Coque de petróleo: uma análise detalhada do mercado entre 2022 e 2024

O mercado de coque de petróleo, um subproduto essencial na indústria do aço e na produção de energia, tem vindo a experimentar uma evolução significativa nos últimos anos, especialmente entre 2022 e 2024. Quem são os principais actores neste sector, quais as tendências de produção e consumo, e como se distribui a participação de mercado dos fabricantes mais relevantes? Para responder a estas questões, realiza-se uma análise aprofundada, utilizando dados de mercado recentes e estratégias de produção, numa tentativa de perceber os fatores que moldam este sector crucial na economia global, particularmente na Europa e na Ásia, onde a sua demanda tem registado variações consideráveis.

Coque de Petroleo Mercado 2022 2024 Desempenho e Participacao de Mercado Dos Principais Fabricantes — industria
industria · Coque de Petroleo Mercado 2022 2024 Desempenho e Participacao de Mercado Dos Principais Fabricantes

Contexto e evolução do mercado de coque de petróleo em 2022

Em 2022, o mercado de coque de petróleo esteve marcado por uma recuperação gradual após os impactos da pandemia de COVID-19. O aumento na procura de aço, impulsionado pelo crescimento da construção civil, automóvel e infraestruturas, contribuiu para a retoma da produção de coque. Além disso, a expansão de centros industriais na Ásia, particularmente na China e na Índia, potenciou a procura de matérias-primas para a siderurgia, consolidando a importância do coque neste contexto.

De acordo com dados da Associação Internacional de Produtores de Coque de Petróleo, a produção global atingiu cerca de 138 milhões de toneladas em 2022, refletindo um crescimento de aproximadamente 4% face ao ano anterior. Este aumento esteve associado ao investimento em novas unidades de produção em países asiáticos e à modernização das instalações existentes, visando maior eficiência e menores impactos ambientais.

Estrutura da produção e principais regiões produtoras em 2022

A produção de coque de petróleo concentra-se principalmente em três regiões geográficas: Ásia, Médio Oriente e Europa. A China lidera de forma incontestável, com aproximadamente 60% da produção global, seguida pela Índia (10%), Médio Oriente (8%) e Europa (7%). Os principais países produtores incluem:

  • China
  • Índia
  • Arábia Saudita
  • Rússia
  • Países da União Europeia, como Alemanha e Espanha

Estas regiões beneficiam de uma forte indústria do aço, que consome o coque como matéria-prima essencial no processo de fabricação de ferro gusa e aço de alta qualidade. A modernização das refinarias e a implementação de tecnologias de produção mais sustentável têm sido fatores essenciais para manter a competitividade neste mercado.

Participação de mercado dos principais fabricantes em 2022

No que diz respeito aos principais fabricantes de coque de petróleo, o mercado é dominado por um grupo restrito de empresas multinacionais e regionais. Segundo dados do relatório de mercado da Wood Mackenzie, a participação de mercado em 2022 foi distribuída aproximadamente da seguinte forma:

  1. China National Petroleum Corporation (CNPC) – 30%
  2. China Shenhua Energy – 15%
  3. Indian Oil Corporation – 8%
  4. Saudi Aramco – 6%
  5. Rusia Gazprom – 4%
  6. Outros fabricantes – 37%

Este cenário evidencia a forte presença da China na produção de coque, reflexo da sua grande indústria do aço e das políticas de incentivo à produção doméstica. Além disso, empresas como a Shenhua Energy destacaram-se pela adoção de tecnologias de produção mais limpas, procurando reduzir o impacto ambiental e cumprir as normas internacionais.

Tendências de mercado e inovação tecnológica entre 2022 e 2024

Ao longo deste período, várias tendências têm moldado o mercado de coque de petróleo, nomeadamente:

  • Inovação tecnológica: A introdução de processos de produção mais eficientes e sustentáveis, incluindo a utilização de resíduos de carvão e a implementação de tecnologias de captura de carbono, tem sido uma prioridade para os principais fabricantes.
  • Regulamentação ambiental: A crescente pressão por parte de entidades reguladoras, sobretudo na Europa e na América do Norte, tem impulsionado a adoção de práticas mais verdes na produção de coque, incluindo a redução de emissões de gases de efeito estufa.
  • Mercado de energia e transição energética: A transição para fontes de energia renováveis e a diminuição do consumo de carvão na geração de energia elétrica têm impacto indireto na procura de coque, que é cada vez mais direcionado para usos industriais específicos.
  • Capacidade de produção e expansão de unidades: Muitos dos principais fabricantes têm investido na expansão de capacidade de produção em países asiáticos, prevendo que a procura se mantenha elevada até 2024 e além.

Previsões e desafios futuros do mercado de coque de petróleo

As projeções para o mercado de coque de petróleo até 2024 indicam uma manutenção do crescimento, embora a uma taxa mais moderada, devido aos desafios ambientais e às mudanças no setor energético. A previsão é que a produção global atinja cerca de 145 a 150 milhões de toneladas, impulsionada sobretudo pelo aumento na capacidade de produção na Ásia.

Entretanto, o sector enfrenta desafios consideráveis, nomeadamente:

  • Pressões regulatórias ambientais: As legislações mais rigorosas podem limitar a expansão de algumas unidades de produção, obrigando os fabricantes a inovar ou a repensar estratégias de negócio.
  • Competição de materiais alternativos: A crescente utilização de materiais substitutos na produção de aço, como o hidrogénio, coloca em causa a dependência tradicional do coque de petróleo.
  • Custos de produção e sustentabilidade económica: A volatilidade dos preços do petróleo e do carvão, bem como os custos associados às novas tecnologias ambientais, representam desafios económicos para os produtores.

Impacto no mercado europeu e na sua competitividade

Na Europa, o mercado de coque de petróleo enfrenta uma conjuntura diferente, influenciada por políticas de sustentabilidade e transição energética. A produção local é relativamente limitada, com a maior parte do coque a ser importada de países asiáticos, especialmente da China e da Rússia. Assim, a Europa tem vindo a procurar diversificar fontes de fornecimento e apostar em estratégias de redução do impacto ambiental na sua cadeia de abastecimento.

Apesar de uma menor produção interna, o mercado europeu mantém uma forte demanda industrial, sobretudo na Alemanha, Espanha e França. Para competir neste cenário, as empresas europeias têm vindo a apostar em tecnologias de produção mais limpas e na certificação de produtos com menor impacto ambiental, visando também atender às exigências regulatórias e de mercado.

Conclusão: perspectivas de evolução do mercado de coque de petróleo

Entre 2022 e 2024, o mercado de coque de petróleo apresenta sinais de crescimento sustentado, impulsionado sobretudo pelo aumento da procura na Ásia e pelas estratégias de modernização e inovação dos principais fabricantes. Contudo, o setor enfrenta desafios decorrentes de uma crescente pressão ambiental e da necessidade de adaptar-se às mudanças regulatórias e tecnológicas.

O futuro do mercado passa pelo equilíbrio entre a manutenção da capacidade produtiva e a implementação de práticas mais sustentáveis, visando garantir a competitividade global sem comprometer os objetivos ambientais. Assim, espera-se que os principais players continuem a investir em inovação tecnológica, ao mesmo tempo que respondem às exigências de mercados cada vez mais conscientes do seu impacto ecológico.

O impacto destas tendências será decisivo na configuração do mercado de coque de petróleo até 2024 e além, moldando uma indústria que, apesar dos desafios, mantém-se como um pilar fundamental na cadeia de produção de aço e energia a nível mundial.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.