No quarto trimestre de 2025, Angola registou uma taxa de desemprego alarmante de 20,1%, refletindo um panorama econômico desafiador para o país. Essa situação, que afeta diretamente a vida de milhares de angolanos, levanta preocupações sobre a estabilidade econômica e as repercussões nos mercados regionais, especialmente em Portugal.

Os números que preocupam: dados do desemprego em Angola

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística de Angola, a taxa de desemprego subiu de 18,5% no terceiro trimestre para 20,1% no final do ano. Este aumento é o mais significativo desde 2020, e os dados mostram que a maioria dos desempregados pertence ao setor jovem, com idades entre 18 e 35 anos, que representa quase 45% do total de desempregados.

Desemprego em Angola atinge 20,1% no quarto trimestre de 2025 — Empresas
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A situação do emprego em Angola é uma consequência de múltiplos fatores, incluindo a instabilidade política, a queda dos preços do petróleo e a falta de diversificação econômica. A dependência do setor petrolífero, que representa cerca de 90% das exportações do país, torna a economia vulnerável a choques externos.

Como o desemprego afeta os mercados e os negócios

A crescente taxa de desemprego tem consequências diretas para o mercado interno e para as empresas angolanas. A diminuição do poder de compra dos consumidores resulta em uma redução da demanda por produtos e serviços, o que, por sua vez, pode levar a cortes de produção e novos despedimentos. As empresas enfrentam um cenário de incerteza, dificultando a atratividade para investidores.

No mercado de trabalho, as empresas estão cada vez mais relutantes em investir na contratação de novos funcionários, o que perpetua o ciclo de desemprego elevado. A falta de confiança na economia angolana faz com que investidores estrangeiros hesitem em aportar capital no país, temendo um retorno abaixo do esperado.

Implicações para investidores portugueses e o mercado europeu

Para os investidores em Portugal, a situação do desemprego em Angola traz à tona questões cruciais sobre as relações comerciais entre os dois países. Angola é um dos principais destinos para investimento português em África, mas a instabilidade econômica pode desencorajar novos projetos. As empresas que operam em Angola devem reavaliar suas estratégias, uma vez que a rentabilidade pode ser impactada negativamente pela alta taxa de desemprego.

Além disso, a relação comercial entre Portugal e Angola pode ser afetada, pois a diminuição dos consumidores angolanos implica uma redução nas importações de produtos portugueses. Esse cenário pode, a longo prazo, pressionar a balança comercial entre os dois países.

Desemprego e a cultura empresarial em Angola

O desemprego elevado em Angola também reflete um desafio cultural significativo. A escassez de oportunidades de trabalho está a moldar a visão de futuro dos jovens angolanos, que frequentemente enfrentam a desmotivação. A cultura empresarial, que historicamente foi marcada por uma abordagem tradicional, pode precisar de uma reformulação, buscando criar ambientes mais dinâmicos e inovadores que atraiam talentos e promovam a criação de empregos.

A longo prazo, a melhoria das condições de trabalho e a promoção de novas iniciativas empresariais poderão contribuir para a redução do desemprego. Contudo, isso exigirá um esforço conjunto entre o governo, as empresas e a sociedade civil para fomentar um ambiente que favoreça o empreendedorismo e a capacitação profissional.

O que observar nos próximos meses

Os próximos meses serão cruciais para entender como o governo angolano reagirá a esta situação crítica. A implementação de políticas eficazes que visem a geração de empregos será fundamental para melhorar a confiança dos investidores e restaurar a estabilidade econômica. Além disso, a resposta do mercado internacional e a evolução dos preços do petróleo também influenciarão diretamente a situação do emprego em Angola.

Assim, a análise do desemprego em Angola não é apenas uma questão de dados estatísticos, mas sim um reflexo das complexas interações econômicas e sociais que afetam não só o país, mas também as suas relações com o mundo, especialmente com Portugal.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.