Análise de Mercado: Papel e Papelão para Bandejas - Tendências, Estratégias e Previsões de 2021 a 2024

Desde o início do século XXI, o setor do papel e papelão destinado à produção de bandejas tem vindo a experimentar uma transformação significativa, impulsionada por mudanças nos padrões de consumo, avanços tecnológicos, preocupações ambientais e a crescente procura por soluções sustentáveis. Em 2021, este mercado global apresentou sinais de recuperação após o impacto da pandemia de COVID-19, com tendências que indicam uma evolução contínua até 2024. Este artigo analisa o panorama atual, estratégias adotadas pelas principais empresas, dinâmicas de mercado e previsões fundamentadas para os próximos anos, utilizando dados de mercado, relatórios de análise setorial e projeções económicas.

Papel e Papelao Bandejas Acoes de Mercado Estrategias e Previsoes em Todo o Mundo 2021 a 2024 — mercados
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Contexto e evolução do mercado de papel e papelão para bandejas (2021)

O mercado mundial de papel e papelão para bandejas em 2021 registou uma recuperação moderada, após um período de forte impacto devido à pandemia. A pandemia interrompeu cadeias de abastecimento, alterou padrões de consumo e impulsionou a procura por embalagens de uso único, sobretudo no setor de alimentos e bebidas. Segundo dados da Smithers Pira, o volume global de produção de embalagens de papel e cartão cresceu cerca de 3,5% em relação a 2020, atingindo aproximadamente 125 milhões de toneladas.

Este crescimento foi favorecido por fatores como:

  • O aumento do comércio eletrónico, que requer embalagens sustentáveis e de fácil reciclagem;
  • As novas regulamentações ambientais que incentivam o uso de materiais biodegradáveis;
  • A crescente preferência do consumidor por produtos ecológicos.

Por outro lado, o setor enfrentou desafios como o aumento dos custos de matérias-primas, sobretudo celulose e papel reciclado, e a escassez de recursos em determinadas regiões do mundo.

Principais players e estratégias de mercado (2021-2024)

As principais empresas de papel e papelão para bandejas, como a International Paper, Smurfit Kappa, Mondi Group e DS Smith, têm implementado estratégias focadas na inovação, sustentabilidade e expansão geográfica. Destacam-se as seguintes ações:

  1. Investimento em inovação tecnológica: desenvolvimento de novas linhas de produção com maior eficiência energética, redução de resíduos e melhoria da qualidade do produto final.
  2. Foco na sustentabilidade: aumento do uso de materiais reciclados, certificação de origem responsável e implementação de processos de economia circular.
  3. Expansão de capacidade de produção: abertura de novas fábricas e modernização de instalações existentes para atender à crescente procura global.
  4. Diversificação de portfólio: incorporação de soluções multifuncionais, como bandejas com propriedades isolantes ou antiaderentes, para diferentes setores industriais.

Estas estratégias têm mostrado resultados positivos, com empresas a reportar um crescimento médio anual de 4% na sua faturação, impulsionado sobretudo pela procura de soluções sustentáveis e pela expansão em mercados emergentes, como Ásia e América Latina.

Dinâmicas de mercado e fatores de crescimento até 2024

O crescimento do mercado de papel e papelão para bandejas entre 2021 e 2024 será influenciado por múltiplos fatores, incluindo:

  • Reforço da procura por embalagens sustentáveis: a legislação ambiental continuará a restringir o uso de materiais não recicláveis, impulsionando a adoção de papel e cartão.
  • Crescimento do comércio eletrónico: a expansão do setor online aumenta a necessidade de embalagens leves, resistentes e de fácil reciclagem.
  • Inovação em materiais e design: a introdução de novos compostos à base de papel, com propriedades específicas, permitirá atender a nichos de mercado mais exigentes.
  • Pressões de custos e recursos: a escassez de matérias-primas e o aumento dos preços podem limitar o crescimento, obrigando as empresas a otimizar processos ou a procurar fornecedores alternativos.

Segundo o relatório da MarketsandMarkets, estima-se que o mercado global de embalagens de papel e cartão atingirá cerca de 150 milhões de toneladas até 2024, crescendo a uma taxa composta anual de 4,2%. Este crescimento será especialmente acentuado na Ásia-Pacífico, que deverá representar aproximadamente 40% do mercado total, devido à rápida industrialização e urbanização nesta região.

Previsões e perspetivas para o setor até 2024

Com base nas tendências atuais, análises de mercado e estratégias das empresas, prevê-se que o setor de papel e papelão para bandejas continuará a evoluir positivamente até 2024, com alguns pontos-chave a destacar:

  • Continuação do crescimento sustentável: a procura por produtos ecológicos deverá manter-se, impulsionando a inovação em materiais e processos.
  • Automatização e digitalização: a adoção de tecnologias digitais na produção e gestão da cadeia de abastecimento permitirá maior eficiência e redução de custos.
  • Expansão geográfica: mercados emergentes, sobretudo na Ásia, África e América Latina, serão alvos de estratégias de crescimento agressivas por parte das multinacionais.
  • Resiliência e adaptação às crises: as empresas que investirem em flexibilidade e diversificação terão maior capacidade de resistir a possíveis choques económicos futuros.

Em termos financeiros, prevê-se que o lucro operacional das principais empresas do setor aumente cerca de 6% ao ano, refletindo melhorias de eficiência e maior valor agregado dos produtos. No entanto, o aumento dos custos de matérias-primas e energia poderá exercer alguma pressão nos resultados, obrigando a ajustes estratégicos contínuos.

Impacto ambiental e tendências de sustentabilidade

A sustentabilidade é, atualmente, um dos principais motores de inovação no setor de papel e papelão. Em 2021, a maioria das empresas fez avanços na certificação de origem responsável, utilizou maior percentagem de papel reciclado e investiu em processos de economia circular. Para 2024, espera-se que:

  • Mais de 70% do papel utilizado seja proveniente de fontes sustentáveis certificados por entidades reconhecidas;
  • As empresas reduzam drasticamente a pegada de carbono associada à produção, adotando energias renováveis e tecnologias de baixo impacto;
  • Novas soluções de embalagens biodegradáveis e compostáveis dominem o mercado, substituindo materiais convencionais.

Este movimento não só responde às exigências regulatórias, como também reforça a reputação das marcas junto do consumidor final, cada vez mais consciente e exigente em relação à origem e impacto ambiental dos produtos que consome.

Conclusão: Perspetivas de crescimento e desafios futuros

O mercado de papel e papelão para bandejas apresenta uma trajetória de crescimento sustentado, impulsionado por fatores económicos, tecnológicos e ambientais. A partir de 2021 e até 2024, as empresas do setor terão de realizar investimentos estratégicos em inovação, sustentabilidade e expansão geográfica para manter a competitividade num mercado cada vez mais exigente e regulamentado.

No entanto, desafios como o aumento dos custos de matérias-primas, a escassez de recursos e a necessidade de adaptação às novas leis ambientais podem limitar o ritmo de crescimento, obrigando as empresas a adotarem modelos de negócio mais resilientes e eficientes.

De uma forma geral, o setor de papel e papelão para bandejas apresenta um potencial de expansão significativo, apoiado na procura global por soluções sustentáveis, no crescimento do comércio eletrónico e na inovação contínua em materiais e processos. O sucesso das empresas neste contexto dependerá da sua capacidade de antecipar tendências, inovar e responder às exigências de um mercado em rápida evolução.

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Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.