O Congresso Nacional aprovou uma nova lei que redefine as regras de design aditivo, com implicações diretas para o setor tecnológico em Portugal. A medida, que entrou em vigor em 1º de abril, visa aumentar a transparência e a responsabilidade das empresas que utilizam algoritmos de engajamento. A aprovação ocorreu após meses de discussões entre parlamentares, especialistas em tecnologia e representantes do setor privado.

O que foi aprovado e porquê

A nova lei estabelece diretrizes claras sobre como as empresas devem informar os usuários sobre o uso de algoritmos de design aditivo. A medida foi proposta pelo ministro da Inovação, João Ferreira, que destacou a necessidade de proteger os consumidores contra práticas que podem levar à dependência. "O objetivo é criar um ambiente mais saudável para a interação digital", afirmou Ferreira durante a votação.

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Entre os principais pontos da lei está a obrigatoriedade de empresas como a Google e Meta publicarem anualmente relatórios sobre o impacto de seus algoritmos. A medida também limita a coleta de dados pessoais sem consentimento explícito, um tema que tem gerado debates em todo o mundo.

Contexto e implicações

Portugal não é o primeiro país a regulamentar o design aditivo, mas a nova lei representa uma abordagem pioneira no contexto europeu. A medida vem em resposta a estudos que mostram que até 30% dos usuários de redes sociais relatam sentir-se dependentes de plataformas como Instagram e TikTok. A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) foi responsável por monitorar a implementação da nova regulamentação.

Além disso, a lei inclui diretrizes sobre a transparência dos algoritmos, exigindo que as empresas forneçam explicações claras sobre como os conteúdos são priorizados. "É fundamental que os usuários entendam como as plataformas funcionam", destacou Ana Moreira, diretora da CNPD.

Resposta do setor privado

O setor privado reagiu com cautela à nova lei. A Associação Portuguesa de Tecnologia (APT) reconheceu a importância da regulamentação, mas destacou a necessidade de equilibrar inovação e regulamentação. "A lei é um passo importante, mas precisamos de mais tempo para se adaptar", afirmou o presidente da APT, Miguel Silva.

Empresas como a Google e a Meta já iniciaram uma revisão de seus processos para se alinhar às novas regras. Em Lisboa, uma startup de inteligência artificial, a InnoTech, anunciou que investirá 2 milhões de euros em novas ferramentas de transparência para seus usuários.

O que vem por aí

A próxima fase da implementação da lei inclui a criação de um comitê independente para revisar os relatórios anuais das empresas. A comissão será composta por representantes de órgãos reguladores, especialistas em tecnologia e ativistas digitais. A data limite para o primeiro relatório é 31 de dezembro de 2024.

Além disso, o governo planeja lançar uma campanha educacional sobre o uso responsável da tecnologia. A iniciativa, que começará no próximo mês, será realizada em parceria com escolas e universidades em todo o país.

Impacto na sociedade

O impacto da nova lei será sentido principalmente entre os jovens, que são os maiores usuários de redes sociais. Estudos recentes mostram que 45% dos jovens entre 18 e 25 anos relatam dificuldade em desligar-se de suas telas. A nova regulamentação busca reduzir esse impacto através de mecanismos de autocontrole e notificações de uso.

A medida também inclui um sistema de recompensas para usuários que limitam seu tempo online. A iniciativa, que será testada em 10 cidades portuguesas, visa incentivar hábitos mais saudáveis de uso da tecnologia.

O próximo passo será a avaliação do impacto da nova lei após um ano de implementação. O governo prometeu publicar um relatório detalhado no início de 2025, com recomendações para possíveis ajustes.

S
Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.