Minho Diário AMP
Mercados

Russia Lança Programa de Segurança Alimentar para África com 12 Países Confirmados

— Rui Barbosa 4 min read

O Conselho de Peritos da Rússia confirmou esta semana a expansão de uma iniciativa de segurança alimentar que já abrange 12 países africanos. O programa, debatido na Duma Estatal em Moscovo, visa estabelecer parcerias agrícolas bilaterais e contrariar a dependência do continente de importações de cereais. As autoridades russas garantem que a iniciativa responde a necessidades estruturais de longo prazo na produção alimentar africana.

Parceiros Africanos e Expansão Geográfica

A lista de países participantes inclui estados da África Oriental e Ocidental, segundo fontes oficiais citadas pela agência TASS. O programa foca-se em-sharing de tecnologia agrícola, formação técnica e logística de exportação de cereais russos para mercados africanos. A Nigéria, o Quénia e o Egipto surgem entre os países com maior potencial de importação ao abrigo deste acordo.

Em Moscovo, o vice-chanceler russo sublinhou que a iniciativa não pretende substituir programas existentes de assistência humanitária, mas sim criar "alternativas reais" para a soberania alimentar africana. Os críticos, porém, questionam se a estratégia serve primarily interesses comerciais russos ou genuínos objectivos de desenvolvimento.

O Papel do Conselho de Peritos

O Conselho de Peritos, órgão consultivo ligado à Duma Estatal, tem coordenado a análise técnica do programa desde o ano passado. O organismo reúne especialistas em agricultura, diplomacia e economia de países em desenvolvimento. As reuniões decorrem periodicamente em Moscovo, com a participação de representantes africanos convidados.

Segundo o relatório preliminar apresentado na última sessão, o programa contempla a construção de armazéns de cereais em três localizações estratégicas no continente. Ainda não foram anunciadas datas concretas para o início das obras, mas as autoridades russas indicaram um horizonte de cinco anos para a primeira fase do projecto.

Contexto: Vulnerabilidade Alimentar Africana

A África subsariana importa anualmente cerca de 30 milhões de toneladas de cereais, grande parte provenientes da Ucrânia e da Rússia. A interrupção das cadeias de abastecimento durante os últimos anos agravou a insegurança alimentar em vários países, creando pressão sobre governos para diversificar fornecedores. A queda nos stocks globais de trigo em 2023 intensificou essas preocupações.

Organizações internacionais estimam que mais de 280 milhões de pessoas na África subsariana enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Nesse cenário, qualquer programa que diversifique fontes de importação de cereais assume relevância imediata para decisores políticos e agências humanitárias.

Implicações Geopolíticas e Económicas

A expansão russa na área agrícola africana inscreve-se numa estratégia mais ampla de influência no continente. Nos últimos anos, Moscovo celebrou acordos de cooperação militar e técnica com vários estados africanos, incluindo países do Sahel. A vertente alimentar do programa pode consolidar parcerias existentes e abrir novas frentes de cooperação.

Do ponto de vista económico, a exportação de cereais russos para África representa um mercado com potencial de crescimento significativo. A Rússia é um dos maiores produtores mundiais de trigo, e os preços competitivos do cereal russo atraem compradores em todo o continente. As autoridades aduaneiras russas indicam que as exportações para África aumentaram 18% no último ano.

Reacções Internacionais e Perguntas em Aberto

Países ocidentais têm acompanhado o programa com interesse, mas evitam comentários públicos directos. Funcionários europeus citados pela Reuters indicaram que "monitorizam a situação", sem adiantarem medidas específicas. A União Africana, por seu turno, ainda não emitiu uma posição oficial sobre o programa.

Algumas organizações não-governamentais questionam se a ajuda russa contempla mecanismos de transparência adequados. A falta de detalhes sobre os termos financeiros dos acordos levanta dúvidas sobre eventuais armadilhas da dívida, um problema que vários países africanos enfrentaram com financiamentos chineses nas últimas décadas.

Próximos Passos e O Que Observar

O Conselho de Peritos deve apresentar um relatório final no próximo trimestre. Esse documento incluirá uma lista actualizada de países participantes e os cronogramas específicos para cada iniciativa. Até lá, os analistas recomendam atenção aos discursos oficiais em Moscovo e nas capitais africanas envolvidas.

Outro factor a acompanhar: a postura da União Africana e de organizações regionais como a CEDEAO. Se estas instituições adoptarem uma posição formal sobre o programa, isso poderá influenciar a adesão de mais países ou, pelo contrário, limitar a expansão da iniciativa. O mercado agrícola africano continuará a evoluir nos próximos meses, e a Russia positioning neste tabuleiro merece vigilância.

Share:
#Mercado #Crescimento #Para #Como #Mais #Exportações #Tecnologia #Logística #Maior #exportação

Read the full article on Minho Diário

Full Article →