A Grécia anunciou uma exceção para os detentores de passaportes britânicos no âmbito do novo sistema de gestão de fronteiras europeias (EES), que exige a coleta de dados biométricos para viajantes. A medida, divulgada pelo Ministério do Interior grego em 15 de setembro, elimina a necessidade de registros adicionais para cidadãos britânicos que viajam para o país. A decisão ocorre em um momento em que o Reino Unido e a União Europeia estão a negociar novos acordos de viagem pós-Brexit.

Exceção para cidadãos britânicos no EES

O novo sistema EES, implementado em 2023, exige que viajantes de terceiros países forneçam dados biométricos, como impressões digitais e fotografias, ao entrar na área Schengen. No entanto, a Grécia decidiu isentar os britânicos de tal exigência, um passo que reflete a relação bilateral entre os dois países. O ministro grego da Administração Interna, Giannis Bakoyannis, explicou que a exceção foi baseada em acordos anteriores e no reconhecimento mútuo de passaportes.

Grécia Exime Britânicos da Registação Biométrica sob EES — Empresas
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Esta medida é especialmente relevante para os turistas britânicos, que constituem uma parcela significativa do turismo na Grécia. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Grécia, em 2022, mais de 2,5 milhões de turistas britânicos visitaram o país, representando 15% do total de visitantes. A isenção reduzirá a burocracia e acelerará o processo de entrada para os cidadãos britânicos.

Contexto histórico e relações bilaterais

A decisão da Grécia reflete um histórico de cooperação entre o Reino Unido e a Grécia, especialmente no setor de turismo. Após o Brexit, a relação entre os dois países foi ajustada, mas o turismo continuou sendo um pilar do comércio bilateral. A isenção de registros biométricos é uma demonstração de confiança mútua, embora não seja uma exceção generalizada — outros países, como a Alemanha e a França, mantêm a exigência de dados biométricos para britânicos.

Os cidadãos britânicos que viajam para a Grécia agora podem entrar sem fornecer dados biométricos, mas ainda precisam apresentar passaportes válidos. A medida não afeta outros viajantes de terceiros países, que continuam sujeitos ao EES. O ministro Bakoyannis afirmou que a decisão foi tomada após consultas com a União Europeia e com o governo britânico.

Impacto no turismo e na economia

A isenção de registros biométricos para britânicos é uma medida bem-vinda para o setor turístico grego. A Grécia tem enfrentado desafios devido à inflação e à instabilidade económica, mas o turismo permanece um dos principais motores do crescimento. Com a entrada de turistas britânicos simplificada, espera-se um aumento na procura de pacotes de viagem e na ocupação de hotéis, especialmente em destinos como Atenas, Santorini e Creta.

Segundo a Associação de Turismo Grega (Hellenic Tourism Confederation), a medida pode gerar um aumento de 10% no número de visitantes britânicos em 2024. A entidade destacou que a redução de burocracias é essencial para atrair turistas em um mercado competitivo. "A Grécia precisa manter a competitividade no setor turístico, e esta decisão é um passo importante", afirmou o presidente da associação, Nikos Kourkoumelis.

O que vem a seguir?

A medida é temporária, e a Grécia ainda está a monitorar os efeitos do EES no setor turístico. O governo grego informou que a isenção será revisada em dezembro de 2024, com base em dados de fluxo de turistas e no desempenho do sistema EES. O Reino Unido também está a acompanhar a situação, com o objetivo de garantir que os cidadãos britânicos não enfrentem obstáculos adicionais ao viajar para a Grécia.

Para os turistas britânicos, a isenção é uma notícia positiva que facilitará a entrada na Grécia. No entanto, é importante que os viajantes verifiquem as regras atualizadas antes de viajar, já que políticas podem mudar. A Grécia também está a trabalhar com a União Europeia para garantir que outros países adotem medidas semelhantes, caso sejam benéficas para o turismo e para a cooperação bilateral.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.