O Crescimento do Mercado da Música entre 2021 e 2023: Uma Análise Global por Continentes

Nos últimos dois anos, o mercado mundial da música tem vindo a revelar tendências de crescimento distintas, impulsionadas por fatores tecnológicos, mudanças nos hábitos de consumo e estratégias de diversificação das plataformas de streaming. Desde 2021, data de referência para esta análise, observa-se um aumento significativo na receita global, refletindo a adaptação do setor às novas dinâmicas do mercado. Este artigo visa realizar uma análise detalhada do tamanho do mercado da música nas principais regiões globais — Américas, Europa, Ásia-Pacífico (APAC) e Rest of the World (RoW) — bem como avaliar o seu crescimento entre 2021 e 2023, utilizando dados de fontes especializadas e relatórios de mercado atualizados.

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Dimensão do Mercado Musical em 2021: Uma Visão Geral

Em 2021, o mercado mundial da música foi marcado por uma forte recuperação pós-pandemia, com uma receita global estimada em cerca de 26 mil milhões de dólares, segundo dados da IFPI (International Federation of the Phonographic Industry). Este valor representou um crescimento de aproximadamente 7,5% em relação ao ano anterior, impulsionado sobretudo pelo aumento do consumo de música digital e streaming.

O mercado foi dominado pelos serviços de streaming, que responderam por mais de 65% da receita total, numa tendência de consolidação do modelo digital. As plataformas principais permaneceram Spotify, Apple Music, Amazon Music e YouTube, com uma expansão de assinantes e uma diversificação de ofertas de conteúdo. Este cenário refletiu uma mudança definitiva na preferência do público, que passou a valorizar acessibilidade, conveniência e experiências personalizadas.

De acordo com a IFPI, as receitas por regiões em 2021 foram distribuídas aproximadamente da seguinte forma:

  • Américas: 45% da receita global, com destaque para os Estados Unidos e Brasil.
  • Europa: 35%, liderada pelo Reino Unido, Alemanha e França.
  • Ásia-Pacífico: 15%, com crescimento acelerado na China, Japão e Coreia do Sul.
  • Rest of the World (RoW): 5%, incluindo África, Médio Oriente e América Latina em crescimento.

Este panorama evidenciava uma forte concentração nas Américas, mas com sinais claros de crescimento na Ásia, impulsionado por mercados emergentes com potencial de expansão.

Dinâmicas de Crescimento por Continente: 2021 a 2023

Américas: Liderança e Inovação no Mercado Musical

Nos Estados Unidos, o maior mercado musical do mundo, o crescimento manteve-se firme, com uma taxa média anual de 8% até 2023. A inovação em plataformas de streaming, a implementação de inteligência artificial para recomendações personalizadas e o fortalecimento de segmentos como o podcasting contribuíram significativamente para este avanço.

No Brasil, embora o mercado continue a ser altamente influenciado por plataformas de streaming e rádios digitais, o crescimento foi um pouco mais modesto, cerca de 5% ao ano, refletindo desafios econômicos e de infraestrutura digital. Ainda assim, o consumo de música digital expandiu-se, impulsionado por uma crescente penetração de smartphones.

Europa: Consolidação e Diversificação

A Europa apresentou um crescimento mais moderado, estimado em cerca de 4% ao ano, até 2023. A forte presença de plataformas de streaming, combinada com iniciativas de valorização da música ao vivo e eventos culturais, contribuiu para estabilizar o mercado. Países como Reino Unido, Alemanha e França continuam a liderar, com uma forte aposta na integração de experiências de consumo em múltiplos dispositivos e contextos.

Além disso, a crescente valorização da música local e regional, assim como o investimento em conteúdo de nicho, permitiram uma maior diversificação de receitas, reforçando a resiliência do setor face às crises económicas.

Ásia-Pacífico: Crescimento Acelerado e Oportunidades Emergentes

O mercado na região Ásia-Pacífico destacou-se como o que mais cresceu entre 2021 e 2023, com uma taxa estimada de 12% ao ano. A China, liderando este movimento, registou uma expansão significativa devido à inovação tecnológica, ao aumento do acesso a dispositivos inteligentes e a estratégias de monetização digital com forte componente de redes sociais.

Japão e Coreia do Sul continuaram a consolidar o seu mercado de música digital, com forte aposta em plataformas de streaming localizadas e conteúdos exclusivos. A Índia também emergiu como um mercado de grande potencial, com crescimento estimado em torno de 10% ao ano, impulsionado pelo aumento da penetração de internet móvel e jovens consumidores ávidos por música acessível.

Rest of the World: Crescimento em Países Emergentes

Embora o mercado global nesta região seja relativamente pequeno, registou um crescimento de aproximadamente 6% ao ano, impulsionado por países africanos, Médio Oriente e América Latina. Países como Nigéria, México e Indonésia destacam-se pelo aumento do consumo digital de música, apoiado por plataformas de streaming acessíveis e pela popularidade de festivais e eventos culturais locais.

Estes mercados apresentam oportunidades de crescimento consideráveis, embora enfrentem desafios relacionados com infraestruturas digitais e poder de compra.

Fatores que Impulsionaram o Crescimento do Mercado Musical entre 2021 e 2023

  1. Digitalização e Streaming: A migração do consumo de música para plataformas digitais consolidou-se como o principal motor de crescimento, com o streaming a responder por mais de 70% da receita global.
  2. Inovação Tecnológica: A implementação de inteligência artificial, recomendações personalizadas e conteúdos exclusivos aumentaram o engagement dos utilizadores e a fidelização às plataformas.
  3. Expansão de Mercados Emergentes: Países com crescimento populacional jovem e penetração de internet móvel, como Índia, Nigéria e Indonésia, contribuíram de forma decisiva para o aumento da base de consumidores.
  4. Valorização de Conteúdos Locais e Niche: A diversificação de catálogos e a valorização de música regional e de nicho permitiram captar audiências específicas e aumentar receitas.
  5. Eventos Virtuais e Música ao Vivo Digitalizada: A realização de concertos e festivais em formato digital, muitas vezes gratuitos ou de baixo custo, ajudou a ampliar o alcance do setor.

Estes fatores, combinados, criaram um ciclo de crescimento sustentado que deve continuar a influenciar o mercado nos próximos anos.

Previsões para o Mercado Musical até 2025

Utilizando projeções de entidades como a IFPI, Deloitte e PwC, espera-se que o mercado global continue a crescer a uma taxa composta anual de cerca de 6%, atingindo aproximadamente 35 mil milhões de dólares até 2025. A maior parte deste crescimento deverá ser impulsionada pelo continente asiático e por mercados emergentes, enquanto as regiões mais maduras, como a Europa e as Américas, deverão consolidar as suas posições.

Espera-se também um aumento na diversificação de fontes de receita, incluindo vendas de música digital, assinaturas premium, publicidade, merchandising e eventos ao vivo integrados na experiência digital.

Adicionalmente, a inovação em tecnologia, como a realidade aumentada e virtual, poderá abrir novas oportunidades de interação e monetização, consolidando o papel da música como um setor cada vez mais digital e diversificado.

Desafios e Oportunidades para o Mercado em Crescimento

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios relevantes, incluindo a questão da remuneração justa para artistas e criadores, a proteção de direitos digitais e a sustentabilidade financeira de plataformas de streaming. Além disso, a necessidade de adaptação às rápidas mudanças tecnológicas exige investimentos contínuos e inovação constante.

Por outro lado, os avanços tecnológicos, o aumento do acesso à internet em mercados emergentes e a crescente valorização da cultura local oferecem oportunidades únicas de expansão e diversificação do mercado musical global.

O setor que melhor conseguir equilibrar inovação, sustentabilidade e inclusão será aquele que estará na vanguarda do crescimento até 2025 e além.

R
Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.