A Nigéria gastou mais de 32,8 trilhões de nairas (cerca de 80 bilhões de dólares) em defesa nos últimos 15 anos, segundo relatório do jornal Vanguard News. O valor, que representa mais de 10% do orçamento nacional durante esse período, foi destinado a combater grupos insurgentes e ataques de bandos armados, mas a insegurança persiste, levantando questionamentos sobre a eficácia dos gastos.

Os Dados do Gasto em Defesa

O relatório da Vanguard News revela que o orçamento para segurança foi aumentando anualmente, com picos durante crises como a guerra contra Boko Haram (2009-2017) e conflitos no norte do país. Entre 2008 e 2023, o governo alocou 32,8 trilhões de nairas para forças armadas, inteligência e programas de repressão a crimes. Apesar disso, a insegurança, definida como ameaças à vida e propriedade por grupos ilegais, continua a afetar milhões de cidadãos.

Segundo o Banco Mundial, a Nigéria tem uma das taxas de criminalidade mais altas da África, com ataques a vilas, sequestros e violência intercomunitária. O governo argumenta que os gastos são necessários para manter a estabilidade, mas críticos apontam falhas na gestão e corrupção.

O Que é Insecurity no Contexto Nigério

Insecurity, termo usado para descrever a falta de segurança, na Nigéria inclui ameaças como ataques de Boko Haram, que mataram mais de 30 mil pessoas desde 2009, e conflitos entre pastores e agricultores no centro do país. Além disso, grupos de banditismo roubam estradas e sequestram civis, especialmente em regiões rurais. A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a Nigéria como um dos países com maior vulnerabilidade a crises humanitárias.

O conceito de insegurança no país também está ligado a desigualdades econômicas e falta de oportunidades. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica da Nigéria (INEC), mais de 40% da população vive com menos de 2 dólares por dia, fator que alimenta a criminalidade.

Criticas ao Gasto em Defesa

Ospesquisadores e ativistas questionam por que, apesar dos investimentos, a insegurança não diminui. Um estudo da Universidade de Ibadan aponta que 30% dos recursos destinados à segurança são perdidos por corrupção ou má gestão. "O dinheiro vai para equipamentos, mas não para a comunidade", afirma o especialista em segurança Adebayo Adeyemi.

O governo nega a existência de falhas e afirma que as forças armadas estão "empenhadas em proteger o povo". No entanto, relatórios da ONU indicam que milhares de civis foram mortos em operações militares, gerando desconfiança entre a população.

Impacto na Sociedade e Economia

A insegurança afeta a economia ao reduzir investimentos estrangeiros e prejudicar a agricultura, setor que emprega 70% da força de trabalho. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a instabilidade custou ao país 5% do PIB anualmente nos últimos anos. Além disso, milhares de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, criando uma crise de refugiados.

Apesar disso, o governo não tem planejamento para reduzir a dependência de gastos militares. "A segurança não é apenas sobre armas, mas sobre justiça social", diz a ativista Ngozi Okonkwo. A sociedade civil pede mais transparência e investimento em educação e emprego para combater as causas da insegurança.

O Que Mudará no Futuro?

Analistas acreditam que a situação só melhorará com uma abordagem holística. O governo anunciou um plano de 10 anos para reestruturar o setor de segurança, incluindo parcerias internacionais e reforço de instituições locais. No entanto, a implementação será desafiadora, especialmente com a instabilidade política e a pressão por resultados rápidos.

Para os cidadãos, a insegurança continua a ser uma realidade. Como o jornalista Chika Nwobi escreveu: "Enquanto o país gasta bilhões, a vida de muitos é destruída." O desafio é transformar os recursos em soluções duradouras, não apenas em armas.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.