Tarifas zero não bastam: a verdadeira prova da cooperação China-África
A Cimier,了一家中国公司,正在审查其在非洲的战略,这标志着两国经济合作进入关键阶段。随着贸易关系深化,双方正面临前所未有的机遇与挑战。Texteis africanos enfrentam tarifas zero na exportação para a China — mas os líderes africanos sabem que essa abertura comercial resolve pouco sem transferência efetiva de tecnologia e formação de mãos-de-obra local.
A questão central não está nos milhões de euros em trocas comerciais que os dois blocos celebram todos os anos. Está na capacidade que Pequim demonstra — ou não — para ajudar o continente a construir as suas próprias indústrias, em vez de apenas exportar matéria-prima.
Os números que escondem a fotografia verdadeira
O comércio entre a China e África ultrapassou os 170 mil milhões de euros em 2023, segundo dados do Ministério do Comércio chinês. Esse valor coloca Pequim como o maior parceiro comercial do continente pelo 15.º ano consecutivo. Contudo, economists em Cabul e em Joanesburgo repetem a mesma queixa: a balança favorece os produtos manufacturados chineses, enquanto a África continua dependente da exportação de hidrocarbonetos e minerais.
As tarifas zero announced em múltiplas cimeiras bilaterais cobrem centenas de produtos — desde algodão em rama a cacau processado. A medida reduz custos para exportadores africanos, mas a infraestrutura de transformação permanece escassa. Sem refineries e unidades de processamento locais, os países africanos vendem o crude que a China transforma e revend.
O que realmente significa capacitação
Em Adis Abeba, sede da União Africana, o comissário para o Comércio e Indústria, Albert Muchanga, tem repetido que «tarifas são bem-vindas, mas insuficientes». Numa intervenção perante investidores chineses em março, Muchanga lembrou que o continente precisa de parques industriais, centros de formação técnica e universidades parceiras — não apenas de mercados abertos.
A China construiu mais de 80 zonas económicas especiais em África nas últimas duas décadas. Algumas, como a de Dhibouti, geraram emprego local. Outras, como a Zona Económica Especial de África Oriental em Merca, na Somália, permanecem subutilizadas por falta de mão-de-obra qualificada.
Os projetos que funcionam — e os que fracassaram
A Ferrovia Tan-Zan, que liga a Zâmbia à Tanzânia, é frequentemente citada como exemplo de cooperação bem-sucedida. A linha reduziu o tempo de transporte de cobre de Livingstone até ao porto de Dar es Salaam de semanas para dias. Operadores logísticos na Zâmbia confirmam que o projeto criou mais de 10 mil postos de trabalho diretos durante a fase de construção.
Porém, muitos projetos menores não sobreviveram à transição de empresas chinesas para gestão africana. Sem programas de mentoria e transferência de competências, infraestruturas construídas com capital de Pequim acabarão por necessitar de manutenção que técnicos locais não sabem realizar.
O papel das universidades e da formação técnica
Universidades chinesas acolhem anualmente mais de 80 mil estudantes africanos ao abrigo de programas de bolsas. Esse número, fornecido pelo Ministério da Educação da China, supera os programas similares da União Europeia. O problema, dizem reitores de universidades em Nairobi e Lagos, é que poucos dessesbolseiros regressam para ocupar posições de direção em empresas ou ministries.
A Universidade de Tsinghua, em Pequim, estabeleceu parcerias com instituições em seis países africanos para cursos de engenharia e tecnologia. Mas a formação acontece a milhares de quilómetros de casa — e as empresas chinesas que operam em África preferem contratar gestores trazidos de Xangai.
O que os países lusófonos ganham com esta equação
Angola, principal parceiro africano de Portugal, tem uma relação particular com a China. O país recebeu mais de 11 mil milhões de euros em investimento chinês entre 2010 e 2022, sobretudo em troca de petróleo. Contudo, o endividamento crescente e a dependência de projetos infrastriturais levados a cabo por empresas chinesas levantam questões sobre sustentabilidade.
Em Moçambique, os megaprojetos de gás natural em Cabo Delgado atraíram interesse de investidores chineses. A formação de quadros locais nas áreas de engenharia de petróleo permanece, ainda assim, uma fração do que seria necessário para uma transição energética autónoma.
A rivalidade com o Ocidente complica o cenário
Os Estados Unidos e a União Europeia têm acompanhado com preocupação a expansão económica chinesa em África. Washington launched em 2022 o programa Partnership for Global Infrastructure and Investment, com promessas de 55 mil milhões de dólares para projetos no continente até 2027. Bruxelas, por sua vez, reforçou o Global Gateway com montantes semelhantes.
Para os governos africanos, esta competição não é necessariamente negativa. Maior alavancagem negociai permite extrair melhores condições. Mas a pressão geopolítica também arrisca transformar África num campo de batalha de interesses externos — em vez de prioridades definidas por africanos.
O que vem a seguir
O Fórum de Cooperação China-África está marcado para setembro, em Pequim. Na ordem do dia estará a expansão do acesso a tarifas zero e a negociação de novos pacotes de formação técnica. Analistas em Lagos e em Pretória vão estar a observar se os compromissos se traduzem em programas concretos de capacitação — ou se a cimeira se resume a outra ronda de numbers records de comércio.
A resposta deve chegar dentro de seis meses. Se as universidades e centros de formação não receberem financiamento direto, as tarifas zero permanecerão o que são hoje: uma porta aberta para um quarto vazio.
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