Mercado dos Agentes Quelantes em 2022: Uma análise aprofundada do cenário global e nacional

No contexto da indústria química e de tratamento de água, os agentes quelantes emergem como componentes essenciais na gestão eficiente de metais e na melhoria de processos industriais. Em 2022, o mercado destes compostos viveu um período de transformação impulsionado por fatores regulatórios, avanços tecnológicos e uma crescente procura em setores como tratamento de água, agricultura e cosmética. Este artigo realiza uma análise detalhada do mercado de agentes quelantes, comparando os dados de produção, vendas e consumo até 2024, com foco especial na evolução em Portugal e no mercado global, identificando tendências, desafios e oportunidades que moldam este setor estratégico.

Mercado Agentes Quelantes 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024 — industria
industria · Mercado Agentes Quelantes 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024

Contexto global e evolução do mercado de agentes quelantes até 2022

O mercado mundial de agentes quelantes tem registado uma expansão constante ao longo das últimas décadas, impulsionada pelo aumento da sensibilização ambiental, inovação tecnológica e regulações mais rigorosas na gestão de resíduos e metais tóxicos. Em 2022, estima-se que o valor global do mercado tenha atingido aproximadamente 6,8 mil milhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 4,3% desde 2018.

Este crescimento é sustentado por diversos fatores, nomeadamente:

  • Incremento na procura por soluções sustentáveis de tratamento de água, especialmente na indústria de purificação e abastecimento público;
  • Uso crescente na agricultura para melhorar a eficiência do uso de fertilizantes e reduzir a toxicidade;
  • Expansão na indústria cosmética, onde os agentes quelantes melhoram a estabilidade de formulas e a longevidade dos produtos;
  • Regulamentações ambientais mais restritivas, obrigando as indústrias a adotarem agentes mais eficazes e menos nocivos.

Principais agentes quelantes utilizados em 2022 e suas aplicações

Entre os agentes quelantes mais utilizados, destacam-se o EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), o DTPA (ácido dietilenotriaminpenta-acético) e o citrato de sódio. Estes compostos são utilizados em diferentes setores, com aplicações específicas:

  1. Tratamento de água: agentes para remoção de metais pesados em estações de tratamento e processos industriais;
  2. Indústria agrícola: melhorar a absorção de nutrientes pelas plantas e prevenir a toxicidade de metais;
  3. Indústria cosmética: estabilizar formulas e prevenir a degradação de ingredientes ativos;
  4. Indústria alimentícia: na conservação de alimentos, evitando a ação de metais catalisadores na oxidação.

Em 2022, o EDTA representou aproximadamente 65% do volume total de agentes quelantes produzidos globalmente, seguido pelo DTPA com cerca de 20%. A crescente preferência por agentes menos nocivos ao ambiente tem impulsionado a pesquisa por alternativas mais biodegradáveis, embora a sua eficiência continue a consolidar o EDTA como líder de mercado.

Evolução da produção e vendas de agentes quelantes até 2024

De acordo com dados do setor, a produção global de agentes quelantes atingiu cerca de 1,2 milhões de toneladas em 2022, com uma previsão de crescimento anual de 3,8% até 2024. Este aumento é reflexo do reforço na procura por soluções mais sustentáveis e da expansão de setores industriais que dependem destes compostos.

Em Portugal, a produção de agentes quelantes é predominantemente realizada por empresas multinacionais que operam no país, destinando-se sobretudo ao mercado europeu. Estima-se que o consumo interno tenha crescido cerca de 5% em 2022, sendo impulsionado por uma maior adoção de tecnologias de tratamento de água e práticas agrícolas modernas.

O volume de vendas globais de agentes quelantes atingiu aproximadamente 950 mil toneladas em 2022, com previsões de continuar a ascensão até 2024, impulsionado por:

  • Investimentos em infraestruturas de tratamento de água;
  • Inovação em produtos agrícolas e cosméticos;
  • Regulamentação mais rígida na gestão de resíduos industriais.

Desafios, oportunidades e tendências de mercado em 2022-2024

Apesar das perspetivas de crescimento, o setor enfrenta desafios que requerem atenção estratégica por parte dos players do mercado:

  • Regulamentação ambiental: a imposição de limites mais restritivos na utilização de agentes quelantes à base de EDTA, devido à sua persistência no ambiente, obriga a inovação em alternativas biodegradáveis;
  • Custos de produção: a elevada complexidade na síntese de novos agentes quelantes sustentáveis pode aumentar os custos de produção;
  • Concorrência internacional: a entrada de novos players com produtos inovadores potencializa a competição no setor.

Por outro lado, surgem diversas oportunidades, nomeadamente:

  • Investimento em investigação e desenvolvimento de agentes quelantes mais ecológicos;
  • Expansão para mercados emergentes na Ásia, África e América Latina;
  • Aplicação crescente em setores de alta tecnologia, como a indústria farmacêutica e de alta performance.

Entre as tendências de mercado que se consolidam até 2024 destacam-se:

  • Utilização de agentes quelantes à base de aminoácidos, como a glicina, que apresentam maior biodegradabilidade;
  • Integração de soluções de tratamento de água com tecnologias de captura de metais;
  • Desenvolvimento de agentes quelantes específicos para metais raros e de alta pureza.

Impacto da regulamentação europeia e nacional no mercado de agentes quelantes

Na União Europeia, a legislação tem vindo a reforçar a necessidade de produtos mais seguros e sustentáveis. O regulamento REACH (Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals) tem impactado significativamente a produção e comercialização de agentes quelantes, especialmente aqueles à base de EDTA, cuja utilização tem vindo a ser progressivamente restrita devido à sua persistência no ambiente.

Portugal, enquanto membro da UE, segue estas diretrizes, o que se reflete numa maior procura por alternativas biodegradáveis e em uma maior fiscalização na importação e uso de agentes químico-industriais. Este quadro regulatório é uma oportunidade para a inovação, estimulando as empresas a desenvolverem produtos com menor impacto ambiental.

Previsões de mercado para 2023 e 2024: tendências e projeções

Para os próximos dois anos, o mercado de agentes quelantes deverá continuar a sua tendência de crescimento, embora com maior ênfase na sustentabilidade e inovação. Prevê-se que, até 2024, o mercado global possa atingir um valor superior a 8 mil milhões de dólares, com taxas de crescimento anuais de cerca de 4% a 5%.

Em Portugal, o consumo deve manter um ritmo de expansão moderado, impulsionado por políticas de sustentabilidade e pela necessidade de modernização dos processos industriais. A crescente adoção de soluções mais ecológicas e a entrada de novos produtos no mercado representam uma oportunidade de posicionamento para empresas nacionais e internacionais.

Conclusão: perspetivas futuras e estratégias para o setor

O mercado de agentes quelantes em 2022 apresenta-se consolidado, mas com sinais claros de transformação. A sustentabilidade, a inovação tecnológica e a regulação ambiental são fatores determinantes para o desenvolvimento futuro do setor. A aposta em produtos biodegradáveis, a diversificação de aplicações e a expansão para mercados emergentes são estratégias essenciais para manter a competitividade até 2024.

O setor deve continuar a realizar investimentos em investigação, promovendo a colaboração entre empresas, universidades e organismos reguladores, de modo a criar soluções mais sustentáveis, eficientes e seguras. Assim, a indústria de agentes quelantes poderá não só responder às exigências regulatórias, mas também liderar uma nova era de inovação na gestão de metais e tratamento de água.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.