Meji Alabi descobre o passado do avô na Guerra do Biafra — e revela um documentário
Meji Alabi, realizador nigeriano-galês galardoado com um Grammy, concluiu a rodagem de um documentário que explora o papel do seu avô durante a Guerra do Biafra (1967-1970), anunciou a produtora Africa Eye esta segunda-feira.
O filme, com produção ainda sem título confirmado, surge depois de Alabi ter vencido o Grammy de Melhor Filme Documental em 2022 pela obra «The Boy Who Harnessed the Wind», baseada na história real do inventor malawiano William Kamkwamba. A nova produção aprofunda a investigação pessoal do realizador sobre a sua família e a participação nigeriana naquele conflito.
A descoberta que mudou o projeto
Alabi, nascido em Lagos e criado entre a Nigéria e o Reino Unido, revelou que encontrou cartas e diários do avô durante uma visita a Enugu, no estado de Enugu, em finais do ano passado. Those documentos tornaram-se a espinha dorsal narrativa do documentário.
«Sempre soube que o meu avô tinha estado envolvido na guerra, mas nunca percebi em que medida até encontrar os registos dele», disse Alabi numa entrevista à Africa Eye. O avô, identificado nas imagens promocionais como Samuel Okonkwo, terá servido como oficial de intendência no exército da autoproclamada República do Biafra.
O que foi a Guerra do Biafra
O conflito durou quase três anos e opôs a região secessionista do Biafra ao governo federal nigeriano. A guerra provocou a morte de cerca de um milhão de pessoas, segundo estimativas da ONU, e gerou uma crise humanitária que mobilizou a comunidade internacional. A região sudeste da Nigéria, berço do povo igbo, declarou a independência em julho de 1967 sob a liderança do colonel Odumegwu Ojukwu.
O bloqueio económico imposto pelo governo de Lagos intensificou a fome no Biafra, dando origem a uma das primeiras crises humanitárias televisionadas globalmente. Organizações como a Cruz Vermelha e Médicos Sem Fronteiras foram criadas ou consolidaram-se nessa época.
A estrutura do documentário
Fontes próximas ao projeto indicam que o filme alterna entre arquivos históricos da guerra e a jornada pessoal de Alabi pela Nigéria. O realizador visitou Abeokuta, no estado de Ogun, e Abuja para recolher testemunhos de veteranos e historiadores.
Entre os entrevistados confirmados está a historiadora Chidinma Nwachukwu, da Universidade de Ibadan, que especializado na história militar nigeriana do pós-independência. A académica aparecerá a discutir o impacto prolongado do conflito nas estruturas políticas contemporâneas da Nigéria.
Contexto pessoal e político
O documentário posiciona-se como uma reflexão sobre como os traumas de uma família refletem traumas coletivos de uma nação. Alabi indicou que pretende interrogar não apenas o que o avô fez durante a guerra, mas o que essa participação significou para as gerações seguintes da família.
«A guerra não terminou em 1970. Continua a viver nas conversas que as pessoas não têm, nos silêncios que separam gerações», escreveu o realizador numa publicação nas redes sociais em março.
Reações no setor cultural
A Africa Eye, estúdio com sede em Lagos responsável por produções premiadas na BAFTA e no Emmy, confirmou que o documentário está em fase de pós-produção. A empresa indicou que o filme poderá estar concluído até ao final do ano, embora sem confirmação de data de estreia.
A notícia gerou反应 imediata no setor cinematográfico nigeriano. O produtor Femi Odugbemi, presidente da Guild of Nigerian Directors, considerou o projeto «uma extensão natural do trabalho que Alabi já fez ao construir pontes entre histórias africanas e audiências globais».
Legado e significado para a Nigéria contemporânea
A Guerra do Biafra continua a ser um tema sensível na política nigeriana. Embora o conflito tenha terminado com a rendição das forças separatistas em janeiro de 1970, questões de equidade regional,ke identidade e federalismo permanecem estruturantes no debate público nigeriano.
Para muitos nigerianos da geração mais jovem, a guerra é uma história ouvida dos avós — e não uma memória vivida. O documentário de Alabi chega num momento em que a Nigéria enfrenta renovada atenção internacional sobre questões de governança e divisões internas, com as eleições gerais de 2027 já no horizonte.
O realizador أشار إلى que não pretende apresentar juízos claros sobre o conflito. «O meu trabalho não é dizer às pessoas o que devem pensar sobre a guerra. É mostrar que há histórias que ainda não foram contadas — e que precisam de ser ouvidas», concluíu.
O que esperar a seguir
O documentário encontra-se em fase de montagem com música original composta pelo próprio Alabi, que também é produtor musical. A Africa Eye confirmou que vai apresentar o projeto a festivais internacionais de cinema ainda em 2025, antes de uma eventual distribuição em plataformas de streaming. Os interessados devem acompanhar os canais oficiais da produtora para atualizações sobre a data de estreia, segundo avançou um porta-voz da empresa.
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