Mercado de Suturas Cirúrgicas Absorvíveis em Portugal: Análise de Vendas, Consumo, Exportação e Importação em 2022

No contexto da saúde e tecnologia médica, o mercado de suturas cirúrgicas absorvíveis tem vindo a consolidar-se como uma área de elevada importância, tanto para fabricantes como para profissionais de saúde. Em 2022, Portugal assistiu a uma evolução significativa neste setor, impulsionada por fatores como o envelhecimento populacional, avanços tecnológicos e a crescente procura por procedimentos cirúrgicos menos invasivos. Este artigo realiza uma análise aprofundada do mercado de suturas cirúrgicas absorvíveis, abordando as suas principais tendências de vendas, consumo interno, exportações, importações e a sua evolução em relação a 2021, com o objetivo de fornecer uma visão clara do panorama atual e das perspetivas futuras.

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Contexto do Mercado de Suturas Cirúrgicas Absorvíveis em Portugal

As suturas cirúrgicas absorvíveis representam um segmento essencial no universo dos dispositivos médicos, dada a sua utilização em diversas especialidades cirúrgicas, incluindo cirurgia geral, ortopedia, ginecologia e odontologia. Portugal, enquanto país com uma população que envelhece e um sistema de saúde que aposta na inovação, tem vindo a crescer na adoção destas soluções. Em 2022, o mercado foi marcado por um aumento no volume de vendas, refletindo uma maior procura por procedimentos minimamente invasivos e uma maior consciencialização por parte dos profissionais de saúde acerca das vantagens destas suturas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e de associações do setor, o volume de cirurgias realizadas em Portugal aumentou em 4,5% face ao ano anterior, contribuindo para uma maior demanda por dispositivos de sutura de alta qualidade e absorvíveis. Além disso, a pandemia de COVID-19 acelerou a adoção de soluções que permitam uma recuperação mais rápida e menos invasiva, influenciando positivamente o mercado de suturas cirúrgicas absorvíveis.

Análise das Vendas e Consumo Interno em 2022

Os dados de vendas de suturas cirúrgicas absorvíveis em Portugal revelam um crescimento de aproximadamente 12% em relação ao ano de 2021, atingindo um volume total de cerca de 1,8 milhões de unidades comercializadas. Este aumento reflete a tendência de incremento na utilização de suturas de absorção rápida, com maior foco na qualidade e na biocompatibilidade dos materiais utilizados.

O consumo interno, avaliado com base na quantidade de suturas utilizadas em procedimentos cirúrgicos realizados no país, também registou uma subida de 10% em 2022, consolidando-se como uma tendência de crescimento sustentado nos últimos anos. Este fenómeno é atribuído a fatores como:

  • Expansão do número de cirurgias eletivas e de rotina;
  • Investimento em formação de profissionais de saúde para técnicas minimamente invasivas;
  • Incorporação de dispositivos de sutura inovadores e de maior eficiência.

De acordo com fontes do setor, as suturas absorvíveis de origem sintética, especialmente as feitas de poliglactina e poliglecaprona, continuam a liderar o mercado, representando cerca de 65% do total de vendas internas.

Exportações de Suturas Cirúrgicas Absorvíveis: Panorama e Desafios

Portugal tem vindo a reforçar a sua posição como exportador de dispositivos médicos, incluindo suturas cirúrgicas absorvíveis. Em 2022, as exportações neste segmento alcançaram uma cifra próxima de 6 milhões de euros, representando um crescimento de 8% face a 2021. Este incremento deve-se a vários fatores, incluindo a reputação de produtos de alta qualidade e a aposta em inovação tecnológica por parte das empresas nacionais.

Os principais destinos das exportações portuguesas incluem países da União Europeia, nomeadamente Espanha, França, Itália e Alemanha, assim como mercados fora do espaço comunitário, como os Estados Unidos e países da África do Norte. A forte presença na UE deve-se à harmonização regulatória e à facilidade de acesso ao mercado, enquanto a expansão para mercados externos reflete a competitividade dos produtos portugueses.

Contudo, o setor enfrenta desafios como:

  1. Concorrência de fabricantes asiáticos de baixo custo;
  2. Barreiras tarifárias e não tarifárias em mercados emergentes;
  3. Necessidade de certificações adicionais para acesso a certos países.

Apesar destes obstáculos, o potencial de crescimento das exportações permanece elevado, impulsionado por uma crescente procura global por soluções cirúrgicas seguras e eficazes.

Importações e Dependência de Produtos Estrangeiros

Embora Portugal seja um mercado que tem vindo a fortalecer a sua indústria de dispositivos médicos, a dependência de importações de suturas cirúrgicas absorvíveis mantém-se elevada. Em 2022, as importações registaram um aumento de 5% em relação a 2021, totalizando aproximadamente 2,2 milhões de unidades adquiridas no estrangeiro.

Este cenário deve-se à variedade de produtos disponíveis no mercado internacional, às diferenças de preço e às necessidades específicas dos profissionais de saúde portugueses. Os principais fornecedores incluem países como a China, Índia, Alemanha e França.

O elevado volume de importações levanta questões quanto à autonomia da indústria nacional, que ainda enfrenta dificuldades em competir com os preços e a diversidade de produtos oferecidos pelos grandes fabricantes internacionais. Contudo, há sinais de que o setor português tem vindo a apostar na inovação e na certificação de produtos próprios, com o objetivo de reduzir a dependência de importações e aumentar a produção local.

Perspetivas Futuras e Tendências para 2023 e Além

O mercado de suturas cirúrgicas absorvíveis em Portugal apresenta um cenário de crescimento contínuo, impulsionado por fatores demográficos, tecnológicos e económicos. Para 2023, prevê-se que as vendas continuem a subir, com uma estimativa de crescimento de cerca de 10%, sustentada por:

  • Inovação tecnológica, nomeadamente o desenvolvimento de suturas biodegradáveis com maior biocompatibilidade e resistência;
  • Maior adoção de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas;
  • Investimento em formação de profissionais e em equipamentos de última geração;
  • Expansão das exportações para mercados emergentes.

Além disso, a crescente consciencialização acerca da sustentabilidade na indústria de dispositivos médicos poderá levar ao desenvolvimento de suturas com menor impacto ambiental, fator que ganhará relevo nas estratégias empresariais.

Por outro lado, o setor terá de continuar a enfrentar desafios relacionados com a concorrência internacional, a regulamentação e a necessidade de inovação constante. A aposta na certificação de produtos de fabricação nacional e na certificação de qualidade será fundamental para fortalecer a presença no mercado interno e externo.

Conclusão: Desafios e Oportunidades no Mercado de Suturas Cirúrgicas Absorvíveis

O mercado de suturas cirúrgicas absorvíveis em Portugal demonstrou, em 2022, sinais claros de crescimento e maturidade, refletindo a sua importância no contexto da saúde moderna. As vendas internas continuam a subir, impulsionadas por uma maior procura e inovação tecnológica, enquanto as exportações reforçam a posição do país no setor europeu e global.

No entanto, o setor enfrenta desafios relevantes, nomeadamente a forte concorrência internacional e a dependência de importações. Para superar estas questões, será fundamental apostar na inovação, na certificação de produtos próprios e na expansão de mercados externos. Assim, Portugal poderá consolidar-se como um ator de referência na produção e comercialização de suturas cirúrgicas absorvíveis, contribuindo para a modernização do sistema de saúde e para a competitividade da indústria nacional.

O futuro próximo reserva oportunidades de crescimento sustentado, especialmente ao integrar soluções sustentáveis e tecnológicas que atendam às exigências de um mercado cada vez mais exigente e globalizado.

R
Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.