Pregabalina: Análise do Mercado, Tendências, Factores de Impulso, Capacidade de Produção e Perspectivas até 2028

Em 2022, a indústria farmacêutica internacional assistiu a uma crescente relevância da pregabalina, um medicamento utilizado sobretudo no tratamento de neuropatias, epilepsia e transtornos de ansiedade. Com uma presença consolidada em mercados desenvolvidos como os Estados Unidos, Europa e Ásia, a pregabalina tornou-se num componente fundamental do portfólio de medicamentos neurológicos. Este artigo visa analisar as tendências de mercado, os principais drivers de crescimento, a capacidade de produção atual e as previsões até 2028, utilizando dados de mercado, relatórios de indústria e projeções de especialistas, com o objetivo de oferecer uma visão aprofundada sobre o seu futuro na indústria farmacêutica.

Pregabalina Tendencias de Mercado Drivers Capacidade de Producao e Previsao 2028 — industria
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Contexto e Panorama Atual do Mercado de Pregabalina em 2022

A pregabalina, comercializada sob marcas como Lyrica, é um fármaco desenvolvido pela Pfizer, aprovado inicialmente em 2004. Desde então, a sua utilização expandiu-se significativamente, impulsionada pela sua eficácia no tratamento de condições neurológicas e por uma crescente prevalência de doenças crónicas associadas ao sistema nervoso. Em 2022, estima-se que o mercado global de pregabalina atingiu valores superiores a 4 mil milhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de aproximadamente 6,2% desde 2017. Este crescimento é sustentado por fatores como o envelhecimento populacional, maior diagnóstico de patologias neurológicas, e uma maior aceitação de terapias farmacológicas.

O mercado europeu, incluindo Portugal, representa cerca de 20% do mercado global, beneficiando de regulamentações rigorosas e de uma maior procura por tratamentos de doenças crónicas. Os Estados Unidos lideram com aproximadamente 45% do mercado mundial, seguidos por países asiáticos, onde o crescimento é impulsionado por uma expansão de sistemas de saúde e aumento de acesso a medicamentos.

Drivers de Crescimento do Mercado de Pregabalina

Aumento da Prevalência de Condições Neurológicas e Crónicas

Um dos principais fatores que impulsionam a procura por pregabalina é o aumento da prevalência de doenças neurológicas, como neuropatias diabéticas, fibromialgia, e transtornos de ansiedade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de diabetes e transtornos de ansiedade tem aumentado globalmente, criando uma procura constante por tratamentos eficazes. Para 2022, estima-se que cerca de 10% da população mundial sofre de neuropatias, elevando-se a 15% em países desenvolvidos.

Avanços na Reconhecida Eficácia e Segurança do Fármaco

Estudos clínicos recentes reforçam a eficácia da pregabalina na gestão de dores neuropáticas e na redução de crises epilépticas, contribuindo para uma maior aceitação por parte dos profissionais de saúde. Além disso, melhorias na formulação farmacêutica reduziram efeitos adversos, aumentando a conveniência de administração e adesão ao tratamento.

Expansão de Mercados Emergentes

Países como a Índia, Brasil e países do Sudeste Asiático registam um crescimento acelerado na utilização de pregabalina, impulsionado por uma maior acessibilidade a medicamentos e expansão de infraestruturas de saúde. Estes mercados representam atualmente cerca de 25% do mercado global, com potencial de crescimento de dois dígitos até 2028.

Inovação e Desenvolvimento de Novas Formulações

A indústria tem investido em versões de liberação prolongada, combinações com outros fármacos, e novas formas de administração que aumentam a eficácia e reduzem efeitos secundários. Estes avanços tecnológicos ampliam o leque de indicações terapêuticas e melhoram a experiência do paciente.

Capacidade de Produção e Factores que Influenciam o Supply Chain

Capacidade de Produção Atual

Em 2022, os principais fabricantes de pregabalina detinham uma capacidade de produção global estimada em cerca de 1500 toneladas anuais, distribuídas por múltiplas unidades em países como a Alemanha, Estados Unidos, China e Índia. Estes fabricantes investiram mais de 200 milhões de euros em modernização de instalações, garantindo a conformidade com as normas internacionais de boas práticas de fabricação (GMP).

Principais Players e Investimentos em Infraestruturas

  • Pfizer: lidera o mercado com uma capacidade de produção superior a 600 toneladas anuais.
  • Teva Pharmaceutical Industries: com uma capacidade de aproximadamente 400 toneladas anuais, focando em mercados emergentes.
  • Sun Pharmaceutical: expandiu recentemente a sua capacidade para 250 toneladas, incluindo novas instalações na Índia.
  • Novartis e outros fabricantes secundários também investiram em novas linhas de produção para atender à crescente procura.

Desafios na Cadeia de Suprimentos

Apesar do crescimento, a cadeia de abastecimento enfrenta desafios relacionados com a escassez de matérias-primas, aumento dos custos de produção, e regulações mais rígidas no que concerne a importação/exportação de ingredientes ativos. Além disso, a pandemia de COVID-19 revelou vulnerabilidades na logística global, levando a atrasos na entrega de componentes essenciais para a produção.

Perspetivas de Expansão de Capacidade até 2028

Prevê-se que a capacidade de produção de pregabalina aumente em cerca de 35% até 2028, com novas fábricas e linhas de produção a serem instaladas na Ásia e na Europa. Os investimentos estimados para este período ultrapassam os 300 milhões de euros, visando não só o aumento da capacidade, mas também a implementação de processos mais sustentáveis e eficientes.

Projeções de Mercado e Perspetivas até 2028

Previsões de Crescimento e Demanda

Com base nas tendências atuais e nos fatores que impulsionam o mercado, as previsões indicam que o mercado global de pregabalina atingirá valores superiores a 8 mil milhões de dólares até 2028, com uma CAGR de aproximadamente 7%. Este crescimento será sustentado pelo aumento da prevalência de doenças crónicas e por uma maior adoção de terapias farmacológicas nos mercados emergentes.

Impacto de Novas Indicações Terapêuticas

Estão em fase de investigação novas indicações para a pregabalina, incluindo o tratamento de transtornos psiquiátricos, dor oncológica, e fibromialgia resistente. A aprovação de novas indicações poderá potenciar um crescimento adicional na procura e na receita gerada pelo medicamento.

Regulamentação e Acesso ao Mercado

As alterações regulatórias em diferentes regiões podem influenciar o ritmo de entrada de novos produtos ao mercado, bem como o preço de venda. A União Europeia, por exemplo, tem vindo a reforçar as normas de avaliação de medicamentos genéricos e biossimilares, impactando potencialmente a competitividade da pregabalina genérica e o seu impacto no mercado global.

Inovação Tecnológica e Competitividade

O desenvolvimento de versões de liberação prolongada e combinações com outros fármacos é uma estratégia que poderá manter a competitividade do produto, mesmo com a entrada de novos concorrentes ou de medicamentos biossimilares. Assim, a inovação contínua será um fator crítico para consolidar a posição de mercado até 2028.

Considerações Finais e Implicações para os Stakeholders

O mercado de pregabalina encontra-se numa fase de expansão sustentada, impulsionada por fatores demográficos, avanços científicos e investimentos estratégicos. Para fabricantes, a capacidade de aumentar a produção sem comprometer a qualidade será fundamental para responder à crescente procura global. Para os reguladores e profissionais de saúde, a monitorização das novas indicações e das normas regulatórias será vital para garantir o acesso a tratamentos seguros e eficazes.

Por fim, os investidores e stakeholders devem estar atentos às tendências de inovação, às oportunidades nos mercados emergentes e à evolução do quadro regulatório, aspetos estes que definirão o sucesso e sustentabilidade do mercado de pregabalina até 2028.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.