O Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) alertou os portugueses que não devem alimentar os pássaros durante os meses mais quentes do ano. A organização britânica, que trabalha em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), explica que a alimentação excessiva pode prejudicar o equilíbrio ecológico e a saúde das aves.
Por que a RSPB fez essa recomendação?
A RSPB, uma das maiores organizações de proteção de aves do Reino Unido, aconselha que, em Portugal, os cuidadores de aves evitem alimentar os pássaros durante o verão. A recomendação foi feita após uma análise de dados coletados em várias zonas do país, incluindo a região do Algarve, onde o número de pássaros em áreas urbanas tem aumentado significativamente.
Segundo o diretor do ICNB, João Ferreira, "a alimentação artificial pode levar à dependência dos pássaros, alterando seus padrões de forrageamento e afetando a reprodução". Ele destacou que em 2023, 35% dos registros de pássaros em zonas urbanas foram associados a fontes artificiais de alimento.
Quais são os riscos?
Alimentar pássaros em épocas de calor pode provocar desequilíbrios na sua dieta. A RSPB explica que alimentos como pão e grãos não são adequados para as necessidades nutricionais das aves, especialmente em climas quentes. "Esses alimentos podem causar problemas digestivos e até reduzir a longevidade dos pássaros", alerta a bióloga Mariana Silva, especialista em aves no ICNB.
Além disso, o acúmulo de alimentos em áreas urbanas pode atrair animais indesejados, como ratos e morcegos, aumentando o risco de transmissão de doenças. O Ministério da Saúde de Portugal já registrou casos de zoonoses associados a práticas similares em zonas de alta densidade populacional.
Como os portugueses estão reagindo?
A recomendação da RSPB gerou reações mistas entre os cidadãos. Enquanto alguns apoiaram a medida, outros questionaram a eficácia de não alimentar os pássaros. "Eu sempre dei comida aos pássaros no jardim. Não entendo por que isso é problema", disse um morador de Lisboa, que prefere não se identificar.
O ICNB, no entanto, reforça que a alimentação natural é essencial para a sobrevivência das aves. "A natureza tem mecanismos para manter o equilíbrio. Quando interrompemos esse ciclo, podemos causar impactos negativos", afirma o coordenador de projetos do ICNB, Carlos Mendes.
Quais são as alternativas?
Para quem deseja ajudar os pássaros, a RSPB sugere manter fontes de água limpa e proteger os habitats naturais. "A melhor forma de cuidar das aves é preservar o seu ambiente", explica a especialista Mariana Silva. O ICNB também oferece orientações em seu site sobre como criar espaços seguros para a fauna local.
Além disso, os moradores podem participar de programas de monitoramento de aves, como o "Birdwatch Portugal", que coleta dados sobre a presença e comportamento das espécies em diferentes regiões do país.
O que vem por aí?
O ICNB planeja lançar uma campanha educacional no início do próximo mês, com materiais em português e divulgação em redes sociais. A RSPB também vai reforçar sua colaboração com instituições locais para garantir que a mensagem chegue a todos os interessados.
Os especialistas reforçam que a saúde das aves está diretamente ligada ao equilíbrio ecológico. O próximo passo é monitorar os efeitos da nova orientação e ajustar as estratégias conforme necessário. O que os portugueses devem observar é como essa mudança afetará a biodiversidade nas próximas semanas.


