O presidente da Associação dos Engenheiros Consultores da África do Sul (CESA), Vishal Haripersad, alertou sobre uma escassez crítica de 60.000 engenheiros no país, afetando projetos de infraestrutura e crescimento económico. A declaração foi feita durante um evento em Johannesburg, destacando a urgência de políticas para resolver a crise. A falta de profissionais ameaça a capacidade da África do Sul de cumprir metas de desenvolvimento, especialmente em setores como energia e transporte.

A Crise dos Engenheiros na África do Sul

Segundo um relatório da CESA de 2023, a escassez de engenheiros está agravada por fatores como a emigração de profissionais qualificados e a insuficiência de formação técnica. Vishal Haripersad destacou que, apesar de mais de 10.000 engenheiros se formarem anualmente, a taxa de retenção é baixa, com muitos a buscar oportunidades no exterior. "A falta de engenheiros está paralisando projetos críticos, como a expansão da rede elétrica e a modernização das estradas", afirmou Haripersad em declarações à imprensa.

A crise afeta diretamente a economia sul-africana, que depende fortemente de infraestrutura para impulsionar o crescimento. A World Bank já alertou que a escassez de profissionais qualificados pode reduzir o PIB do país em até 1,5% anualmente. "Sem investimento em educação técnica e políticas de retenção, a situação vai piorar", disse Haripersad, destacando a necessidade de parcerias entre o setor público e privado.

Causas da Escassez

Uma das principais razões para a escassez é a desvalorização do cargo de engenheiro na África do Sul. Muitos profissionais optam por áreas com melhores remunerações, como finanças ou tecnologia. Além disso, a falta de acesso a programas de formação em engenharia em regiões rurais e a longa duração dos cursos (geralmente cinco anos) contribuem para a escassez. "O sistema educativo não está alinhado com as necessidades do mercado", criticou Haripersad.

Outro fator é o envelhecimento da força de trabalho. Cerca de 40% dos engenheiros ativos têm mais de 55 anos, e muitos estão prestes a aposentar-se sem substituição. A CESA estima que, até 2030, a escassez chegue a 80.000 profissionais se nenhuma medida for tomada. "Precisamos de um plano nacional de formação e retenção de talentos", exigiu Haripersad, que também apontou a falta de investimento em tecnologias de automação como uma barreira para aumentar a produtividade.

Impacto na Economia e Infraestrutura

A escassez de engenheiros já está causando atrasos em projetos críticos. A rede elétrica, por exemplo, enfrenta falhas frequentes devido à falta de manutenção e planejamento. Em 2022, a empresa estatal Eskom enfrentou crises de apagões que afetaram milhões de cidadãos e empresas. "Sem engenheiros para gerenciar a infraestrutura, o risco de colapsos aumenta", alertou o diretor da CESA.

Além disso, a falta de profissionais está atrasando a implementação de iniciativas como a "África do Sul Verde", que visa reduzir as emissões de carbono. Projetos de energia renovável, como parques solares e eólicos, estão paralisados por falta de equipe técnica. "Isso não só prejudica o meio ambiente, mas também impede a África do Sul de se tornar uma potência energética regional", afirmou Haripersad.

Reações e Soluções Propostas

O governo sul-africano já anunciou planos para aumentar o número de vagas em universidades de engenharia e oferecer bolsas de estudo para estudantes de regiões carentes. No entanto, críticos argumentam que as medidas são insuficientes e desalinhadas com as necessidades do setor. "Precisamos de um foco mais direcionado na formação de engenheiros especializados em áreas estratégicas", disse o ministro da Educação, Shingi Moyo.

Organizações internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, também estão envolvidas. Um acordo recente prevê a criação de centros de formação técnica em parceria com a Alemanha e a China. "Essa colaboração pode ajudar a reduzir a lacuna, mas a longo prazo, é a responsabilidade do país investir em sua própria capacidade", afirmou um representante da ONU. Haripersad reforçou que a CESA está trabalhando em parceria com empresas para oferecer estágios e programas de mentorias, visando reter talentos jovens.