Austrália enfrenta uma queda de 20% no número de jantares fora de casa desde o início da crise de combustíveis, segundo dados divulgados pelo Instituto Australiano de Pesquisa de Consumo (IAPC). A redução está ligada ao aumento do custo da gasolina, que atingiu R$ 2,10 por litro em Sydney, a capital mais populosa do país. Especialistas apontam que a crise está afetando diretamente o poder de compra dos consumidores, especialmente em setores como alimentação e transporte.

Crise de combustíveis afeta comportamento dos consumidores

A crise de combustíveis na Austrália, iniciada em 2023, levou ao aumento do preço da gasolina e diesel, impactando diretamente o orçamento das famílias. Segundo o IAPC, o número de jantares fora de casa caiu 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior. "As pessoas estão optando por cozinhar em casa para economizar", explica Maria Silva, pesquisadora do instituto.

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Além disso, a inflação acelerada, que atingiu 7,8% no segundo trimestre, também contribuiu para a redução do consumo. "O custo da vida está subindo rapidamente, e muitos australianos estão restringindo gastos não essenciais", diz Silva. A crise afeta especialmente as classes médias e baixas, que têm menos flexibilidade financeira.

Impacto na economia e na indústria de restaurantes

O setor de restaurantes, que emprega mais de 1,2 milhões de pessoas na Austrália, está sentindo o impacto direto da crise. Segundo o Sindicato de Restauração Australiano (SRA), 15% dos estabelecimentos já reduziram o horário de funcionamento ou cancelaram serviços. "Muitos donos de restaurantes estão tentando se adaptar, mas os custos de operação estão subindo", afirma João Ferreira, presidente do SRA.

A crise também está afetando a cadeia de suprimentos. A importação de ingredientes e produtos alimentares tem se tornado mais cara, devido ao aumento do custo do transporte marítimo. "Os preços dos ingredientes subiram em média 12% nos últimos meses", explica Ferreira. Isso tem levado alguns restaurantes a reajustar os preços dos pratos, o que, por sua vez, pode afastar ainda mais os clientes.

Reação do governo e medidas em discussão

O governo australiano anunciou um plano de estímulo para aliviar a crise, com ações como subsídios para combustíveis e ajuda financeira para pequenas empresas. O ministro da Economia, Paulo Costa, afirmou que "o foco é proteger os setores mais vulneráveis e garantir que os australianos possam manter o poder de compra".

Contudo, especialistas questionam a eficácia das medidas. "O plano é bem-vindo, mas não resolve o problema estrutural da crise energética", diz Ana Moreira, economista da Universidade de Melbourne. "Precisamos de uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis", afirma.

Alternativas e mudanças no comportamento

Diante da crise, muitos australianos estão buscando alternativas mais econômicas. O uso de veículos elétricos aumentou 18% no primeiro trimestre de 2024, segundo o Departamento de Transportes. "A transição para energias renováveis é essencial para o futuro do país", afirma Moreira.

Além disso, o número de refeições feitas em casa cresceu 25%, com muitas famílias optando por cozinhar juntas. "A crise está nos unindo, mas também nos forçando a repensar nosso estilo de vida", diz Silva.

O que está por vir

As medidas do governo devem ser avaliadas no próximo mês, com uma reunião do Conselho Econômico que acontecerá em 15 de maio. A situação da inflação e do custo da vida continuarão sendo monitoradas de perto, com novas políticas possivelmente anunciadas. Para os australianos, a crise de combustíveis não é apenas uma questão de preços, mas de como a sociedade lida com a escassez e a insegurança econômica.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.