Mercado de Procedimentos Cirúrgicos Ambulatoriais em Portugal em 2022: Análise de Participação, Tamanho e Perspectivas de Crescimento até 2028

No contexto da transformação dos sistemas de saúde em Portugal, o mercado de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais (PCA) assumiu um papel central na reorganização da prestação de cuidados médicos. Em 2022, este segmento evidenciou uma evolução significativa, impulsionado por fatores como a digitalização, a redução dos custos, a necessidade de otimização dos recursos hospitalares e as mudanças na perceção dos pacientes face às intervenções em regime ambulatorial. Este artigo visa analisar em detalhe o mercado de PCA em Portugal, explorando o seu tamanho, a sua participação relativa no setor da saúde, os principais fatores que determinaram o seu desenvolvimento em 2022 e as previsões de crescimento até 2028, utilizando dados de mercado, tendências globais e específicas do contexto português.

Mercado Procedimentos Cirurgicos Ambulatoriais 2022 Participacao de Tamanho Receita e Previsao Para 2028 — mercados
mercados · Mercado Procedimentos Cirurgicos Ambulatoriais 2022 Participacao de Tamanho Receita e Previsao Para 2028

Contexto e evolução do mercado de Procedimentos Cirúrgicos Ambulatoriais em Portugal

Nos últimos anos, Portugal tem vindo a consolidar uma estratégia de reforço da eficiência nos cuidados de saúde, com particular ênfase na implementação de procedimentos ambulatoriais. Este paradigma tem sido promovido por intervenções governamentais, a modernização das infraestruturas hospitalares e o avanço tecnológico nos equipamentos médicos. Segundo dados do Ministério da Saúde, os procedimentos ambulatoriais representaram aproximadamente 45% de todas as cirurgias realizadas em 2022, uma evolução notável face aos 30% registados em 2010. Esta mudança reflete uma maior preferência por intervenções menos invasivas, com menor impacto na vida dos doentes e uma recuperação mais rápida, além de uma estratégia de redução do tempo de internamento hospitalar e otimização dos recursos públicos.

O crescimento do mercado de PCA em Portugal não é exclusivo do setor público: também o setor privado tem investido significativamente nesta área, com clínicas especializadas e centros de cirurgia ambulatorial a expandir as suas operações. A crescente procura por soluções de baixa complexidade, combinada com a necessidade de aliviar a pressão dos hospitais públicos, tem impulsionado este processo de descentralização e diversificação dos locais de intervenção.

Participação de mercado e segmentos principais em 2022

Em 2022, o mercado de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais em Portugal atingiu um volume de aproximadamente 1,2 milhões de intervenções realizadas. Destes, cerca de 70% foram efetuados em centros especializados privados, enquanto os restantes 30% ocorreram em hospitais públicos. Esta distribuição reflete uma tendência de crescente preferência por alternativas privadas, motivada pela rapidez de agendamento, menor tempo de espera e maior comodidade para os pacientes.

Os principais segmentos de procedimentos ambulatoriais incluem:

  • Cirurgia oftalmológica: com aproximadamente 300 mil intervenções em 2022, liderando o mercado em volume, impulsionada pela prevalência de patologias como cataratas e estrabismo.
  • Procedimentos dermatológicos e estéticos: cerca de 250 mil procedimentos, incluindo remoção de lesões, tratamentos de acne e cirurgias plásticas menores.
  • Cirurgia otorrinolaringológica: estimada em 150 mil intervenções, principalmente sinusites e cirurgias de amígdalas.
  • Cirurgias ortopédicas menores: como artroscopias e reparações ligamentares, totalizando aproximadamente 200 mil procedimentos.
  • Procedimentos ginecológicos e urológicos: incluindo histeroscopias, cistoscopias e cirurgias de urgência, com cerca de 100 mil intervenções.

Estes segmentos representam uma combinação de procedimentos de alta frequência, de menor invasividade, que são realizados de forma eficiente em regime ambulatorial, contribuindo para a crescente quota de mercado de PCA.

Factores que impulsionaram o crescimento em 2022

O ano de 2022 foi marcado por uma série de fatores que contribuíram para o fortalecimento do mercado de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais em Portugal:

  1. Avanço tecnológico: a introdução de equipamentos de última geração, como lasers, robótica e sistemas de imagem avançada, permitiu a realização de cirurgias mais complexas em regime ambulatorial.
  2. Redução de custos e eficiência: a diminuição dos custos operacionais, aliada ao menor tempo de internamento, fomentou a adoção de procedimentos em centros especializados.
  3. Mudanças regulatórias: a simplificação dos processos de autorização e a implementação de protocolos de segurança facilitaram a realização de procedimentos ambulatoriais com maior autonomia.
  4. Perceção do paciente: a preferência por intervenções menos invasivas, com recuperação rápida e menor impacto psicológico, elevou a procura por PCA.
  5. Impacto da pandemia de COVID-19: o esforço de deshospitalização e a necessidade de evitar aglomerações nos hospitais públicos aceleraram a transferência de procedimentos para o setor privado e ambulatorial.

De facto, a pandemia revelou as fragilidades do sistema de saúde, levando a uma reconsideração do modelo de prestação de cuidados, onde os procedimentos ambulatoriais assumiram um papel estratégico na manutenção da capacidade de resposta do sistema de saúde português.

Previsões de crescimento e tendências até 2028

De acordo com as projeções do mercado, o segmento de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais em Portugal deverá continuar a sua trajetória ascendente até 2028, impulsionado por vários fatores de longo prazo.

Estima-se que o mercado atingirá uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 6% entre 2023 e 2028, com um valor de mercado que poderá ultrapassar os 2,5 milhões de intervenções anuais. Este crescimento será suportado por:

  • Expansão de centros especializados: a instalação de novas unidades de cirurgia ambulatorial, especialmente na região Norte e Centro do país.
  • Inovação tecnológica contínua: a introdução de inteligência artificial, realidade aumentada e novas técnicas minimamente invasivas.
  • Maior envolvimento do setor privado: que continuará a captar quota de mercado, investindo em infraestruturas e formação de profissionais.
  • Maior consciencialização dos pacientes: acerca das vantagens do PCA, fomentando uma procura crescente por procedimentos de menor impacto.
  • Políticas de saúde pública: que incentivam a redução do internamento hospitalar e promovem a desospitalização.

Este crescimento projeta uma redefinição do mapa de prestação de cuidados de saúde em Portugal, onde o regime ambulatorial passa a ocupar uma posição central na estratégia de assistência médica, com benefícios económicos e sociais relevantes.

Desafios e oportunidades no mercado de PCA até 2028

Apesar das perspectivas positivas, o mercado de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais enfrenta alguns desafios que poderão condicionar o seu crescimento:

  • Formação e qualificação de profissionais: a necessidade de especialização crescente exige formação contínua e investimento em recursos humanos.
  • Infraestruturas e financiamento: o desenvolvimento de centros de cirurgia ambulatorial requer investimentos substanciais, muitas vezes dependentes de políticas públicas e parcerias público-privadas.
  • Segurança e qualidade: assegurar elevados padrões de segurança, especialmente em procedimentos mais complexos, é fundamental para manter a confiança dos doentes e dos profissionais de saúde.
  • Regulação e legislação: a adaptação de marcos regulatórios às novas realidades do setor será crucial para facilitar a inovação e garantir a sustentabilidade.

Por outro lado, o mercado de PCA apresenta também oportunidades relevantes, nomeadamente:

  • Especialização em nichos de mercado: como procedimentos oftalmológicos, cirurgias estéticas e ortopédicas, que apresentam forte potencial de crescimento.
  • Internacionalização: a possibilidade de atrair doentes de países vizinhos, beneficiando de uma reputação consolidada na realização de procedimentos de alta qualidade.
  • Integração com telemedicina e soluções digitais: facilitando o acompanhamento pós-operatório, a agendamento de consultas e o envolvimento do paciente na sua recuperação.

O sucesso na concretização destas oportunidades dependerá de uma estratégia integrada, que envolva os principais agentes do setor, incluindo entidades reguladoras, investidores, profissionais de saúde e pacientes.

Considerações finais

O mercado de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais em Portugal em 2022 revelou-se um segmento dinâmico, em plena expansão e com potencial de crescimento sustentado até 2028. A sua evolução tem sido impulsionada por avanços tecnológicos, mudanças regulatórias, a perceção crescente dos pacientes e a necessidade de otimização dos recursos do sistema de saúde. Apesar dos desafios, o futuro apresenta oportunidades promissoras, sobretudo na diversificação de serviços, na inovação digital e na internacionalização. Assim, o PCA continuará a desempenhar um papel estratégico na reconfiguração do setor da saúde, contribuindo para uma prestação de cuidados mais eficiente, acessível e de maior qualidade para a população portuguesa.

R
Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.