O Instituto Superior, em parceria com especialistas em educação e economia, lançou o "Guia de sobrevivência para o trabalho no futuro", uma iniciativa que busca equilibrar formação contínua, literacia digital na pré-primária e competências humanas. O documento, divulgado em outubro de 2023, surge em resposta à aceleração da automação e à transformação digital, que estão redefinindo as demandas do mercado. A iniciativa visa preparar trabalhadores e empresas para os desafios da economia pós-pandemia, com foco em habilidades que não podem ser replicadas por inteligência artificial.

O Guia do Instituto Superior: O que Muda para o Mercado de Trabalho

O documento destaca que 60% dos empregos atuais poderão ser alterados até 2030 devido à inovação tecnológica, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Guia propõe um modelo de formação contínua, com cursos online e certificações em áreas como análise de dados, programação e pensamento crítico. Além disso, enfatiza a necessidade de integrar literacia digital desde a educação pré-primária, com exemplos de escolas em Lisboa e Porto que já adotaram programas de coding para crianças de 6 a 10 anos.

Instituto Superior lança Guia para preparar mercado de trabalho futuro — Empresas
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Para empresas, o Guia sugere investir em requalificação de funcionários, reduzindo a dependência de mão de obra manual. Um estudo do Instituto Superior aponta que empresas que adotam práticas de aprendizado contínuo têm 25% mais probabilidade de manterem a produtividade em cenários de crise. "A formação não é mais um custo, mas uma estratégia de sobrevivência", afirma Maria Silva, diretora do centro de inovação do Instituto.

Competências Humanas e Literacia Digital na Pré-Primária

O Guia destaca que competências humanas, como empatia, criatividade e colaboração, serão fundamentais para diferenciar humanos de máquinas. Para isso, propõe que escolas públicas e privadas adotem metodologias ativas, como projetos interdisciplinares e aprendizagem baseada em jogos. Em Aveiro, uma escola experimental já utiliza robôs educativos para ensinar matemática e lógica, com resultados positivos em testes de resiliência emocional.

Além disso, o documento alerta que a falta de literacia digital na base da educação pode agravar desigualdades. Segundo o Instituto Superior, 40% das crianças em zonas rurais de Portugal não têm acesso a dispositivos digitais. O Guia recomenda parcerias entre governo e setor privado para distribuir tablets e criar redes de internet gratuita em áreas carentes.

Impacto nas Empresas e Investidores

Para investidores, o Guia sinaliza oportunidades em setores de educação digital e tecnologia educacional. Startups que desenvolvem plataformas de aprendizado adaptativo, como a Nova, têm recebido atenção de fundos de capital de risco. "O mercado de educação continua crescendo, mas a chave é alinhar os conteúdos às necessidades reais do trabalho", diz João Ferreira, analista de investimentos da Nova.

Empresas que ignorarem as recomendações do Guia correrão o risco de ficar obsoletas. Um exemplo é a indústria têxtil, onde a automação já substituiu 30% das funções manuais. "A formação contínua é a única maneira de reter talentos e manter a competitividade", afirma Ana Costa, diretora de recursos humanos de uma fábrica em Guimarães.

O Futuro do Trabalho: O Que Esperar

O Guia prevê que até 2025, 50% das empresas portuguesas adotarão políticas de requalificação interna. No entanto, o sucesso depende de políticas públicas que incentivem a parceria entre setor público e privado. O documento também chama atenção para o risco de "desemprego estrutural" em setores tradicionais, como logística e serviços.

Para o economista Pedro Almeida, o Guia é um passo crucial, mas precisa ser acompanhado de regulamentações que protejam trabalhadores em transição. "Sem um suporte institucional, a formação contínua pode se tornar um fardo para os mais vulneráveis", alerta. O Instituto Superior planeja revisitar o documento em 2024, com base em dados reais de adesão e impacto.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.