Mercado dos Não Tecidos em 2021: Uma Análise do Abastecimento, Consumo, Custos e Perspectivas para 2024

No contexto económico global de 2021, marcado por uma recuperação gradual após os impactos da pandemia de COVID-19, o mercado dos não tecidos em Portugal e na Europa revelou-se um setor de grande dinamismo. Este segmento, que inclui matérias-primas essenciais para produtos de higiene, saúde, aplicações industriais e de consumo, experimentou alterações significativas no abastecimento, consumo e custos de produção. Este artigo visa analisar de forma detalhada o desempenho do mercado em 2021, identificando fatores que influenciaram a sua evolução, e apresentar previsões fundamentadas para 2024, com base em dados de mercado, tendências de consumo e análise de custos.

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Contexto Global e Regional do Mercado dos Não Tecidos em 2021

O mercado dos não tecidos, classificados como materiais fabricados por processos de fusão, formação de fibras ou outros métodos que não envolvem tecelagem ou tricotagem, tem vindo a crescer de forma consistente ao longo da última década. Em 2021, o setor foi fortemente influenciado por fatores como a pandemia, que aumentou a procura por produtos de higiene, equipamentos de proteção individual (EPI) e soluções médicas, e pelas alterações nas cadeias de abastecimento globais.

Na Europa, o mercado dos não tecidos registou uma subida de aproximadamente 4,5% em volume de produção face ao ano anterior, atingindo cerca de 2,3 milhões de toneladas. Portugal, embora representando uma parcela menor, consolidou-se como um importante produtor e consumidor de produtos finais, nomeadamente na área da higiene e saúde, com uma quota de mercado estimada em cerca de 8% a nível europeu.

Abastecimento: Desafios e Oportunidades em 2021

O abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de não tecidos, nomeadamente fibras sintéticas e fibras naturais, enfrentou múltiplos desafios em 2021. A escassez de matérias-primas devido às interrupções nas cadeias de fornecimento globais foi um fator determinante, agravada por problemas logísticos, aumento dos custos de transporte e restrições fronteiriças decorrentes da pandemia.

Entre as principais matérias-primas, destacam-se:

  • Fibras de poliéster: a produção global de PET, principal matéria-prima, sofreu atrasos na recuperação após a crise de 2020, levando a aumentos de preços de cerca de 15% a 20%.
  • Fibras de viscose: influenciadas por questões ambientais e de abastecimento de celulose, apresentaram variações de preço mais moderadas, mas com dificuldades de fornecimento pontuais.
  • Fibras naturais: como o algodão, enfrentaram problemas de produção devido às condições climáticas adversas e às limitações logísticas, resultando num aumento de custos de aproximadamente 10%.

Em paralelo, a crescente procura por produtos sustentáveis impulsionou a procura por fibras recicladas, que embora apresentem custos mais elevados, ganharam quota de mercado significativa.

Dinâmica de Consumo e Mercado Final em 2021

O consumo de produtos finais feitos com não tecidos refletiu, em grande medida, o aumento na procura por soluções de higiene e proteção de saúde. Os setores que mais contribuíram para este crescimento foram:

  1. Higiene pessoal e cuidados domésticos: aumento de 6% no consumo de fraldas, produtos de higiene feminina e toalhitas, impulsionado por maior preocupação com higiene pessoal.
  2. Dispositivos médicos e EPI: crescimento de 12%, devido à necessidade de proteção contra COVID-19, incluindo máscaras, batas e viseiras.
  3. Indústria automóvel e filtros industriais: recuperação parcial, embora com menor ritmo de crescimento comparativamente aos setores de saúde.

O consumo em segmentos de maior valor acrescentado, como materiais de alta performance para aplicações específicas, também registou um incremento, refletindo uma maior procura por produtos inovadores e de maior qualidade.

Análise de Custos e Margens de Lucro no Setor dos Não Tecidos

O aumento dos custos de matérias-primas e transporte condicionou fortemente as margens de lucro dos produtores de não tecidos em 2021. As empresas enfrentaram dificuldades em manter níveis de rentabilidade, tendo, por vezes, que absorver parte do aumento de custos para manter a competitividade.

Dados de mercado indicam que:

  • Custos de produção: aumentaram em média 8% a 12%, influenciados pelo aumento do preço do PET e da energia.
  • Custos logísticos: subiram até 20%, devido às restrições de transporte marítimo e aéreo.
  • Margens de lucro: reduziram-se em cerca de 3% a 5% face a 2020, obrigando os fabricantes a repensar estratégias de gestão de custos e inovação.

Apesar do cenário desafiante, o setor conseguiu manter uma margem operacional média de 12%, suportada por uma procura sustentada e por estratégias de diferenciação de produto.

Previsões e Perspetivas para 2024

Com base na evolução de 2021 e nas tendências atuais, a previsão para o mercado dos não tecidos até 2024 indica um crescimento moderado, estimado em torno de 3% a 5% ao ano em volume de produção e consumo. As principais variáveis que influenciarão este cenário incluem:

  • Recuperação das cadeias de abastecimento: espera-se uma melhoria significativa na disponibilidade de matérias-primas, com aumento na eficiência logística e redução de custos.
  • Inovação tecnológica: desenvolvimento de novas fibras recicladas e biodegradáveis, com maior foco na sustentabilidade, que poderão representar até 20% do mercado em 2024.
  • Demanda de setores específicos: crescimento contínuo na área da saúde e higiene, com uma taxa prevista de 5% ao ano, e expansão para aplicações industriais de maior valor agregado.
  • Políticas ambientais e regulamentações: reforço de requisitos ambientais, incentivando investimentos em processos mais sustentáveis, o que poderá elevar os custos inicialmente, mas promover inovação e diferenciação de mercado.

Por outro lado, os custos de matérias-primas deverão estabilizar ou até diminuir, devido ao aumento de capacidade de produção de fibras recicladas e ao ajustamento das cadeias de abastecimento globais. Assim, prevê-se que as margens de lucro possam recuperar em parte as perdas de 2021, reforçando a sustentabilidade económica do setor.

Adicionalmente, o crescimento do mercado europeu de não tecidos deve ser sustentado por políticas de apoio à economia circular e pela crescente sensibilização dos consumidores para produtos sustentáveis, o que criará oportunidades de negócio para as empresas inovadoras e comprometidas com a sustentabilidade.

Considerações Finais e Recomendações para os Stakeholders

O mercado dos não tecidos em 2021 revelou-se resiliente perante os desafios impostos pela pandemia e pelas alterações nas cadeias globais de abastecimento. Apesar de enfrentar aumentos de custos, a procura sustentada, aliada à inovação tecnológica, permitiu manter um ritmo de crescimento moderado.

Para os próximos anos, a aposta na sustentabilidade, na inovação de produtos e na eficiência das cadeias de abastecimento será fundamental para garantir a competitividade do setor. Os fabricantes que conseguirem antecipar-se às tendências regulatórias e de consumo terão vantagem competitiva significativa até 2024.

Por fim, recomenda-se às empresas do setor que realizem uma análise contínua de custos, invistam em investigação e desenvolvimento, e reforcem estratégias de diversificação de matérias-primas, nomeadamente na incorporação de fibras recicladas e biodegradáveis, de modo a responder às exigências do mercado e às políticas ambientais europeias.

Com uma abordagem proativa e adaptada às mudanças de contexto, o mercado dos não tecidos poderá consolidar-se como um segmento de elevado valor estratégico na economia circular e na inovação industrial do futuro próximo.

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Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.