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Europa

Rubio avisa: diálogos EUA-China são indispensáveis apesar das divergências

— Sofia Rodrigues 4 min read

Marco Rubio, Secretário de Estado dos Estados Unidos, defendeu esta terça-feira que Washington e Pequim devem manter os canais de comunicação abertos mesmo quando as suas posições parecem irreconciliáveis. O responsável pela diplomacia norte-americana falou perante o Comité de Relações Externas do Senado, em Washington, e deixou um aviso claro: encerrar o diálogo seria mais perigoso do que continuar a conversar.

As divergências profundas entre Washington e Pequim

Rubio reconheceu que os pontos de atrito entre as duas superpotências são numerosos e complexos. As tarifas comerciais impostas nos últimos anos — com os EUA a aplicar taxas que ultrapassam os 100% sobre alguns produtos chineses — criaram uma espiral de retaliação que afecta sectores inteiros da economia. Além das disputas comerciais, as tensões no Mar da China Meridional, a questão de Taiwan e a rivalidade tecnológica entre ambos os países continuam a alimentar desconfiança mútua.

Questionado pelos senadores sobre a estratégia a seguir, Rubio foi inequívoco. "A comunicação directa entre Washington e Pequim não é um luxo — é uma necessidade estratégica", afirmou, segundo extractos do seu discurso difundidos pela Casa Branca. O Secretário de Estado lembrou que, quando os canais diplomáticos se deterioraram em momentos anteriores, o risco de erro de cálculo aumentou consideravelmente.

O que está em jogo para a economia global

O volume de trocas comerciais entre os EUA e a China ultrapassou os 600 mil milhões de dólares em 2023, tornando este relacionamento um dos mais relevantes para a estabilidade económica mundial. Qualquer ruptura significativa teria consequências em cadeia para exportadores, fabricantes e consumidores em dezenas de países.

Impacto nas empresas tecnológicas

As restrições impostas pelo governo Biden — e mantidas pela administração actual — a empresas como a Huawei e a ByteDance criaram um ambiente de incerteza para milhares de empresas tecnológicas que dependem de cadeias de abastecimento bilaterais. Na semana passada, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou novas medidas que restringem a exportação de chips avançados para empresas chinesas específicas, uma decisão que reagiu mal em Pequim.

A posição de Pequim perante o pedido de diálogo

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China respondeu com cautela às declarações de Rubio. Em comunicado enviado à agência oficial Xinhua, Pequim afirmou que está disposto a conversar "em pé de igualdade", mas sublinhou que qualquer diálogo deve assentar no respeito mútuo e na não interferência nos assuntos internos. Fontes diplomáticas citeed by Reuters indicam que representantes chineses manifestaram frustração com o que consideram uma abordagem norte-americana que combina sanções com apelos ao diálogo.

Porquê esta posição de Rubio importa agora

A intervenção do Secretário de Estado surge num momento em que vários elementos do Partido Republicano no Congresso defendem uma postura mais confrontacional. Alguns legisladores pressionam para que sejam impostas sanções adicionais a empresas e indivíduos ligados ao regime de Pequim. Rubio, contudo, parece querer traçar uma linha: a retórica agressiva não pode substituir a comunicação directa.

O antigo candidato presidencial e actual Secretário de Estado tem falado abertamente sobre os riscos de um confronto acidental. Em pelo menos duas ocasiões nos últimos meses, fontes próximas da administração confirmaram que Rubio alertou para situações em que a falta de canais directos poderia ter conduzido a escalada desnecessária.

O que acontece a seguir

Os próximos passos diplomáticos incluem uma ronda de conversações comerciais prevista para o início do próximo mês em Genebra, onde representantes de ambos os países vão tentar encontrar terreno comum no que toca às tarifas e ao acesso ao mercado. Essa reunião será observada de perto por aliados europeus e asiáticos que dependem da estabilidade das relações sino-americanas.

No plano interno norte-americano, o debate está longe de estar encerrado. O Comité de Relações Externas do Senado deve votar nas próximas semanas um conjunto de propostas que incluem novas medidas de controlo de investimento em tecnologia chinesa. Rubio vai precisar de manter o equilíbrio entre a pressão dos seus parceiros legislativos e a necessidade de preservar canais de comunicação com Pequim.

Uma equilíbrio difícil de manter

Para muitos analistas em Washington, o desafio de Rubio é gerir expectativas contraditórias. De um lado, os aliados regionais — Japão, Coreia do Sul e Filipinas — esperam que os EUA mantenham uma postura firme perante a China. Do outro, a realidade económica faz com que uma rutura total seja impraticável para ambas as partes.

O Secretary of State indicatedou que os Estados Unidos vão continuar a defender os seus interesses e a responder a comportamentos que considere inaceitáveis, mas sem fechar a porta à comunicação. "Podemos ser firmes e ao mesmo tempo mantermos o telefone aberto", sintetizou Rubio durante a sessão. A questão que fica no ar é quanto tempo Pequim estará disposto a participar num diálogo que, do seu ponto de vista, não produziu resultados concretos até agora.

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