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SIPRI Revela que China Adiciona Ogivas ao Arsenal e Potências Nucleares Abandonam Desarmamento

— João Ferreira 3 min read

O Stockholm International Peace Research Institute revelou esta segunda-feira que a China expandiu o seu arsenal nuclear com a adição de novas ogivas, enquanto as principais potências nucleares do mundo continuam a afastar-se dos compromissos de desarmamento. O relatório anual do instituto sediado em Estocolmo traça um panorama preocupante do estado da não-proliferação nuclear a nível global.

China lidera expansão do arsenal nuclear

De acordo com o SIPRI, a China adicionouogivas ao seu inventário nuclear durante o último ano, consolidando-se como uma das forças motrizes por trás do crescimento global das armas atómicas. O país tem investido significativamente na modernização das suas capacidades nucleares, incluindo o desenvolvimento de novos sistemas de lançamento e a expansão das infraestruturas de armazenamento. Esta tendência coloca Pequim num percurso divergente face aos compromissos assumidos no âmbito do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Retirada das potências dos compromissos

O fenómeno não se limita à China. O relatório do SIPRI documenta como diversas potências nucleares estão a afastar-se das negociações de desarmamento que marcaram décadas anteriores. Os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido e a França mantêm inventários substanciais, com modernasogivas em serviço ativo. A ausência de progresso substantivo nas conversas de controlo de armas alimenta receios de uma nova corrida armamentista.

Rússia e EUA: congelamento sem avanços

A relação entre Moscovo e Washington permanece estagnada. Embora o Novo Tratado START continue em vigor, as negociações para a sua extensão ou substituição não avançaram de forma significativa. O SIPRI nota que ambas as potências mantêm forças nucleares operacionais acima dos limites acordados historicamente, o que sugere um enfraquecimento do regime de controlo que estruturou a estabilidade estratégica durante a Guerra Fria.

Implicações para a segurança global

A erosão dos compromissos de desarmamento levanta questões sérias sobre a arquitetura de segurança internacional construída após 1945. O sistema de tratados que limitou a proliferação nuclear durante décadas enfrenta agora Pressões vindas de múltiplas direções. O relatório do SIPRI sublinha que a ausência de diálogo substantivo entre as principais potências nucleares aumenta o risco de mal-entendidos estratégicos.

Contexto histórico e tratados em risco

O Tratado de Não-Proliferação Nuclear, Ratificado por 191 Estados, constitui a pedra angular do regime internacional de controlo de armas atómicas. No entanto, o documento do SIPRI alerta que a implementação dos compromissos de desarmamento previstos no artigo VI do tratado permanece largamente letra morta. Os países com armas nucleares argumentam que as condições de segurança global não permitem reduções adicionais, numa lógica que os analistas consideram circular.

O que esperar nos próximos meses

Os próximos meses serão determinantes para o futuro do controlo nuclear. A revisão do Tratado de Não-Proliferação está prevista para 2026, e as negociações preparatórias deverão intensificar-se já no corrente ano. O SIPRI recomenda que os Estados intensifiquem os esforços diplomáticos antes dessa reunião crucial. A comunidade internacional espera sinais claros de compromisso por parte das potências nucleares, mas o relatório sugere que tais sinais permanecem escassos. O desarmamento nuclear multilateral atravessa a sua fase mais delicada em décadas, e as decisões tomadas nos próximos anos determinarão se o mundo consegue reverter a tendência actual ou se caminha para uma nova era de rivalidade nuclear sem freios.

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