Mercado da Confeitaria em Portugal: Uma Análise do Desenvolvimento, Competitividade e Tendências até 2023
Em 2022, o mercado da confeitaria em Portugal enfrentou um cenário marcado por desafios e oportunidades, refletindo as alterações provocadas pela pandemia de COVID-19, mudanças nos hábitos de consumo e avanços tecnológicos. Este artigo visa realizar uma análise aprofundada do setor em 2021, com especial ênfase na evolução até 2023, abordando os principais fatores que moldaram a competitividade, o desenvolvimento regional e as tendências atuais. A compreensão destas dinâmicas é essencial para os operadores do setor, investidores e entidades reguladoras que pretendem posicionar-se de forma estratégica num mercado cada vez mais competitivo e em rápida transformação.
Contexto e evolução do mercado da confeitaria em Portugal até 2021
O mercado da confeitaria em Portugal tem raízes históricas profundas, enraizadas na cultura e na gastronomia nacional. Tradicionalmente, caracterizava-se por uma forte presença de pastelarias artesanais e pequenas padarias familiares, que ofereciam produtos típicos como os pastéis de nata, os travesseiros de Sintra e os queques. No entanto, a partir de 2010, o setor começou a experienciar uma transformação significativa impulsionada por fatores económicos, sociais e tecnológicos.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o setor da confeitaria registou um crescimento médio anual de 3,5% entre 2015 e 2019, com destaque para a expansão de redes de pastelarias modernas e franquias internacionais. Contudo, a pandemia de COVID-19, iniciada em 2020, provocou uma quebra de cerca de 25% na faturação do setor em 2020, sobretudo devido ao encerramento temporário de estabelecimentos e à diminuição do consumo fora de casa.
Apesar do impacto, a recuperação começou a ser visível em 2021, com uma adaptação rápida às novas condições de mercado, nomeadamente através do fortalecimento do setor de confeitaria para consumo doméstico e do investimento em canais de venda online.
Estrutura do mercado da confeitaria em 2021: actores e segmentação regional
O mercado da confeitaria em Portugal é composto por uma diversidade de actores, desde pequenas pastelarias familiares até grandes cadeias de franquias internacionais. Segundo o relatório do Observatório do Mercado de Trabalho, em 2021, existiam mais de 5.000 estabelecimentos dedicados à confeitaria, dos quais:
- 60% eram pequenos negócios familiares;
- 25% pertenciam a cadeias de franchising;
- 15% eram grandes redes ou marcas internacionais.
Geograficamente, o desenvolvimento do setor apresenta fortes disparidades regionais. As regiões de Lisboa e do Porto concentram a maior parte do volume de negócios, beneficiando de uma maior densidade populacional, turismo e poder de compra. Em contrapartida, regiões do interior, como o Alentejo e o Centro, registam uma presença mais reduzida de grandes cadeias, com maior peso de pequenos produtores locais.
Esta distribuição reflete também as diferenças na procura por produtos tradicionais versus produtos mais inovadores ou de alta gama, que tendem a concentrar-se nas áreas urbanas mais desenvolvidas.
Competitividade e inovação no setor da confeitaria em 2021
A competitividade no setor da confeitaria foi fortemente influenciada pelo aumento da inovação e pela adoção de novas tecnologias. Os principais elementos que determinaram a evolução competitiva em 2021 incluem:
- Inovação de produtos: introdução de novas linhas de produtos mais saudáveis, sem açúcar, sem glúten ou com ingredientes orgânicos.
- Digitalização: implementação de plataformas de venda online, sistemas de encomendas e presença ativa nas redes sociais.
- Qualidade e sustentabilidade: aposta na utilização de ingredientes locais e práticas sustentáveis, alinhando-se às tendências de consumo consciente.
- Experiência do cliente: inovação em conceitos de loja, com espaços temáticos, degustações e eventos gastronómicos.
Estas estratégias permitiram às empresas diferenciando-se num mercado cada vez mais competitivo, reforçando a fidelidade do cliente e conquistando novos segmentos de mercado.
Desenvolvimento regional: oportunidades e desafios até 2023
O desenvolvimento regional do setor de confeitaria em Portugal apresenta um potencial significativo, impulsionado por fatores como o turismo, a valorização do património gastronómico local e o crescimento do mercado de produtos artesanais. Contudo, também existem desafios a superar, nomeadamente:
- Desigualdades económicas entre regiões, que limitam o investimento e a inovação em zonas menos desenvolvidas;
- Dificuldades na captação de talento especializado, particularmente na área da pastelaria de alta gastronomia;
- Necessidade de modernização de infraestruturas e de adaptação às normas de sustentabilidade e segurança alimentar.
Até 2023, espera-se uma maior concentração de investimentos na região de Lisboa e no Porto, com o objetivo de consolidar o posicionamento destas áreas como centros de inovação e qualidade na confeitaria. Paralelamente, há oportunidades de crescimento nas regiões do interior, através do desenvolvimento de produtos diferenciados, turismo gastronómico e apoio a pequenos produtores.
Tendências atuais e perspetivas para 2023
As tendências do setor da confeitaria em 2023 refletem uma combinação de inovação, sustentabilidade e adaptação às mudanças nos hábitos de consumo. Entre as principais tendências, destacam-se:
- Personalização e produtos artesanais: aumento da procura por produtos personalizados, com ingredientes locais e edição limitada, valorizando a autenticidade.
- Sustentabilidade e responsabilidade social: maior adoção de embalagens ecológicas, redução do desperdício e utilização de ingredientes sustentáveis.
- Digitalização e omnicanalidade: integração de canais de venda físicos e online, com uso intensivo de redes sociais, marketplaces e plataformas de encomendas.
- Inovação em sabores e conceitos: combinações aromáticas inovadoras, fusões culturais e conceitos de confeitaria de experiência.
- Turismo gastronómico: desenvolvimento de rotas e eventos dedicados à gastronomia de confeitaria, promovendo o setor a nível nacional e internacional.
Estes fatores sugerem que, até 2023, o mercado continuará a evoluir para um perfil mais sustentável, digital e orientado para o cliente, incentivando a inovação e a diferenciação como pilares de competitividade.
Conclusão: desafios e oportunidades no setor da confeitaria em Portugal até 2023
O setor da confeitaria em Portugal demonstra um percurso de evolução marcado por resiliência e adaptação às novas condições de mercado. Apesar dos desafios decorrentes da pandemia, a inovação, a digitalização e o foco na sustentabilidade emergem como fatores-chave para a competitividade futura. As oportunidades de desenvolvimento regional, nomeadamente através do turismo gastronómico e da valorização do património local, representam uma via de crescimento sustentável e diferenciador.
Para manter o dinamismo e a relevância no mercado, as empresas e os actores do setor deverão continuar a investir em inovação, na qualificação do talento e na sustentabilidade. Assim, o mercado da confeitaria em Portugal estará preparado para responder às exigências de um consumidor mais informado, consciente e exigente, consolidando a sua posição de destaque na gastronomia nacional e internacional em 2023 e além.


