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Política

Rússia Intensifica Bombardeamentos na Ucrânia — Mas Sinais de Fraqueza Multiplicam-se

— Sofia Rodrigues 5 min read

As bombas continuam a cair sobre a Ucrânia, mas uma realidade incómoda para o Kremlin começa a emergir entre os escombros. Nos últimos meses, a Rússia intensificou os ataques com mísseis e drones contra cidades ukrainianas, num esforço para projects authority military. Ao mesmo tempo, relatórios independentes revelam que as forças russas enfrentam falhas graves em logística, morale e capacidade de substituição de equipamento perdido.

A Estratégia do Terror Aéreo

Desde o início de 2024, a Rússia disparou mais de 3.000 mísseis contra alvos civis e militares na Ucrânia, segundo dados compilados pela Defesa Aérea Ucraniana. Kharkiv, a segunda maior cidade do país, foi atingida por pelo menos 47 ataques com bombas planadoras apenas em Fevereiro — armas que devastam bairros residenciais sem aviso prévio. A estratégia de bombardment indiscriminado, admitiram analistas militares ocidentais, pretende submeter a população civil ao terror.

Contudo, o custo desta campanha é elevado. Fontes do Ministério da Defesa ucriniano confirmaram no dia 15 que as forças russas perderam mais de 900 peças de equipamento militar pesado desde Janeiro — tanques, veículos blindados, sistemas de artilharia. O general Oleksandr Syrskyi, comandante das forças terrestres, declarou que a pressão moscovita "não conseguiu as ganhos territoriais esperados".

Falhas na Logística Ameaçam Avanço Russo

É no campo de batalha que os problemas se tornam mais visíveis. Militares russos que desertaram ou foram capturados durante a contraofensiva de inverno contaram histórias semelhantes: falta de munições, viaturas sem manutenção, comandantes que avançam sem respeitar o ritmo do terreno. Um sargento capturado em Donetsk, identificado apenas como Viktor K., disse aos interrogadores que a sua unidade "não recebia rações durante cinco dias".

O Instituto para o Estudo da Guerra, um think tank baseado em Washington, documentou 14 casos documentados de unidades russas que recusaram avançar por ausência de apoio de infantaria. "As forças russas estão a repetir erros da Segunda Guerra Mundial", escreveu o analista Michael Kofman numa publicação recente. "Avanços sem apoio adequado resultam em perdas catastróficas."

A Economia de Guerra Esgota-se

No front económico, Moscovo também enfrenta restrições crescentes. Os benefícios dos orçamentos de defesa turbo-alimentados estão a diminuir. O custo da produção de tanques T-90M, que requer componentes eletrónicos sofisticados, aumentou 40% desde 2022 devido às sanções ocidentais, segundo estimativas da Bloomberg baseadas em dados de importação.

A produção de munições de artilharia caiu drasticamente. O Ministério da Defesa britânico indicou num relatório que a Rússia está agora dependente de fornecimentos da Coreia do Norte — Pyongyang terá enviado mais de 10.000 contentores de munições desde meados do ano passado. Esta dependência de um aliado aislado diplomática e economicamente sublinha a profundidade do isolamento moscovita.

Sanções Estrangulam Acesso a Tecnologia

O paquete de sanções ocidentais, que já vai na 13ª ronda, afectou sectores cruciais da indústria de defesa russa. Chips semiconductors utilizados em sistemas de orientação de mísseis cruise tornam-se progressivamente indisponíveis. A empresa Russkie Technologii, conglomerado estatal responsável pela electrónica militar, admitiu em Fevereiro que a produção do sistema de navegação por satélite GLONASS enfrentava "dificuldades técnicas temporárias".

Em Lisboa, o eurodeputado português Paulo Rangelcommentou no Twitter que "a estratégia de asfixiar a capacidade militar russa funciona, mesmo que não seja visível imediatamente". O político, membro da comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, sublinhou que as sanções são um instrumento de longo prazo.

A Disputa Interna no Kremlin

Sinais de tensão no círculo íntimo de Putin também começam a surgir. O despedimento do general Valery Gerasimov, chief of staff das forças armadas russas, foi especulado em círculos diplomática mas nunca confirmado oficialmente. Já a demissão de Sergei Shoigu, antigo ministro da Defesa, em Maio de 2024, provocou ondas de choque em Moscovo.

Osucessor de Shoigu, Andrei Belousov, trouxe uma mudança de tom. Economista de formação, Belousov implementou auditorias financeiras nos contratos de defesa. Um general reformado, que falou sob condição de anonimato ao Financial Times, afirmou que as mudanças internas "reflectem um reconhecimento de que o modelo anterior era insustentável".

O Que Vem Agora

Os próximos meses serão críticos. A primavera trará terreno mais favorável para operações militares de ambos os lados. A Ucrânia espera a entrega de caças F-16 da Bélgica e dos Países Baixos, uma capacidade aérea que poderia alterar o equilibrio no céu. A primeira航班 de pilotos ukrainianos formados nos Estados Unidos deve terminar até Junho.

Para a Rússia, os desafios internos também se aproximam. As eleições presidenciais假的 marcadas para Março de 2026 são uma formalmente, mas a pressão social aumenta. O rublo perdeu 15% do seu valor face ao dólar desde Janeiro, aumentando o custo das importações. A guerra, que parecia distante para muitos russos nas grandes cidades, começa a aproximar-se das suas carteiras.

O resultado deste conflicto não será decidido pelos bombardeamentos da noite — serão as falhas estruturais, as sanções acumuladas e a capacidade de adaptação que determinarão quem sai deste campo. E todos os sinais, mesmo os escondidos entre os restos de mísseis, point para uma Russia em desvantagem crescente.

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