Mercado Global de Adhesives Electrónicos em 2020: Análise e Perspetivas até 2025

No contexto da rápida evolução tecnológica e do aumento exponencial da digitalização, o setor dos adhesives electrónicos tem vindo a assumir um papel estratégico na fabricação de dispositivos eletrónicos, automóveis, aplicações médicas e componentes industriais. Em 2020, marcado pelo impacto global da pandemia de COVID-19, a procura por materiais adesivos específicos para componentes electrónicos revelou-se resiliente, refletindo a sua importância na cadeia de produção. Este artigo analisa o estado do mercado em 2020, identificando tendências, desafios e oportunidades, e apresenta previsões fundamentadas até 2025, utilizando dados de mercado, relatórios de analistas e estudos de indústria.

Mercado Global de Adhesives Eletrnicos 2020 Demanda Viso e Previso do Setor at 2025 — mercados
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Contexto e Ambiente de Mercado em 2020

O ano de 2020 foi marcado por uma disrupção sem precedentes na economia global, influenciando diretamente setores industriais, incluindo o de adhesives electrónicos. Apesar do impacto da pandemia, a procura por componentes eletrónicos cresceu, impulsionada pelo aumento do teletrabalho, automação industrial e a expansão do mercado de eletrónica de consumo. Este cenário resultou numa maior necessidade de soluções de adesão que garantissem durabilidade, resistência térmica e compatibilidade com componentes miniaturizados.

Segundo dados da MarketsandMarkets, o mercado global de adhesives electrónicos atingiu aproximadamente 3,5 mil milhões de dólares em 2020, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 6,2% desde 2015. Este crescimento foi sustentado por fatores como a crescente adoção de dispositivos móveis, veículos elétricos e a expansão da Internet das Coisas (IoT), que exigem materiais que assegurem desempenho e fiabilidade dos componentes eletrónicos.

Segmentação do Mercado e Principais Aplicações

O mercado de adhesives electrónicos pode ser segmentado em vários critérios: tipo de material, aplicação final e região geográfica. Em 2020, os principais tipos de adesivos utilizados foram:

  • Adesivos à base de poliuretano: reconhecidos pela sua resistência química e flexibilidade, utilizados em montagem de componentes internos.
  • Adesivos epóxi: valorizados pela sua alta resistência mecânica e estabilidade térmica, aplicados em montagem de circuitos e encapsulamento.
  • Adesivos à base de silicone: apreciados pela sua resistência a altas temperaturas e flexibilidade, comuns em aplicações automotivas e industriais.

As aplicações mais relevantes incluíram:

  1. Dispositivos móveis: smartphones, tablets e wearables, que requerem adesivos finos e de alta performance.
  2. Automotiva: montagem de sensores, câmaras e sistemas de assistência ao condutor, com necessidade de materiais resistentes às condições ambientais extremas.
  3. Eletrónica de consumo: televisões, laptops e dispositivos domésticos inteligentes.
  4. Indústria médica: dispositivos implantáveis e equipamentos de diagnóstico, onde a fiabilidade e biocompatibilidade são essenciais.

Regionalmente, a Ásia-Pacífico liderou o mercado, representando aproximadamente 48% da procura global, impulsionada por fabricantes de eletrónica na China, Coreia do Sul e Taiwan. A América do Norte e a Europa seguiram como mercados secundários, especialmente devido à forte presença de empresas automóveis e de tecnologia.

Tendências Tecnológicas e Inovação no Setor

Em 2020, o desenvolvimento de adhesives electrónicos pautou-se por avanços em materiais mais sustentáveis e de maior eficiência. Destacaram-se algumas tendências:

  • Adesivos de origem biológica: procurados para reduzir o impacto ambiental, com formulações à base de componentes naturais e recicláveis.
  • Adesivos de alta temperatura e resistência química: essenciais para componentes expostos a ambientes agressivos ou condições extremas.
  • Adesivos com propriedades condutivas: que facilitam a montagem de componentes eletricamente condutivos, essenciais na miniaturização de circuitos.

Além disso, a integração de tecnologias de impressão 3D e de nanotecnologia tem permitido a criação de materiais adesivos com propriedades melhoradas, como maior adesão em superfícies difíceis e resistência a ciclos térmicos repetidos.

Estas inovações têm sido realizadas por empresas líderes como 3M, Henkel e Loctite, que investem continuamente em centros de investigação e desenvolvimento para responder às exigências do mercado e promover a sustentabilidade.

Desafios e Limitações Enfrentados em 2020

Apesar das oportunidades, o setor enfrentou diversos obstáculos em 2020, incluindo:

  • Disrupções na cadeia de abastecimento: a pandemia afetou a disponibilidade de matérias-primas, aumentando custos e atrasando entregas.
  • Regulamentações ambientais e de segurança: as restrições sobre compostos perigosos obrigaram empresas a reformular produtos, aumentando os custos de desenvolvimento.
  • Competitividade crescente: a entrada de novos players e a inovação contínua aumentaram a pressão sobre preços e margens de lucro.
  • Necessidade de adaptação às tendências de miniaturização: exigiu o desenvolvimento de adesivos com propriedades específicas para componentes cada vez mais pequenos e complexos.

Por outro lado, a crescente consciencialização ambiental e a procura por soluções sustentáveis representam uma oportunidade para superar alguns destes desafios, ao mesmo tempo que impulsionam a inovação e o desenvolvimento de produtos mais ecológicos.

Previsões de Mercado e Perspetivas até 2025

Com base nas tendências atuais, crescimento económico e avanços tecnológicos, o mercado global de adhesives electrónicos deverá continuar a expandir-se a uma CAGR estimada de 6,5% entre 2020 e 2025, atingindo valores superiores a 4,7 mil milhões de dólares em 2025.

Os principais fatores que impulsionarão este crescimento incluem:

  • Aumento da adoção de veículos elétricos e híbridos: que exigem componentes eletrónicos mais avançados e resistentes, aumentando a procura por adhesives especializados.
  • Expansão da Internet das Coisas (IoT): a proliferação de dispositivos conectados exige materiais de montagem fiáveis e duráveis.
  • Automação e indústria 4.0: a digitalização da produção industrial aumenta a necessidade de componentes eletrónicos integrados e de adesivos de alta performance.
  • Inovação em materiais sustentáveis: a procura por soluções ecológicas deverá acelerar a reformulação de produtos, criando oportunidades para novos materiais e formulações.

Por regiões, a Ásia-Pacífico continuará a liderar, mas os mercados norte-americano e europeu deverão registar crescimento mais acelerado, impulsionado por políticas de sustentabilidade e inovação tecnológica.

Adicionalmente, a crescente integração de tecnologias condutivas e de encapsulamento inteligente abrirá novas oportunidades de mercado, promovendo a evolução do setor dos adhesives electrónicos para uma era cada vez mais digital e sustentável.

Considerações Finais

O mercado global de adhesives electrónicos em 2020 revelou-se resiliente, sustentado por uma combinação de fatores tecnológicos, económicos e de inovação, apesar dos desafios impostos pelo contexto pandémico. Com uma previsão de crescimento sustentado até 2025, o setor apresenta-se como uma área de alta relevância estratégica para empresas de eletrónica, automóvel e indústria médica. A inovação em materiais, o foco na sustentabilidade e a adaptação às novas exigências tecnológicas serão determinantes para o sucesso nesta fase de evolução rápida e contínua do mercado.

Para os intervenientes do setor, a aposta na investigação, no desenvolvimento de soluções ecológicas e na capacidade de adaptação às tendências de miniaturização e condutividade será crucial para consolidar uma posição competitiva nesta indústria em rápida transformação.

R
Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.