O Ministério da Transição Energética revelou que 78,5% da eletricidade consumida em Portugal no primeiro trimestre do ano provém de fontes renováveis. O dado, divulgado no Boletim Eletricidade, reflete um aumento significativo em relação ao mesmo período de 2022, destacando o avanço do país na transição energética. A informação surge num momento em que o país se esforça para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e cumprir as metas europeias de descarbonização.

Renováveis Dominam a Matriz Energética

O Boletim Eletricidade, publicado pelo Instituto da Energia, mostra que a produção de eletricidade em Portugal no primeiro trimestre foi liderada por fontes renováveis, com destaque para a eólica e a hidroelétrica. A eólica contribuiu com 45% da energia gerada, enquanto a hidroelétrica representou 18%. A biomassa e a solar completaram o restante da produção limpa. O setor de energias renováveis atingiu uma capacidade instalada de 12.300 megawatts (MW), um crescimento de 12% em relação ao ano anterior.

Portugal Atinge 78,5% de Renováveis na Eletricidade no Primeiro Trimestre — Empresas
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Estes dados são particularmente relevantes em contextos de crise energética europeia, onde Portugal tem se destacado como um dos países com maior percentual de eletricidade limpa. O ministro da Transição Energética, João Galamba, destacou o progresso como "um passo crucial para a independência energética e a sustentabilidade". Ele reforçou que a meta é atingir 80% de renováveis na matriz até 2030, com um plano de investimento de 15 mil milhões de euros até 2026.

Impacto na Economia e no Consumidor

O crescimento das energias renováveis tem efeitos diretos na economia e no preço da eletricidade. Segundo o Boletim Eletricidade, a média do preço da eletricidade no mercado regulado caiu 7% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2022. O consumo médio de um lar em Portugal foi de 120 kWh, com uma tarifa média de 0,17 euros por quilowatt-hora. Apesar disso, os custos de infraestrutura e manutenção das fontes renováveis continuam a ser uma preocupação para os operadores do setor.

O impacto também é notado no mercado de exportação. Com a produção de eletricidade limpa em alta, Portugal tem aumentado suas exportações para Espanha e França, especialmente durante os períodos de baixa demanda interna. O diretor da Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE), Maria João Ferreira, destacou que "a capacidade de exportar energia limpa é uma vantagem competitiva que pode gerar receitas significativas para o país".

Desafios e Críticas

A transição para energias renováveis não está isenta de desafios. O aumento da produção eólica e solar tem exigido investimentos maciços em redes de distribuição e armazenamento. O ministro Galamba admitiu que a atual infraestrutura ainda não está preparada para absorver a crescente capacidade renovável, o que pode gerar gargalos na entrega de energia. Além disso, alguns setores, como a indústria pesada, expressaram preocupações com a estabilidade da oferta.

O grupo ambientalista Greenpeace criticou o ritmo das mudanças, argumentando que "a meta de 80% até 2030 é ambiciosa, mas requer um plano mais detalhado e mais rápido". O diretor da organização, Paulo Ferreira, defende que o governo deve acelerar a construção de novas infraestruturas e estabelecer metas mais ambiciosas para o setor industrial.

Avanços Técnicos e Investimentos

Para suportar o crescimento das energias renováveis, Portugal tem investido em tecnologias de armazenamento de energia, como baterias de lítio e hidrogénio verde. O projeto de armazenamento de energia em Sines, com uma capacidade de 500 MW, está em fase de construção e deverá estar operacional até 2025. O investimento total em infraestruturas renováveis atingiu 2,3 mil milhões de euros no primeiro trimestre, segundo o Boletim Eletricidade.

Além disso, a digitalização da rede elétrica está em andamento. O Instituto da Energia anunciou uma parceria com a empresa Siemens para a implementação de um sistema inteligente de gestão da energia, que permitirá otimizar a distribuição e reduzir perdas.

O Que Esperar nos Próximos Meses

O próximo passo é a implementação do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), que estabelece metas claras para o setor elétrico. A legislação prevê a criação de zonas de produção de energia limpa em áreas não urbanizadas, com o objetivo de acelerar a construção de novas instalações. O prazo final para a aprovação do PNEC é o final de 2024, segundo o Ministério da Transição Energética.

Para os consumidores, o foco deve estar nas tarifas e no acesso à energia limpa. O governo está a preparar uma nova legislação que permitirá que famílias e empresas gerem e vendam eletricidade própria, incentivando a produção descentralizada. A novidade deverá ser apresentada no próximo mês, segundo o ministro Galamba.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.