Contexto Global e Significado do Mercado de Laticínios Alternativos em 2022

No cenário mundial de 2022, o mercado de produtos lácteos alternativos vive um momento de transformação acelerada, impulsionado por uma combinação de fatores como a crescente preocupação com sustentabilidade, a procura por opções vegetarianas e veganas, e a inovação tecnológica na produção de substitutos do leite. Portugal, inserido neste contexto global, assiste a uma mudança de paradigma na alimentação, com consumidores a procurar alternativas aos produtos lácteos tradicionais. Este movimento, que ganha força desde a última década, atingiu em 2022 um ponto de inflexão, com uma expansão notável de marcas e produtos no mercado nacional e europeu, refletindo uma mudança de comportamento do consumidor e uma adaptação das indústrias à nova realidade económica e ambiental.

Alternativas de Laticinios Mercado 2022 Status de Acoes Demanda Futura Receita e Previsao Para 2030 — mercados
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Estado Atual do Mercado de Laticínios Alternativos em 2022

Em 2022, o mercado de alternativas de laticínios apresenta um crescimento robusto, estimado em cerca de 12% em volume e 15% em valor em comparação com 2021, segundo dados da consultora Euromonitor International. Este crescimento é sustentado por uma forte procura de produtos como leites vegetais, queijos à base de castanhas, iogurtes sem lactose e manteigas veganas. A expansão é notória na União Europeia, onde o consumo per capita de produtos vegetais duplicou nos últimos cinco anos, atingindo uma média de 4,5 kg por pessoa em 2022.

Na prática, empresas tradicionais de laticínios, como a Lactalis e a Arla Foods, estão a investir em linhas de produção de produtos alternativos, enquanto novos players, muitas vezes startups, entram no mercado com inovações específicas e estratégias de marketing orientadas à sustentabilidade e saúde. Este cenário reflete uma mudança estrutural na indústria, com a procura por alternativas que aliam valor nutricional, apelo ambiental e preço competitivo.

Principais Ações e Investimentos em 2022

O mercado de alternativas de laticínios em 2022 tem sido caracterizado por um aumento de investimentos de capital de risco e por estratégias de fusões e aquisições. Destaca-se, por exemplo, a aquisição da empresa portuguesa VeggieLaits pela multinacional americana Blue Diamond Growers, que produzia amêndoas e nozes, visando expandir o portefólio de bebidas vegetais.

De acordo com relatórios recentes, os principais movimentos incluem:

  • Investimento de mais de 300 milhões de euros por parte de fundos de capital de risco na Europa, com foco em startups de alimentos vegetais;
  • Fusões entre marcas consolidando posições no mercado, como a união entre a Califia Farms e a empresa britânica Oatly, reforçando os canais de distribuição e inovação;
  • Expansão de linhas de produção nas principais regiões produtoras europeias, incluindo Portugal, Espanha e França.

Estas ações refletem uma perceção de potencial de crescimento sustentável e uma aposta na inovação como motor principal para conquistar quotas de mercado.

Demanda Futura e Tendências de Consumo até 2030

As previsões para o mercado de produtos lácteos alternativos até 2030 apontam para uma expansão significativa, com uma taxa de crescimento composta anual (CAGR) de aproximadamente 10%, atingindo um valor superior a 20 mil milhões de euros a nível global. Em Portugal e na Europa, espera-se que o consumo per capita de produtos vegetais aumente cerca de 30% até ao final da década.

As principais tendências que irão moldar a procura incluem:

  1. Sustentabilidade ambiental: consumidores cada vez mais conscientes do impacto do setor lácteo na pegada de carbono, água e uso de terras, levando a uma preferência por produtos com menor impacto ambiental.
  2. Saúde e bem-estar: aumento do interesse por produtos sem lactose, sem aditivos artificiais, com benefícios nutricionais comprovados, como proteínas vegetais e probióticos.
  3. Inovação tecnológica: avanços na textura, sabor e valor nutricional dos produtos, tornando-os cada vez mais semelhantes aos lácteos tradicionais.
  4. Regulamentação e certificações: implementação de normas mais rigorosas, que garantam transparência e segurança alimentar, estimulando a confiança do consumidor.

Estes fatores indicam que o mercado de alternativas lácteas continuará a evoluir rapidamente, com uma forte aposta na inovação e na sustentabilidade como pilares de crescimento.

Análise da Receita e Projeções para 2030

Em 2022, a receita global do mercado de produtos lácteos alternativos foi avaliada em cerca de 15 mil milhões de euros, com previsão de atingir 30 mil milhões até 2030, o que representa uma duplicação do valor em menos de uma década. Este crescimento exponencial será impulsionado por vários fatores, incluindo a expansão do mercado na Europa, Ásia e América do Norte, onde a adopção de produtos verdes está a atingir massas maiores.

Para Portugal, por exemplo, estima-se que as vendas de produtos de origem vegetal possam representar cerca de 15% do total de mercado lácteo até 2030, valor que corresponde a um volume de receitas de aproximadamente 300 milhões de euros, considerando o crescimento de consumo per capita e a entrada de novas marcas.

As principais categorias de produtos com maior potencial de crescimento incluem:

  • Leites vegetais (amêndoa, aveia, soja, arroz)
  • Queijos à base de castanhas, soja ou coco
  • Iogurtes de origem vegetal
  • Manteigas e cremes veganos

Estes produtos irão beneficiar de melhorias em sabor, textura e valor nutricional, tornando-se mais atrativos para um público diversificado, incluindo consumidores tradicionais, veganos e pessoas com intolerâncias alimentares.

Desafios e Oportunidades para o Mercado de Alternativas de Laticínios

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios que podem condicionar o seu crescimento até 2030. Entre os principais obstáculos encontram-se:

  • Custo de produção: atualmente, muitas alternativas vegetais apresentam custos superiores aos produtos lácteos tradicionais, o que limita a sua competitividade, sobretudo em mercados com menor poder de compra.
  • Percepção do consumidor: ainda existe uma barreira de aceitação, especialmente entre consumidores mais idosos ou aqueles mais ligados ao consumo de produtos convencionais.
  • Regulamentação e rotulagem: a necessidade de certificações claras e regulamentação uniforme pode atrasar a entrada de novos produtos no mercado e criar barreiras à inovação.
  • Impacto ambiental da produção de ingredientes vegetais: embora considerados sustentáveis, alguns processos de cultivo, colheita e processamento de ingredientes como a soja podem gerar controvérsia.

Por outro lado, o setor também apresenta oportunidades de crescimento, nomeadamente:

  • Expansão de mercados emergentes: países em desenvolvimento com crescente classe média apresentam potencial de adoção de produtos de origem vegetal.
  • Inovação em ingredientes e processos: desenvolvimento de ingredientes mais sustentáveis e eficientes, bem como processos de produção de menor impacto ambiental.
  • Educação do consumidor: campanhas de sensibilização que reforcem os benefícios ambientais e de saúde podem aumentar a aceitação.

Assim, o setor de alternativas de laticínios encontra-se numa fase de transição, com o potencial de consolidar uma posição de destaque na indústria alimentar global.

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Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.