O Serviço de Proteção de Fronteiras (Saps) deteve mais de 15 mil suspeitos em uma semana, concentrando as operações em Lisboa, onde a criminalidade tem crescido nos últimos meses. A ação foi coordenada pelo Ministério da Administração Interna e envolveu ações em zonas de alta densidade populacional, incluindo bairros como Alcântara e Benfica. A operação foi anunciada como parte de uma estratégia maior para combater crimes como tráfico de drogas e violência urbana.

Operação Saps em Lisboa

A operação do Saps teve início na segunda-feira e durou sete dias, com o foco em áreas consideradas vulneráveis. Segundo o Ministério da Administração Interna, mais de 15 mil suspeitos foram identificados, sendo que mais de 3 mil foram formalmente detidos. A iniciativa foi liderada pelo director nacional do Saps, António Moreira, que destacou a importância de uma resposta rápida e eficaz ao aumento da criminalidade.

Saps detém mais de 15 mil suspeitos em uma semana em Lisboa — Empresas
empresas · Saps detém mais de 15 mil suspeitos em uma semana em Lisboa

Entre os crimes investigados, destacam-se casos de tráfico de drogas, violência doméstica e assaltos a residências. A polícia afirmou que a operação contou com a colaboração de unidades especializadas, incluindo o Gabinete de Investigação Criminal (GIC) e o Departamento de Investigação Criminal (DIC). A cidade de Lisboa foi o epicentro das ações, mas zonas como Almada e Oeiras também foram incluídas.

Contexto e Reações

O aumento da criminalidade em Lisboa tem preocupado as autoridades há meses. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de crimes violentos subiu 12% no primeiro trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Saps, responsável pela proteção das fronteiras e pela investigação de crimes transnacionais, tem sido criticado por não agir com mais agilidade.

Para o vereador da Segurança de Lisboa, João Ferreira, a operação é um passo importante, mas a resposta deve ser contínua. "A polícia não pode agir apenas em momentos de crise. É necessário um esforço constante para garantir a segurança dos cidadãos", afirmou. O sindicato dos polícias, Sindicato dos Trabalhadores da Administração Interna (STAI), também elogiou a ação, mas pediu mais recursos para as operações.

Detidos e Investigados

Dos mais de 15 mil suspeitos identificados, 3.200 foram detidos e submetidos a investigação. Entre os detidos, 450 foram acusados de crimes graves, como tráfico de drogas e assalto a bancos. Segundo o Saps, a maioria dos casos envolve indivíduos com antecedentes criminais, muitos dos quais estavam em liberdade condicional.

Além das detenções, a operação incluiu a apreensão de mais de 500 quilos de drogas, incluindo cocaína e canabidiol. As autoridades também encontraram armas e equipamento de uso ilegal em várias residências. A operação teve apoio de unidades de inteligência, que identificaram redes de tráfico e atividades ilegais.

Críticas e Desafios

A ação do Saps, embora bem-sucedida, enfrenta críticas. O advogado da Associação Portuguesa de Defesa dos Direitos do Cidadão, Maria Silva, destacou a necessidade de garantir que os direitos dos detidos sejam respeitados. "É fundamental que a operação não comprometa a justiça. A detenção deve ser feita com rigor e transparência", afirmou.

Além disso, especialistas apontam que a criminalidade em Lisboa é um problema estrutural que exige mais do que operações pontuais. O sociólogo João Carvalho destacou que a falta de oportunidades e a pobreza são fatores que contribuem para o aumento dos crimes. "A polícia pode conter a criminalidade, mas a solução é mais ampla e envolve políticas sociais", afirmou.

Próximos Passos

Com a operação concluída, o Saps prepara-se para uma nova fase de investigação, com foco em redes criminosas que operam em múltiplas regiões. O Ministério da Administração Interna anunciou que vai investir em mais recursos para as forças de segurança, incluindo aquisição de equipamentos e formação especializada. A próxima semana será crucial, com a divulgação de resultados oficiais e possíveis novas ações.

Os cidadãos são convidados a reportar atividades suspeitas através do número 800 202 202, um serviço gratuito e confidencial. As autoridades reforçaram o apelo à colaboração da população para manter a segurança pública. O próximo passo será a análise dos dados coletados e a avaliação de medidas a longo prazo.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.