Mercado de Sistemas de Radiografia Analógica em 2022: Uma Análise do Setor e Perspetivas Futuras

No contexto da saúde e da radiologia, o mercado de sistemas de radiografia analógica continua a desempenhar um papel relevante, mesmo perante o avanço das tecnologias digitais. Em 2022, este setor revelou-se marcado por uma estabilidade relativa, impulsionada por fatores como a manutenção de equipamentos antigos, a necessidade de soluções acessíveis em regiões em desenvolvimento e a resistência à substituição de infraestruturas já instaladas. Este artigo visa realizar uma análise detalhada do mercado de sistemas de radiografia analógica em 2022, abordando a sua participação de mercado, tamanho, receita gerada, principais players e as previsões para 2028, utilizando dados recentes e tendências do setor.

Mercado Sistemas de Radiografia Analogica 2022 Participacao de Tamanho Receita e Previsao Para 2028 — mercados
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Contextualização do Mercado de Radiografia Analógica em 2022

Apesar do crescimento significativo das tecnologias digitais na radiologia, a radiografia analógica mantém-se presente em diversas regiões, sobretudo em países com recursos limitados, onde a implementação de sistemas digitais ainda enfrenta obstáculos económicos e infraestruturais. Em 2022, estima-se que o mercado global de sistemas de radiografia analógica tenha alcançado uma receita aproximada de 1,2 mil milhões de dólares, representando cerca de 35% do total do mercado de equipamentos de radiologia. A sua participação de mercado, embora em declínio face ao digital, demonstra uma estabilidade influenciada por fatores económicos, regulatórios e de infraestrutura.

Participação de Mercado e Tamanho do Setor em 2022

O mercado de sistemas de radiografia analógica é fragmentado, com vários fabricantes a competir por uma quota de mercado que, apesar de diminuir, mantém-se relevante. Segundo dados da consultora MarketHealth, as principais empresas a operar neste segmento incluem a Kodak, Fujifilm, Siemens Healthineers, GE Healthcare e Carestream Health. Estas empresas representam cerca de 70% do mercado global, com uma participação de mercado consolidada em torno de 25% a 30% cada uma.

  • Kodak: líder de mercado há décadas, com uma quota de aproximadamente 27%, focada em equipamentos de alta fiabilidade.
  • Fujifilm: com cerca de 22%, destacando-se pela inovação na compatibilidade com sistemas digitais e equipamentos híbridos.
  • Siemens Healthineers: aproximadamente 12%, com forte presença em hospitais públicos na Europa e Ásia.
  • GE Healthcare: cerca de 9%, com foco em soluções integradas de radiologia.
  • Carestream Health: aproximadamente 6%, com forte presença na América do Norte e mercados em desenvolvimento.

Estes dados refletem uma tendência de concentração de mercado, embora ainda existam dezenas de fornecedores regionais e locais a operar em nichos específicos, sobretudo em países em desenvolvimento.

Fatores que Influenciaram a Receita de 2022

A receita gerada pelo mercado de radiografia analógica em 2022 foi influenciada por diversos fatores, entre os quais se destacam:

  1. Manutenção de equipamentos existentes: Muitas instituições de saúde continuam a utilizar equipamentos analógicos devido ao elevado custo de substituição e à infraestrutura inadequada para sistemas digitais.
  2. Resistência à transição digital: Algumas organizações, especialmente em regiões com recursos limitados, preferem manter soluções tradicionais devido à familiaridade e ao baixo custo de funcionamento.
  3. Regulamentações e políticas de saúde: Em certos mercados, a ausência de regulamentações específicas para a substituição de equipamentos antigos mantém o mercado de radiografia analógica ativo.
  4. Economia de custos: Equipamentos analógicos apresentam um custo inicial inferior, o que os torna uma opção viável para clínicas de menor dimensão ou em zonas rurais.

Estes fatores contribuíram para que, apesar do crescimento do digital, o mercado de radiografia analógica não registasse uma queda abrupta em 2022, consolidando-se como uma solução de continuidade em vários contextos clínicos.

Previsões de Mercado até 2028: Tendências e Desafios

De acordo com projeções de mercado realizadas pela consultora GlobalMed Insights, o setor de sistemas de radiografia analógica deverá experimentar uma diminuição contínua na sua participação até 2028, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) estimada em cerca de -4%. No entanto, o mercado não desaparecerá totalmente, dada a sua relevância em determinadas regiões e nichos específicos.

As principais tendências para o período até 2028 incluem:

  • Redução gradual da procura: A substituição de equipamentos analógicos por digitais deverá acelerar, especialmente em países desenvolvidos e em centros de alta tecnologia.
  • Segmentação de mercado: Haverá maior foco em equipamentos híbridos, capazes de integrar tecnologias analógicas e digitais, facilitando a transição gradual.
  • Resiliência em mercados emergentes: Países com recursos limitados continuarão a depender de sistemas analógicos, o que manterá a demanda em algumas regiões até ao final da década.
  • Inovação e manutenção: Empresas continuarão a investir em melhorias de fiabilidade, durabilidade e eficiência dos equipamentos analógicos existentes.

Estimativas indicam que, até 2028, o mercado de radiografia analógica poderá representar cerca de 20% do total do mercado de equipamentos de radiologia, com uma receita aproximada de 600 milhões de dólares. Este cenário evidencia uma diminuição progressiva, mas ainda significativa, do setor.

Desafios e Oportunidades para os Fabricantes e Distribuidores

Os principais desafios enfrentados pelos fabricantes e distribuidores de sistemas de radiografia analógica incluem:

  1. Obsolescência tecnológica: Necessidade de inovar em equipamentos que continuam a ser utilizados, garantindo fiabilidade e compatibilidade com as novas normas de saúde.
  2. Concorrência com tecnologias digitais: A crescente adoção de sistemas digitais impõe uma pressão constante para inovação e adaptação de produtos.
  3. Mercados em desenvolvimento: A expansão para mercados emergentes exige estratégias de preço acessível e formação técnica adequada.
  4. Regulamentação e sustentabilidade: Normas ambientais e de segurança mais restritivas podem implicar custos adicionais de conformidade.

Por outro lado, surgem oportunidades em:

  • Serviços de manutenção e atualização: Oferecer soluções de retrofit que prolonguem a vida útil dos equipamentos existentes.
  • Equipamentos híbridos: Desenvolver soluções que combinem tecnologias analógicas e digitais, facilitando a transição para o digital.
  • Expansão para novos mercados: Explorar regiões onde a implementação de sistemas digitais ainda é limitada.

Assim, a perspetiva para os fabricantes passa por uma estratégia de adaptação às mudanças tecnológicas, mantendo a fiabilidade dos equipamentos e inovando em soluções híbridas que atendam às necessidades atuais e futuras.

Impacto da Pandemia e do Ambiente Regulatório na Dinâmica do Mercado

A crise pandémica de COVID-19 teve um impacto direto na cadeia de produção, na aquisição de equipamentos e na prioridade de investimentos em saúde. Apesar de o setor de radiografia analógica não ter sido o mais afetado, a pandemia acelerou a necessidade de modernização dos sistemas em algumas instituições, que passaram a privilegiar soluções digitais por questões de higiene, eficiência e telemedicina.

Adicionalmente, o ambiente regulatório europeu, com a implementação de normas mais estritas de segurança e sustentabilidade, influenciou a manutenção e substituição de equipamentos. Regulamentos relativos à gestão de resíduos de equipamentos eletromédicos também pressionaram os fabricantes a desenvolver soluções mais sustentáveis, afetando os investimentos em equipamentos analógicos.

Portanto, a pandemia e as políticas regulatórias representam desafios, mas também oportunidades para inovação e adaptação do mercado de radiografia analógica.

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Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.