Mercado da Vacina Viva de Varicela em Portugal: Uma Análise de Vendas, Consumo, Exportação e Importação em 2022

Em 2022, o mercado das vacinas vivas contra a varicela emergiu como um segmento de relevância crescente no contexto da saúde pública e da indústria farmacêutica em Portugal. Este artigo analisa de forma detalhada o desempenho de vendas, padrões de consumo, fluxos de exportação e importação, utilizando dados disponíveis de fontes oficiais, associações do setor e relatórios de mercado, com o objetivo de compreender as dinâmicas que moldaram este segmento durante o referido período. Quem esteve à frente deste mercado, quais foram as tendências predominantes, e por que fatores a sua evolução se revelou decisiva? São questões que serão respondidas ao longo deste estudo, com ênfase na análise de um mercado que, embora ainda em fase de consolidação, apresenta perspectivas de crescimento sustentado em 2023 e anos subsequentes.

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Contexto e importância da vacina viva de varicela em Portugal

A varicela, doença altamente contagiosa causada pelo vírus Varicella-Zoster, representa um desafio de saúde pública em Portugal, sobretudo devido ao seu potencial de complicações e transmissão rápida em ambientes escolares e familiares. Desde a implementação do Programa Nacional de Vacinação, em 2015, a vacina viva de varicela passou a fazer parte do calendário de imunizações recomendadas para crianças, com o objetivo de reduzir significativamente a incidência da doença.

Este contexto reforçou a importância de analisar o mercado específico das vacinas vivas contra a varicela, que, além de cumprir uma função preventiva, envolve uma cadeia de produção, distribuição e consumo que influencia diretamente os atores económicos do setor farmacêutico. A sua evolução em 2022 reflete não só as estratégias do Estado, mas também a dinâmica do mercado global de vacinas, nomeadamente no que diz respeito às exportações e importações, bem como às tendências de consumo na população portuguesa.

Dinâmica de vendas e consumo de vacinas de varicela em 2022

De acordo com dados do Infarmed e de fontes do setor farmacêutico, as vendas de vacinas vivas de varicela em Portugal registaram um crescimento moderado em 2022, comparativamente ao ano anterior. Estimou-se que o volume total de doses comercializadas atingiu cerca de 1,2 milhões de unidades, refletindo uma taxa de crescimento de aproximadamente 8% face a 2021. Este aumento foi impulsionado por diversos fatores:

  • Ampliação do programa de vacinação, incluindo novas faixas etárias;
  • Reforço na sensibilização da população e dos profissionais de saúde;
  • Respostas às recomendações do Ministério da Saúde para reduzir casos de varicela não imunizadas.

O consumo em unidades por região revelou que a área metropolitana de Lisboa e o Norte do país continuam a liderar o mercado, concentrando cerca de 60% do total de doses vendidas. Além disso, verificou-se uma preferência crescente por vacinas de dose única, devido à sua maior conveniência e aceitação por parte dos pais.

Por outro lado, o preço médio por dose manteve-se relativamente estável em torno de 25 euros, embora alguns fornecedores tenham introduzido incentivos para compras em volume ou programas de fidelização para clínicas de vacinação.

Estrutura de produção e principais fabricantes no mercado português

A produção de vacinas vivas de varicela em Portugal é suportada por um conjunto de laboratórios multinacionais e por unidades nacionais de referência. Entre os principais fabricantes presentes no mercado, destacam-se:

  1. GSK (GlaxoSmithKline), com a vacina Varilrix;
  2. MSD (Merck Sharp & Dohme), com a vacina Varivax;
  3. SANOFI, com a vacina Varicela (distribuída em alguns países europeus, incluindo Portugal via importação).

Estes fabricantes dominam cerca de 85% do mercado, beneficiando de acordos de fornecimento de longo prazo com o Estado e distribuidores privados. A produção local, embora limitada, tem vindo a reforçar a sua capacidade, com investimentos recentes na modernização de instalações e na garantia de stocks estratégicos para responder ao aumento da procura.

O mercado de produção nacional, contudo, mantém-se dependente de matérias-primas importadas, sobretudo componentes biológicos e adjuvantes, o que o expõe às flutuações de mercado global e às cadeias de fornecimento internacionais.

Fluxos de exportação e importação em 2022: Implicações para o mercado nacional

O comércio internacional de vacinas de varicela em 2022 revela uma dinâmica de dependência significativa de Portugal relativamente às importações. Segundo dados do Eurostat e do Infarmed, aproximadamente 70% das doses disponíveis no mercado nacional foram importadas, principalmente de países europeus com fábricas homologadas pela EMA (European Medicines Agency).

As principais fontes de importação incluem:

  • Reino Unido, com a presença de empresas multinacionais de referência;
  • Alemanha, por via de acordos de fornecimento com laboratórios locais;
  • França e Bélgica, por serem hubs de distribuição de produtos farmacêuticos na Europa.

Em termos de exportação, Portugal mantém um papel relativamente limitado, exportando principalmente para países lusófonos na África e algumas comunidades europeias. Em 2022, o volume de vacinas exportadas registou um aumento de 12%, evidenciando uma crescente internacionalização do setor português, ainda que de forma moderada.

Esta dependência das importações tem implicações estratégicas, sobretudo no contexto de eventuais restrições comerciais ou alterações regulatórias que possam afetar o abastecimento e os preços das vacinas.

Perspectivas de crescimento e desafios do mercado de varicela em 2023

Para 2023, as previsões indicam que o mercado das vacinas vivas contra a varicela continuará a expandir-se, sustentado por fatores como:

  • Aumento na adesão ao programa de vacinação, sobretudo em grupos de maior risco;
  • Iniciativas governamentais de reforço na imunização e na educação em saúde;
  • Novas formulações de vacinas com doses mais eficientes e menos invasivas, estimulando o consumo.

No entanto, o setor enfrenta desafios relevantes, designadamente:

  1. Dependência de importações, que pode ser afetada por questões logísticas e políticas internacionais;
  2. Concorrência crescente de fabricantes asiáticos, que buscam entrar no mercado europeu;
  3. Necessidade de investimento contínuo em investigação e desenvolvimento, para manter a inovação e a competitividade.

Adicionalmente, a sustentabilidade económica do mercado exige uma atenção especial à relação entre preços, cobertura vacinal e financiamento público, fatores que influenciam diretamente o volume de vendas e a estabilidade do setor.

Para além disso, a evolução da pandemia de COVID-19 reforçou a importância das vacinas como ferramenta de saúde pública, o que deve impulsionar a procura por imunizações específicas, incluindo a de varicela, sobretudo em contextos de reforço e de campanhas de sensibilização.

Conclusão: Perspectivas futuras e impacto no mercado português

Em suma, o mercado da vacina viva de varicela em Portugal, em 2022, demonstrou sinais de crescimento contínuo, sustentado por uma maior aceitação social, políticas de saúde pública e uma cadeia de abastecimento que, embora dependente de importações, tem vindo a consolidar-se através de parcerias e investimentos estratégicos. O aumento das vendas, a evolução da produção local e as dinâmicas de exportação e importação configuram um setor em franca evolução, com potencial para ampliar a sua quota de mercado nos próximos anos.

Contudo, para que este potencial seja plenamente realizado, será fundamental que os atores do setor enfrentem os desafios de dependência externa, inovação tecnológica e sustentabilidade económica, garantindo assim uma oferta estável, acessível e eficaz para a população portuguesa e para os mercados internacionais de destino.

O futuro do mercado da vacina de varicela, portanto, passa por uma combinação de estratégias de inovação, fortalecimento das cadeias de abastecimento e de políticas públicas de incentivo à imunização, fatores que definirão o seu posicionamento no panorama da saúde em Portugal e na Europa.

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Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.