A Comunidade Económica da África está a promover viagens sem visto como uma solução essencial para impulsionar o crescimento da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA). O anúncio, feito durante um fórum em Kampala na última semana, destaca a importância da mobilidade no aumento do comércio intra-africano.

O que é a AfCFTA e por que é relevante?

A Área de Livre Comércio Continental Africana, lançada em 2021, visa criar um mercado único para bens e serviços em todo o continente africano, abrangendo 54 dos 55 países africanos. O objetivo é aumentar o comércio entre os países africanos, reduzindo tarifas e barreiras comerciais. Segundo dados da União Africana, o comércio intra-africano pode aumentar em até 52% até 2022, proporcionando um impacto significativo nas economias locais.

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Impacto das viagens sem visto na economia africana

O acesso facilitado através de viagens sem visto é visto como um motor essencial para alcançar as metas da AfCFTA. Com a eliminação de restrições de viagem, espera-se que empresários e investidores possam explorar novos mercados, aumentando assim as oportunidades de negócios. O estudo da Comissão Económica das Nações Unidas para a África (UNECA) sugere que a mobilidade de pessoas é um fator crítico para o crescimento do PIB em muitos países africanos, podendo resultar em um aumento de 1,5% nas economias nacionais.

Reações do mercado e dos investidores

Os investidores estão a monitorizar de perto as discussões sobre viagens sem visto, considerando-as um indicador da disposição política para implementar reformas que facilitam o comércio. As empresas de transporte e turismo estão especialmente atentas, pois a liberalização das viagens pode resultar em um aumento significativo na procura. Já o setor de tecnologia também se beneficia, uma vez que a maior conectividade pode promover inovações e colaborações transfronteiriças.

Desafios e barreiras a superar

Apesar do entusiasmo, a implementação de viagens sem visto enfrenta desafios significativos. Muitos países ainda possuem legislações rígidas em relação à imigração, o que pode dificultar a realização de acordos concretos. Além disso, as preocupações com a segurança e a gestão de fronteiras são questões que exigem atenção. Para que a AfCFTA alcance seu potencial, os líderes africanos precisam unir esforços para abordar essas questões.

O que observar no futuro?

As próximas negociações sobre políticas de mobilidade são cruciais para o sucesso da AfCFTA. A resposta dos governos africanos em relação à implementação de viagens sem visto será um fator determinante para o crescimento do comércio e investimentos no continente. À medida que as discussões progridem, os investidores devem estar atentos a quaisquer desenvolvimentos que possam afetar a dinâmica do mercado. O futuro da AfCFTA e seu impacto em PT também dependem da capacidade de os países africanos de se unirem para facilitar a mobilidade e o comércio.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.