Frutas Secas: Análise de Mercado, Desenvolvimento e Perspetivas para 2024

No contexto global e nacional, o mercado de frutas secas tem vindo a demonstrar uma evolução significativa, impulsionada por mudanças nos hábitos de consumo, preferências por produtos saudáveis e uma crescente procura por alternativas nutritivas aos snacks tradicionais. Em 2020, este setor revelou um crescimento sustentado, refletindo tendências de saúde e bem-estar, bem como o aumento da consciencialização sobre a origem e a qualidade dos alimentos. Este artigo realiza uma análise detalhada do mercado de frutas secas em Portugal e internacional, abordando o seu histórico, desenvolvimento, fatores de crescimento, desafios e perspetivas para 2024, utilizando dados concretos e tendências atuais.

Frutas Secas Product Mercado History Development Overview Product Market Analysis 2024 — mercados
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Histórico e Evolução do Mercado de Frutas Secas

Desde os princípios do século XXI, o mercado de frutas secas tem assistido a uma expansão contínua, acompanhando o aumento da procura por alimentos naturais e funcionais. Inicialmente considerado um segmento de nicho, sobretudo dirigido a consumidores com preferência por produtos orgânicos e de alta qualidade, as frutas secas conquistaram um lugar central na alimentação saudável. Em 2020, estima-se que a produção global de frutas secas atingiu cerca de 3,2 milhões de toneladas, com um crescimento anual médio de 5% ao longo da última década.

Este crescimento foi impulsionado por fatores como:

  • Maior consciencialização sobre os benefícios nutricionais das frutas secas;
  • Expansão de canais de distribuição, incluindo supermercados, lojas especializadas e plataformas online;
  • Inovação em produtos e embalagens, aumentando a atratividade para diferentes segmentos de consumidores;
  • Expansão para mercados emergentes, com particular destaque para a Ásia e América do Norte.

Portugal, embora seja um mercado de menor dimensão comparado com os principais países europeus, tem acompanhado esta tendência, assistindo a um aumento na procura por frutos secos de origem controlada e de qualidade certificada, nomeadamente amêndoas, nozes, avelãs e passas.

Dinâmicas do Mercado de Frutas Secas em 2020

Em 2020, o mercado de frutas secas foi fortemente influenciado pela pandemia de COVID-19, que alterou os padrões de consumo e acelerou a procura por produtos que promovam saúde e fortalecimento do sistema imunitário. Segundo dados do Euromonitor International, o consumo de frutos secos em Portugal cresceu cerca de 8% nesse período, refletindo uma mudança de hábitos e maior preocupação com a alimentação.

Os principais fatores que impulsionaram o mercado neste período incluem:

  1. Adaptação do setor à crescente procura por produtos funcionais;
  2. Expansão do comércio eletrónico, que facilitou o acesso a uma vasta gama de produtos;
  3. Iniciativas de marketing dirigidas a consumidores mais jovens e conscientes da saúde;
  4. Aumento do interesse por snacks naturais como alternativa aos produtos processados.

Paralelamente, a produção de frutas secas sofreu desafios logísticos e de abastecimento, devido às restrições impostas pelas medidas de contenção do vírus, embora a procura tenha mantido uma tendência ascendente.

Segmentação do Mercado e Perfil do Consumidor

O mercado de frutas secas apresenta uma segmentação diversificada, refletindo as diferentes preferências dos consumidores e as aplicações do produto. Pode-se identificar as seguintes categorias principais:

  • Frutos secos a granel: utilizados por consumidores que procuram ingredientes naturais para cozinhar ou consumir como snack;
  • Produtos embalados e prontos a consumir: snacks embalados, misturas de frutos secos, barras energéticas;
  • Produtos de alta gama: frutos secos orgânicos, de origem controlada e com certificações especiais;
  • Produtos específicos para setores industriais: indústria de confeitaria, restauração e alimentação saudável.

O perfil do consumidor de frutas secas em Portugal caracteriza-se por:

  • Idade entre os 25 e 45 anos, com maior preocupação com saúde e bem-estar;
  • Consumidores urbanos, com maior acesso a informação e tendências internacionais;
  • Preferência por produtos naturais, sustentáveis e de origem certificada;
  • Valorização de produtos com benefícios adicionais, como antioxidantes ou enriquecidos com vitaminas.

Este perfil tem impulsionado a inovação e a adaptação das ofertas às exigências de um público mais informado e exigente.

Desafios e Oportunidades no Mercado de Frutas Secas

Apesar do crescimento, o setor enfrenta diversos desafios que podem condicionar o seu desenvolvimento futuro. Entre os principais, destacam-se:

  • Flutuações de preços: a volatilidade dos preços das matérias-primas, como amêndoas e nozes, devido a fatores climáticos ou económicos, afeta a margem de lucro dos produtores;
  • Dependência de condições climáticas: a produção de frutas secas é altamente sensível a eventos meteorológicos extremos, como secas ou geadas;
  • Concorrência internacional: países como os Estados Unidos, Espanha e Turquia lideram a produção global, dificultando a penetração de produtos portugueses no mercado internacional;
  • Questões de sustentabilidade: o aumento da consciencialização ambiental obriga o setor a adotar práticas mais sustentáveis, o que pode implicar custos adicionais.

Por outro lado, o mercado apresenta oportunidades promissoras, nomeadamente:

  • Expansão de produtos funcionais e enriquecidos: frutos secos com adição de superalimentos, vitaminas ou outros ingredientes benéficos;
  • Inovação em embalagens: soluções mais sustentáveis e práticas para o consumidor;
  • Mercados emergentes: países com crescimento económico acelerado, onde a procura por produtos saudáveis está em expansão;
  • Certificações de qualidade e sustentabilidade: que podem valorizar a marca e abrir novos canais de distribuição.

Perspetivas para 2024: Tendências e Projeções

Para o ano de 2024, as previsões apontam para uma manutenção do crescimento do mercado de frutas secas, sustentado por fatores como a inovação de produto, maior consciencialização de saúde e sustentabilidade, e a expansão do comércio digital. Segundo dados preliminares, espera-se que o mercado global de frutos secos atinja cerca de 4 milhões de toneladas, com uma taxa de crescimento anual composta de aproximadamente 4,5% até 2024.

Em Portugal, a previsão é de que o consumo continue a crescer, impulsionado por fatores como:

  • Maior adoção de dietas vegetarianas e veganas, que utilizam frutos secos como fonte de proteína;
  • Inovação na oferta de produtos bio e de origem controlada;
  • Fortalecimento dos canais de venda online e à medida que a inovação tecnológica facilita o acesso do consumidor às novidades;
  • Maior atenção à sustentabilidade na cadeia de produção, com certificações e práticas ecológicas.

Adicionalmente, perspetiva-se uma maior integração entre o setor agrícola e o de alimentos processados, favorecendo a produção de frutos secos de maior valor agregado e com melhor rastreabilidade. Essa integração será fundamental para consolidar a posição de Portugal enquanto produtor de frutos secos de qualidade e sustentável.

Conclusão: Desafios e Oportunidades para o Futuro

O mercado de frutas secas revela uma trajetória de crescimento sustentado, impulsionado por uma mudança de paradigma na alimentação mundial. Em 2020, mesmo perante os desafios impostos pela pandemia, o setor demonstrou resiliência e adaptabilidade, fatores que deverão continuar a impulsionar a sua evolução até 2024 e além.

Para realizar este potencial, será fundamental que os atores do setor invistam em inovação, sustentabilidade e na valorização da origem dos produtos. Além disso, a diversificação de mercados e a aposta em produtos funcionais e de alta qualidade podem constituir as principais estratégias de diferenciação competitiva.

Por fim, o sucesso do mercado de frutas secas dependerá da capacidade de responder às exigências de consumidores cada vez mais informados e conscientes, num cenário de crescente concorrência internacional. Assim, o setor deverá manter-se atento às tendências globais e às oportunidades de crescimento sustentável, consolidando a sua posição como um segmento fundamental na economia alimentar de Portugal e do mundo.

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Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.