O novo mecanismo de Ajustamento do Carbono chegou à alfândega, desafiando empresas e investidores em Portugal desde 2023. Esta medida da União Europeia visa mitigar a concorrência desleal e promover práticas sustentáveis, mas também levanta questões sobre custos e a competitividade do mercado.

Ajustamento do Carbono: O Que É e Como Funciona

O Ajustamento do Carbono, implementado pela União Europeia, aplica tarifas sobre produtos importados com elevada pegada de carbono. Este mecanismo foi concebido para proteger indústrias da UE de concorrentes que não seguem normas ambientais rigorosas. Desde a sua introdução, as empresas portuguesas têm enfrentado novos desafios, uma vez que os custos de importação podem aumentar significativamente devido a estas taxas, especialmente em setores como a agricultura e a indústria pesada.

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Impacto nas Empresas Portuguesas

As empresas que dependem de matérias-primas importadas são as mais afetadas. Um estudo recente indicou que cerca de 30% das empresas portuguesas que operam no setor industrial podem ver os seus custos aumentarem, o que poderá levar a uma redução na margem de lucro e, em última instância, a cortes de empregos. Com os preços a subir, a capacidade de investimento em inovação e tecnologia também pode ser comprometida.

Reações do Mercado e Investidores

Os mercados financeiros têm reagido de forma cautelosa ao novo regime de tarifas. As ações de empresas ligadas à importação de bens com alta pegada de carbono caíram nas últimas semanas, enquanto empresas que investem em tecnologia sustentável e práticas de baixo carbono viram um aumento no interesse por parte dos investidores. Este movimento reflete uma mudança nas prioridades do mercado, com um foco crescente em sustentabilidade e responsabilidade ambiental.

Dados Económicos e Previsões Futuros

Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que as exportações de produtos com baixa pegada de carbono estão a aumentar, o que sugere que as empresas portuguesas estão a adaptar-se à nova realidade. No entanto, a transição pode ser lenta e difícil, com necessidade de investimento em tecnologias de produção mais limpas. As previsões apontam para um crescimento moderado nas exportações verdes, mas a pressão do Ajustamento de Carbono poderá fazer com que algumas empresas deixem o mercado.

Consequências a Longo Prazo para a Economia

O Ajustamento do Carbono representa uma mudança significativa na maneira como as empresas operam na Europa. Embora tenha como objetivo combater as alterações climáticas, as consequências económicas podem ser profundas, afetando a competitividade das empresas portuguesas no mercado global. Investidores e empresários devem monitorizar de perto as mudanças na política ambiental e ser ágeis na adaptação às novas exigências. O futuro das empresas em Portugal pode depender da capacidade de inovação e de adaptação a um mundo cada vez mais preocupado com a sustentabilidade.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.