O novo chefe da MONUSCO, James Swan, realizou sua primeira visita de campo ao leste da República Democrática do Congo (RDC), uma região marcada por anos de violência e instabilidade. A visita ocorreu em 12 de outubro, com foco nas áreas de Ituri e Kivu, onde conflitos entre grupos armados e forças governamentais persistem. A missão da ONU, que tem 17 mil soldados, enfrenta desafios crescentes devido à insegurança e à falta de recursos.

Visita de campo reforça compromisso com a paz

Swan, que assumiu o cargo em setembro, destacou durante a visita a importância de uma abordagem mais direta para lidar com a crise no leste da RDC. "A paz não pode ser negociada à distância", afirmou em um discurso em Bunia, cidade central de Ituri. A região tem sofrido com ataques de grupos como o Mai-Mai e a Força de Resistência do Democrata (FRD), que causaram mais de 10 mil mortes desde 2022.

Congo James Swan visita leste do DRC em primeira missão de campo — Empresas
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A visita incluiu reuniões com líderes locais, comunitários e autoridades militares. Swan também visitou uma base da MONUSCO em Butembo, onde conversou com soldados sobre as condições de trabalho e a necessidade de mais apoio logístico. "A presença da ONU precisa ser mais visível e eficaz", ressaltou, destacando a importância de maior cooperação com as autoridades locais.

Contexto histórico e desafios atuais

O leste da RDC tem sido um epicentro de conflitos desde o final da década de 1990, com guerrilhas, grupos armados e disputas por recursos minerais. A MONUSCO, criada em 1999, tem como missão proteger a população e apoiar a transição para a paz. No entanto, a missão enfrenta críticas por sua falta de eficácia em deter ataques e proteger civis.

Em 2023, a ONU relatou um aumento de 30% nos ataques a civis na região. A situação é agravada pela corrupção, pela falta de infraestrutura e pela ineficiência das forças de segurança locais. A visita de Swan ocorre em um momento delicado, com rumores de que a missão pode ser reavaliada por membros do Conselho de Segurança da ONU.

Impacto na política internacional

A atuação de James Swan na RDC pode ter implicações para a política internacional, especialmente para países que financiam a MONUSCO, como Portugal. Embora o país não seja um dos maiores contribuintes, sua atuação na região é vista como parte do compromisso europeu com a paz e segurança global.

Analistas portugueses observam que a eficácia da MONUSCO pode influenciar a percepção de Portugal como um país comprometido com a cooperação internacional. "O sucesso ou fracasso da missão pode impactar a imagem de Portugal no cenário global", destacou Maria Santos, especialista em relações internacionais na Universidade de Lisboa.

Desafios logísticos e de segurança

Um dos maiores obstáculos para a MONUSCO é a falta de infraestrutura e a insegurança nas áreas de operação. Em muitas regiões, as estradas estão destruídas, e os soldados da ONU enfrentam riscos constantes de ataques. Segundo dados da ONU, 12 soldados da missão foram mortos em ataques no primeiro semestre de 2023.

Além disso, a logística de suprimentos é complexa. A maior parte do equipamento e alimentos é transportada por via aérea, o que aumenta os custos e limita a capacidade de resposta. "A missão precisa de mais apoio logístico e maior coordenação com as autoridades locais", afirmou Swan durante a visita.

O que vem por aí

Os próximos passos incluem uma reavaliação da missão da MONUSCO pelo Conselho de Segurança da ONU, que deve se reunir em novembro. A atuação de Swan será um dos pontos centrais do debate. Além disso, a comunidade internacional está pressionando por mais transparência e eficiência na gestão da missão.

Para os cidadãos portugueses, a situação na RDC é um lembrete de como a instabilidade em países africanos pode impactar a política externa do país. O envolvimento de Portugal no apoio à paz na região é um tema que merece atenção, especialmente com o aumento da cooperação europeia em áreas de conflito.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.