reações da sociedade e da oposição

A decisão do ministro Godongwana recebeu críticas de setores da oposição e da sociedade civil. O líder da oposição, Rui Mingas, questionou a transparência do processo de definição da taxa. "Não temos clareza sobre como os recursos arrecadados serão utilizados. É necessário mais diálogo com a sociedade", afirmou. Já a Organização de Defesa do Consumidor (ODC) pediu que o governo divulgue com mais detalhes os impactos da medida sobre os mais vulneráveis.

Por outro lado, alguns economistas defendem a extensão da taxa como uma forma de proteger o orçamento público. "Angola não pode se expor a flutuações externas sem medidas de contenção", disse o economista José Ferreira. "A longo prazo, é necessário investir em energia renovável, mas, por enquanto, essa medida é necessária."

Próximos passos e expectativas

Godongwana afirmou que a extensão da taxa será revisada em setembro, com base no comportamento dos preços globais do petróleo e na situação econômica interna. O governo também está estudando alternativas, como a redução de outras taxas para compensar o impacto sobre os cidadãos. No entanto, até lá, a população deve se preparar para um aumento nos custos de transporte e logística.

Com o conflito no Médio Oriente persistindo, os preços do petróleo devem continuar voláteis, o que pode exigir novas medidas do governo angolano. Os analistas aconselham que a sociedade esteja atenta às próximas ações do Ministério da Finança e ao impacto das decisões no dia a dia das famílias.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.