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Indústria

Uganda quer proibir importação de roupas usadas — e o Ocidente já respondeu

— Mariana Costa 4 min read

A Uganda avançou com planos para restringir severamente a entrada de roupas usadas no país, numa medida que ameaça destruir um negócio de milhões de dólares e que já provocou reacções hostis do Ocidente. A proibição, que visa proteger a indústria têxtil local, surge numa altura em que a China observa com interesse a oportunidade de aumentar as suas exportações para a região.

Uganda avança com restrições às importações

As autoridades ugandenses anunciaram que pretendem reduzir drasticamente a importação de roupas em segunda mão, vulgarmente conhecidas como "mitumba". A medida faz parte de uma estratégia mais ampla da Comunidade da África Oriental (EAC) para dinamizar o sector manufatureiro e criar empregos no domínio têxtil.

Os números disponíveis indicam que a Uganda importa anualmente milhares de toneladas de roupa usada, proveniente principalmente do Ocidente. O governo defende que esta prática sufoca a produção local e mantém o país dependente de mercados externos para bens básicos.

O impacto nos negócios locais

Os vendedores de roupas usadas na Uganda dependem quase inteiramente destas importações. Na capital Kampala, dezenas de mercados specializam-se na revenda de artigos que chegam em contentores directamente do Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha.

Um comerciante do mercado de Owino, que pediu para não ser identificado, indicou que esta actividade sustenta famílias em todo o país. "Se fecharam as importações, não sei o que faria", confessou à comunicação social local.

O Ministério do Comércio ugandense argumenta que a indústria local precisa de protecção durante uma fase inicial de crescimento. Sem essa protecção, os fabricantes nacionais não conseguem competir com preços extremamente baixos das roupas usadas.

A Tanzânia junta-se ao esforço

A Tanzânia revelou estar a considerar medidas semelhantes no âmbito dos acordos regionais. O país também enfrenta problemas idênticos com a concorrência das roupas importadas, que afectam a capacidade produtiva das suas fábricas têxteis.

As duas nações coordenam posições dentro da Comunidade da África Oriental, tentando apresentar uma frente unida nas negociações comerciais internacionais. Esta harmonização de políticas comerciais representa uma mudança significativa na abordagem da região às relações económicas externas.

A China como alternativa

Enquanto os países africanos tentam limitar as importações do Ocidente, a China posiciona-se como fornecedor alternativo de têxteis novos. Os fabricantes chineses oferecem preços competitivos e capacidade de produção em larga escala, factores que atraem países em desenvolvimento.

Analistas do sector indicam que a China exporta milhares de milhões de dólares em roupa anualmente para África. Se os países da África Oriental concretizarem as restrições às roupas usadas, Pekim poderá beneficiar significativamente desse vazio comercial.

A reacção do Ocidente

Os Estados Unidos e a União Europeia já manifestaram preocupação com as medidas proteccionistas. Washington alertou que restrições às importações de roupa usada poderão afectar o acesso dos países africanos a mercados ocidentais e a programas de ajuda ao desenvolvimento.

Representantes comerciais ocidentais argumentam que a venda de roupas usadas cria uma economia circular e permite que consumidores de baixo rendimento acedam a bens a preços acessíveis. Qualquer proibição representaria, segundo eles, um retrocesso para esses consumidores.

No entanto, os países africanos rejeitam esta narrativa. O argumento central é que a dependência de bens em segunda mão perpetua uma posição de subdesenvolvimento industrial e que chegou o momento de inverter essa tendência.

Desafios de implementação

Implementar estas restrições não será simples. Os países da África Oriental enfrentam desafios logísticos, falta de capacidade de fiscalização nas fronteiras e pressões de lobbies comerciais poderosos. Além disso, muitos acordos comerciais multilaterais limitam a capacidade dos países de imporem barreiras proteccionistas.

A Tanzânia e a Uganda terão de demonstrar que as medidas são compatíveis com as suas obrigações internacionais em matéria de comércio. Esse equilíbrio delicado exigirá trabalho jurídico aprofundado e diplomacia constante.

Para já, a situação permanece num limbo. Os anúncios governamentais foram feitos, mas as datas concretas de entrada em vigor ainda não foram confirmadas. A esperança dos governos é que o período de transição permita aos comerciantes adaptar-se e aos fabricantes locais aumentar a produção gradualmente.

O que esperar nos próximos meses

Os próximos meses serão decisivos para perceber se os países da África Oriental conseguem concretizar estas ambições. Negotiations com parceiros comerciais internacionais intensificar-se-ão, e o resultado dessas conversas determinará o futuro das restrições.

O watches que importa fazer prende-se com a reacção exacta dos Estados Unidos e da União Europeia, os dois principais exportadores de roupas usadas para a região. Medidas de retaliação comercial poderiam complicar significativamente os planos ugandenses e tanzanianos.

Simultaneamente, a posição da China merecerá atenção. Pekim tem expressed interesse em aprofundar laços comerciais com África, e uma expansão das suas exportações têxteis para a região representaria um prémio estratégico significativo no contexto da rivalry comercial sino-americana.

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