Escritores sul-coreanos estão ganhando destaque internacional, superando preconceitos e se tornando best-sellers em mercados como o europeu. A ascensão desses autores reflete uma mudança cultural e econômica no país, que tem investido em sua indústria criativa. Um exemplo é o romance "A Guerra dos Gatos", de Lee Min-ho, que se tornou um dos livros mais vendidos no Reino Unido em 2024.

Escritores sul-coreanos ganham visibilidade global

A indústria editorial sul-coreana tem crescido significativamente nos últimos anos. Segundo o Ministério da Cultura do país, as exportações de livros aumentaram em 25% entre 2020 e 2023. Isso se deve, em parte, ao apoio do governo a iniciativas de tradução e divulgação internacional. Lee Min-ho, um dos autores mais destacados, afirma que a qualidade das narrativas e a diversidade de temas têm atraído leitores de diversas partes do mundo.

Escritores sul-coreanos vencem ódio e se tornam best-sellers — Empresas
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O sucesso de Lee Min-ho é ilustrado pelo seu livro "A Guerra dos Gatos", que vendeu mais de 500 mil cópias na Europa em apenas seis meses. O romance, que mistura ficção histórica e realidade social, foi traduzido para 15 idiomas. "Acreditamos que as histórias sul-coreanas têm algo único para oferecer", diz Min-ho, que também é professor universitário em Seul.

Preconceitos e resistência no mercado internacional

Apesar do crescimento, escritores sul-coreanos ainda enfrentam desafios. Muitos leitores ocidentais têm preconceitos sobre a cultura e a literatura do país. "Há uma visão limitada do que a Coreia do Sul pode oferecer", afirma a crítica literária portuguesa Maria Sofia Ferreira. "Mas isso está mudando, especialmente com a popularidade da K-pop e da indústria cinematográfica."

Um dos maiores obstáculos é a falta de traduções. Apenas 2% dos livros sul-coreanos são traduzidos para idiomas estrangeiros, segundo dados da Agência de Cultura Sul-Coreana. Isso limita o alcance do mercado global. No entanto, iniciativas como o Programa de Tradução Literária, financiado pelo governo, estão ajudando a aumentar a visibilidade dos autores.

Impacto na cultura portuguesa e europeia

O aumento do interesse por literatura sul-coreana tem gerado impactos na cultura portuguesa. Editoras como a Porto Editora e a Bertrand têm investido em traduções de autores locais, incluindo Lee Min-ho. "A literatura sul-coreana traz novas perspectivas e temas que não são comuns na nossa cultura", diz o editor João Ferreira.

Além disso, eventos culturais como o Festival do Livro de Lisboa têm destacado a literatura sul-coreana. Em 2024, uma exposição especial sobre autores sul-coreanos atraiu mais de 10 mil visitantes. "É um sinal de que o público está aberto a novas vozes", afirma a curadora do evento, Ana Moreira.

Traduções e apoio governamental

O apoio governamental é fundamental para o crescimento da literatura sul-coreana. O Ministério da Cultura tem financiado programas de tradução e feiras literárias internacionais. Além disso, parcerias com editoras europeias têm facilitado a divulgação dos livros.

Um exemplo é a colaboração entre a Editora Planeta e a Agência de Cultura Sul-Coreana, que resultou na tradução de mais de 30 livros em 2023. "Essas parcerias são essenciais para expandir o alcance dos autores", diz o representante da agência, Park Sang-hoon.

O que vem por aí

O futuro da literatura sul-coreana parece promissor. Com o aumento do apoio governamental e a crescente aceitação no mercado internacional, escritores do país estão se tornando cada vez mais visíveis. Em 2025, está prevista a realização de uma conferência internacional sobre literatura sul-coreana, que reunirá autores, editores e críticos de diferentes partes do mundo.

Além disso, a tradução de novos títulos está em andamento. A Agência de Cultura Sul-Coreana planeja lançar mais 50 livros em idiomas estrangeiros até o final do ano. Isso pode contribuir para a expansão do mercado e a maior inclusão de vozes sul-coreanas na literatura global.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.