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Passageiros enfrentam esperas de duas horas no aeroporto de Lisboa

— Paulo Teixeira 3 min read

Quem passou pelo aeroporto de Lisboa nas últimas semanas encontrou uma realidade difícil: filas que se estendem por dezenas de metros, tempos de espera que ultrapassam as duas horas e lojas praticamente vazias. A imagem de resignação nos rostos dos passageiros tornou-se o cenário dominante de um terminal que deveria ser a porta de entrada de Portugal para o mundo.

A fila que não avança

Na zona de check-in, a situação repete-se diariamente. Passageiros amontoam-se junto aos balcões das companhias aéreas, alguns com malas enormes, outros com crianças cansadas. O ambiente é de paciência forçada, não de compreensão. Um viajante que saiu de Lisboa rumo a Londres contou à equipa que esperou quase duas horas só para fazer o registo de bagagem.

Grace, uma passageira que viajava para a capital britânica, descreveu a experiência sem rodeios. "Todo o processo está lento. Parece que ninguém preparou o aeroporto para este volume de pessoas", afirmou. A resinação marca o tom das conversas entre quem aguarda.

Comércio afetado

As lojas do terminal também sofrem as consequências. O movimento nos espaços comerciais caiu de forma visível nos últimos meses. Funcionários de diversas marcas confirmaram que as vendas desceram significativamente desde que as filas começaram a crescer. Muitos clientes passam diretamente pelos corredores sem parar, demasiado focados em não perder o voo.

A situação cria um ciclo negativo: passageiros stressed não compram, lojas perdem receita, aeroportos enfrentam críticas. Os responsáveis pela gestão do terminal não comentaram os números específicos de movimento ou vendas.

O impacto das ligações britânicas

A rota Londres-Lisboa é uma das mais movimentadas do aeroporto. Milhares de passageiros atravessam este corredor todos os meses, seja por negócios ou turismo. A procura elevada amplifica os problemas quando os sistemas de atendimento não acompanham o volume. Quem viaja entre as duas cidades enfrenta, em média, mais tempo de espera do que em rotas similares para outros destinos europeus.

As autoridades portuárias reconhecem que precisam de reforçar os recursos humanos nos períodos de maior procura, mas não avançaram datas para mudanças concretas. Enquanto isso, os passageiros continuam a chegar sem saber o que os espera.

Um problema sem solução à vista

As esperas longas não são exclusividade de Lisboa. Aeroportos europeus enfrentam pressão semelhante desde a retoma pós-pandemia. Mas a particularidade portuguesa está na dimensão do crescimento do tráfego sem o correspondente aumento de capacidade operacional.

Fontes do setor garantem que os recursos existentes estão mal distribuídos ao longo do dia. Os picos de chegada coincidem com janelas em que há menos funcionários disponíveis, criando engarrafamentos nos pontos críticos. A solução passaria por uma gestão mais inteligente dos horários de trabalho, mas isso depende de negociações que ainda não arrancaram.

O que esperar

Nos próximos meses, o aeroporto promete rever os protocolos de atendimento. A empresa que gere as operações no terminal indicou que está a analisar os dados de movimento para identificar onde fazer ajustes. Até lá, passageiros que planeiem voar a partir de Lisboa devem calcular tempo extra. Chegar com pelo menos três horas de avanço tornou-se praticamente obrigatório para quem quer evitar correrias de última hora.

Para quem viaja entre Lisboa e Londres, a recomendação é ainda mais clara: prepare-se para esperar. A resignação de quem saiu hoje pode ser a realidade de quem parte amanhã.

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