Paris Trial Exposes Russian Gang's Rare-Book Heists Across Europe
Um julgamento em Paris está a revelar os detalhes de uma das maiores redes de roubo de livros raros alguma vez desmontadas na Europa. As autoridades francesas apresentam 15 suspeitos, a maioria de nacionalidade russa, accusados de roubarem manuscritos e edições ценных valuediosas avaliadas em dezenas de milhões de euros. A operação, baptizada com o nome do escritor russo Nikolai Gogol, decorre desde quarta-feira no Tribunal Judicial de Paris.
Os arrestos que desencadearam a investigação
A Polícia Judiciária francesa deteve os suspeitos em Fevereiro, após dois anos de investigação. Os agentes intercetaram remessas postais suspeitas contendo páginas arrancadas de obras raras, encaminhadas da Bielorrúsia para a Rússia. As autoridades seguem agora o rasto do produto de pelo menos 17 furtos em bibliotecas e residências privadas de quatro países europeus.
Os investigadores descobriram que os suspeitos escolhiam bibliotecas universitárias e arquivos históricos como alvos prioritários. Entrincharravam-se durante a noite, ignorando os sistemas de segurança desatualizados que protegiam as colecções. Os livros mais valiosos desapareciam sem deixar rasto, enquanto obras secundárias ficavam abandonadas no local.
O método sofisticado dos ladrões
Os elementos da rede mostravam conhecimentos invulgares sobre literatura e manuscritos antigos. Um dos suspeitos, identificado comoDmytro K., antigo livreiro de São Petersburgo, conhecia o valor de cada obra no mercado negro. As autoridades acreditam que ele orientava os roubos à distância, comunicando através de aplicações encriptadas.
Os livros eram depois transportados em malas discretas através das fronteiras Schengen. A polícia conseguiu rastrear pelo menos três remessas postais contendo fragmentos de manuscritos do século XVII. O Ministério Público de Paris anunciou que os suspeito enfrentam acusações de associação criminosa, furto qualificado e recettagem de bens culturais.
O papel de Nikolai Gogol na operação
A escolha do nome do escritor russo para baptizar a operação não foi casual. Nikolai Gogol, autor de obras como 'Almas Mortas' e 'O Capote', tornou-se um símbolo do caso após a descoberta de uma edição rara das suas primeiras edições russas entre o material recuperado. Os investigadores encontraram a obra numa mala pertencente a um dos suspeitos durante a fase inicial das detenções.
Os promotores responsáveis pelo caso destacaram a importância cultural dos objectos roubados. "Estas não são mercadorias vulgares", declarou a procuradora Isabelle Gorget numa conferência de imprensa. "Cada página representa séculos de conhecimento e história que pertencem à humanidade inteira."
O espólio desaparecido
Entre as obras roubadas encontram-se primeiras edições de autores franceses do iluminismo e manuscritos científicos de Galileu. Uma cópia de 1486 de 'De Revolutionibus' de Nicolau Copérnico estará entre os volumes ainda em falta. As autoridades estimam que o valor total dos bens culturalmente significativos ultrapassa os 40 milhões de euros.
Algumas bibliotecas europeas confirmaram as perdas junto das autoridades francesas. A Biblioteca Nacional da República Tcheca e a Biblioteca Real da Bélgica reportaram furto de materiais valiosos nos últimos cinco anos. Os investigadores suspeitam que as mesmas técnicas foram utilizadas em outros países, incluindo a Polónia e a Roménia.
As consequências para o mercado de arte
O julgamento está a levantar questões sobre a fragilidade da segurança em instituições culturais europeias. Especialistas em protecção de património sublinham que muitas bibliotecas ainda dependem de sistemas implementados há décadas. A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias já anunciou que vai rever as suas recomendações de segurança.
Dois negociantes de arte de Londres foram igualmente chamados ao julgamento, accusados de terem comprado material sabendo da sua origem ilícita. As autoridades acreditam que os livros seguiam depois para colecções privadas no Médio Oriente e na Ásia, onde a procura por manuscritos raros permanece elevada.
O que acontece a seguir
O julgamento deve prolongar-se por pelo menos seis semanas. Os advogados da defesa argumentam que não existem provas suficientes para ligar os suspeitos directamente aos roubos. A próxima sessão está marcada para o dia 15, quando serão ouvidas as primeiras testemunhas de acusação.
As autoridades francesas trabalham com os governos da Bielorrúsia e da Rússia para rastrear o paradeiro das obras ainda desaparecidas. Interpol emitiu alertas para 23 volumes considerados prioritários na recuperação. A UNESCO manifestou preocupação com o aumento de furtos de património cultural na Europa e prometeu apoiar os esforços de recuperação.
O desfecho deste processo poderá definir novos padrões para a cooperação internacional no combate ao tráfico de bens culturais. Dentro de seis meses, uma comissão europeia vai analisar se os regulamentos actuais sobre circulação de manuscritos antigos precisam de ser apertados. O caso também reavivou o debate sobre a necessidade de criar um registo digitalcentralizado de obras raras para facilitar a identificação em caso de furto.
Leia Também
Read the full article on Minho Diário
Full Article →