Mercado Onda e Poder de Mare em 2022: Análise de Tendências, Perspectivas e Previsões até 2028
No contexto global de rápida transformação energética, o mercado de ondas e energia do mar emerge como uma das áreas mais promissoras para o futuro da produção sustentável de eletricidade. Em 2022, assistimos a uma crescente atenção por parte de governos, investidores e empresas tecnológicas, impulsionada pela necessidade de diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Este artigo analisa o mercado de energia das ondas e do mar, destacando as principais tendências observadas neste ano, os fatores que moldam este setor e as previsões para o período até 2028, utilizando dados de mercado, estudos de consultorias e relatórios de organismos internacionais.
Contexto e importância do mercado de ondas e energia do mar em 2022
O ano de 2022 marcou um ponto de viragem no reconhecimento do potencial energético das ondas e do mar. Com o aquecimento global a impulsionar uma urgente necessidade de transição energética, as fontes renováveis marítimas ganharam destaque na agenda global. Segundo dados do International Energy Agency (IEA), a energia proveniente de ondas e marés representava, naquele ano, cerca de 1,2% da produção global de eletricidade renovável, mas com potencial para expandir significativamente nos próximos anos.
Este crescimento foi impulsionado por fatores como a diminuição dos custos tecnológicos, o aumento do interesse político em energias limpas, e uma maior perceção de que o potencial marítimo é uma resposta às limitações de outras fontes renováveis, como a solar e a eólica terrestres. Além disso, a localização de países insulares e regiões costeiras com elevado potencial, como Portugal, Reino Unido, Noruega e Canadá, reforçou a importância estratégica do setor.
No entanto, apesar do entusiasmo, o setor enfrentou desafios como a necessidade de investimentos elevados em infraestruturas, questões ambientais e de impacto ecológico, bem como a complexidade técnica de implementação em ambientes marítimos adversos.
Principais tendências de mercado em 2022
1. Crescimento de projetos pilotos e primeiras instalações comerciais
Durante 2022, verificou-se um aumento notável na implantação de projetos-piloto de energia das ondas e marés, muitos dos quais visam testar a viabilidade técnica e económica. Países como o Reino Unido, Portugal e Austrália avançaram na instalação de parques experimentais, preparando o terreno para futuras instalações comerciais de maior escala.
2. Redução dos custos e inovação tecnológica
Utilizando avanços tecnológicos, as empresas conseguiram reduzir os custos de capital e operação de instalações marítimas. Novas soluções, como turbinas flutuantes e sistemas de captura de energia de alta eficiência, têm contribuído para tornar este setor mais competitivo face às fontes tradicionais.
3. Apoio governamental e políticas de incentivo
Numeros governos implementaram políticas específicas para estimular o desenvolvimento de energia marítima, incluindo subsídios, incentivos fiscais e metas de transição energética. Portugal, por exemplo, anunciou uma meta de atingir 10% da sua produção elétrica proveniente de fontes marítimas até 2030.
4. Parcerias internacionais e investimento privado
O ano de 2022 foi marcado por um aumento na formação de parcerias entre entidades públicas e privadas, visando acelerar o desenvolvimento de projetos e a inovação em tecnologia marítima. Os fundos de investimento especializados também demonstraram maior interesse nesta área, prevendo um crescimento exponencial na próxima década.
Desafios e obstáculos enfrentados em 2022
Apesar do otimismo, o setor de energia marítima enfrentou diversos obstáculos que podem influenciar o seu crescimento futuro. Entre eles, destacam-se:
- Custos elevados de implementação: a instalação de infraestruturas marítimas requer investimentos significativos, sobretudo em infraestruturas portuárias, cabos submarinos e equipamentos especializados.
- Impacto ambiental e social: questões relacionadas com a proteção da biodiversidade marinha e a interferência em atividades pesqueiras ou navegação impõem restrições e exigem estudos de impacto detalhados.
- Desafios técnicos e de manutenção: ambientes marítimos adversos, com ondas, correntes e tempestades, dificultam a operação e manutenção de instalações, exigindo tecnologias mais resistentes e adaptadas às condições marítimas.
- Incertezas regulatórias: a ausência de normativas uniformes e de previsibilidade jurídica em alguns países pode atrasar o desenvolvimento de projetos de grande escala.
Previsões de mercado até 2028: crescimento exponencial e oportunidades emergentes
Com base na análise de tendências atuais, relatórios de consultorias especializadas e planos políticos de vários países, prevê-se um crescimento acelerado do mercado de energia das ondas e do mar até 2028. Segundo o relatório da Bloomberg New Energy Finance, o setor poderá atingir uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 15% a 20% entre 2023 e 2028.
Estima-se que o volume de capacidade instalada de energia marítima alcance cerca de 15 GW em 2028, contra os aproximadamente 2,5 GW de 2022, consolidando-se como uma componente essencial da matriz energética renovável global.
Algumas das previsões mais relevantes incluem:
- Expansão de parques comerciais de grande escala em regiões com elevado potencial, como o Norte de Portugal, a costa oeste do Canadá e o litoral da Austrália.
- Inovação contínua na tecnologia de captura e armazenamento de energia, incluindo soluções híbridas que combinam ondas com outras fontes renováveis.
- Maior integração das redes marítimas nas redes terrestres, com o desenvolvimento de sistemas de transmissão eficientes e sustentáveis.
- Aumento de investimentos internacionais, com fundos dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de energia marítima.
- Implementação de políticas de incentivo mais robustas, alinhadas com os objetivos de neutralidade carbónica de vários países.
Impacto económico, social e ambiental do crescimento do setor marítimo
O desenvolvimento do mercado de ondas e energia do mar traz consigo um impacto económico positivo, nomeadamente na criação de empregos especializados, no estímulo à inovação tecnológica e na diversificação da matriz energética nacional e internacional.
Por outro lado, existem preocupações ambientais que requerem atenção, nomeadamente o impacto sobre a biodiversidade marinha, os habitats costeiros e as atividades tradicionais, como a pesca. Para minimizar estes efeitos, é fundamental a implementação de estudos de impacto ambiental rigorosos e a adoção de melhores práticas na instalação e operação de infraestruturas marítimas.
Socialmente, o setor poderá potenciar o desenvolvimento de comunidades costeiras, através de oportunidades de emprego qualificado e de projetos de responsabilidade social, contribuindo para a coesão económica e social das regiões mais afetadas.
Conclusão: o futuro promissor, mas desafiante, do mercado de ondas e energia do mar
A análise de 2022 revela um setor em rápida evolução, impulsionado por avanços tecnológicos, políticas de incentivo e uma crescente consciência global sobre a necessidade de diversificação das fontes energéticas. Apesar dos desafios, as previsões indicam um crescimento robusto até 2028, consolidando a energia das ondas e do mar como uma peça fundamental na matriz energética do futuro.
Para realizar todo o seu potencial, será imprescindível que os atores do setor enfrentem de forma coordenada as questões técnicas, ambientais e regulatórias, promovendo uma transição que seja sustentável, economicamente viável e socialmente justa. O caminho até 2028 apresenta-se cheio de oportunidades, mas também de obstáculos que exigirão inovação contínua, investimento estratégico e compromisso político de longo prazo.
Assim, o mercado de ondas e energia do mar permanece como uma das áreas mais dinâmicas e promissoras da transição energética global, prometendo contribuir de forma significativa para a sustentabilidade do planeta e para o desenvolvimento económico de muitos países costeiros.


