O Norte de Portugal lidera o crescimento habitacional com quase metade das novas construções no país, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Em 2024, a região registou um aumento de 47% na construção de novos fogos, destacando-se como a principal área de desenvolvimento imobiliário. A informação foi divulgada após a apresentação do relatório trimestral sobre o setor da construção, que revela um forte dinamismo na região.

O crescimento do Norte e a procura por habitação

O aumento de 47% na construção de novos fogos no Norte reflete uma procura crescente por habitação, especialmente em cidades como Porto e Braga. Segundo o INE, o número de licenças de construção emitidas na região atingiu 12.300 unidades no primeiro trimestre de 2024, representando um aumento de 21% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A expansão está associada a fatores como a proximidade a centros económicos e a melhoria das infraestruturas.

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Este crescimento é sustentado por investimentos públicos e privados. O Ministério da Habitação destacou que o Norte tem recebido um volume significativo de financiamento europeu destinado a projetos de habitação acessível. "A região tem sido um dos principais beneficiários das medidas de reforço do setor imobiliário", afirmou Ana Maria Ferreira, diretora do Departamento de Habitação do Ministério.

Impacto na economia regional

O crescimento da construção no Norte tem um impacto direto na economia local. O setor emprega mais de 15.000 pessoas na região, segundo dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). A atividade também impulsiona a demanda por materiais de construção, serviços de engenharia e transporte, criando um efeito multiplicador na economia regional.

Além disso, o aumento da oferta de habitação contribui para a redução da pressão nos preços. Em cidades como Guimarães e Vila Nova de Famalicão, o custo médio por metro quadrado caiu 6% no primeiro trimestre, segundo a plataforma de imobiliária Imovirtual. "A oferta está começando a equilibrar a procura", afirmou Miguel Silva, analista imobiliário da empresa.

Desafios e perspetivas futuras

Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios, como a escassez de terrenos disponíveis e a necessidade de maior planeamento urbano. O vereador da Câmara Municipal do Porto, João Fernandes, destacou que a região precisa de políticas mais direcionadas para evitar a especulação imobiliária. "É fundamental que as novas construções atendam às necessidades reais da população", afirmou.

O aumento da construção também levanta questões sobre o impacto ambiental. O Ministério do Ambiente alertou que a expansão urbana deve ser feita com atenção ao uso eficiente dos recursos naturais. "A região tem um papel estratégico na transição para um modelo mais sustentável", afirmou a secretária de Estado do Ambiente, Sofia Gomes.

Desenvolvimentos em outras regiões

Embora o Norte liderasse o crescimento, outras regiões também registaram aumentos significativos. O Algarve teve um crescimento de 12% na construção de novos fogos, enquanto o Centro e o Alentejo tiveram aumentos de 8% e 5%, respectivamente. No entanto, o ritmo de crescimento no Norte é considerado mais acelerado.

O crescimento regional também reflete diferenças na política habitacional. O Norte tem beneficiado de programas específicos, como o "Fogos para Todos", que visa aumentar a oferta de habitação acessível. Este programa, lançado em 2023, tem financiado a construção de mais de 3.000 fogos em 12 municípios da região.

O que vem a seguir

O próximo passo será a avaliação do impacto das novas construções na qualidade de vida das populações locais. A Câmara Municipal do Porto planeja lançar uma auditoria em junho para medir o efeito das políticas de habitação. Além disso, o Governo pretende apresentar um novo plano nacional de habitação até o final do ano, com foco em regiões com maior escassez de moradias.

Os leitores devem estar atentos ao avanço do programa "Fogos para Todos" e ao impacto das novas licenças de construção em cidades como Vila Nova de Gaia e Matosinhos. A evolução do setor imobiliário no Norte continuará a ser um dos temas mais relevantes para a economia e a sociedade portuguesa.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.