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Política

Lisboa acolhe em julho o maior congresso mundial do azeite com 40 países confirmados

— Sofia Rodrigues 6 min read

Portugal vai receber em Lisboa, entre 8 e 10 de julho, o Olive Oil World Congress, o maior evento global dedicado ao setor do azeite. O congresso, organizado pela plataforma internacional Agrifood, vai reunir cerca de 600 delegados de mais de 40 países no Centro Cultural de Belém, transformando a capital portuguesa no epicentro mondiale do debate sobre olivicultura e produção de azeite.

Um palco de dimensão global em Lisboa

O Olive Oil World Congress realiza-se de três em três anos e pela primeira vez desde a sua criação, em 1992, Portugal acolhe este fórum que tradicionalmente decorre em países mediterrânicos como Espanha, Grécia ou Itália. A escolha de Lisboa não foi casual: o país produziu em 2024 cerca de 130 mil toneladas de azeite, um máximo histórico, e tem vindo a reforçar a sua posição como exportador de referência na União Europeia.

O Centro Cultural de Belém, onde decorrerá o evento, dispõe de salas plenárias com capacidade para mais de 800 pessoas e de espaços modulares para workshops técnicos. Esta infraestrutura permite ao congresso combinar sessões académicas, demonstrações de maquinaria agrícola e mesas-redondas com produtores, distribuidores e investigadores.

O peso de Portugal no mercado global do azeite

Nos últimos cinco anos, Portugal duplicou a sua capacidade de produção de azeite, beneficiando de investimentos em tecnologia de extração a frio e de um programa de replantação de oliveiras no Alentejo que já mobilizou mais de 50 milhões de euros em fundos europeus. Em 2024, as exportações portuguesa de azeite ultrapassaram os 600 milhões de euros, com mercados como o Brasil, os Estados Unidos e o Reino Unido a absorverem volumes crescentes.

José Palmeiro, diretor da Associação de Olivicultores do Sul (AOSUL), afirmou em comunicado que o congresso representa uma oportunidade para os produtores nacionais "mostrarem a qualidade do azeite português a compradores internacionais e aprenderem com as práticas de países concorrentes". A organização estima que cerca de 120 empresas portuguesas estarão representadas no evento, incluindo pequenos produtores do Baixo Alentejo e da zona de Trás-os-Montes.

O programa científico e as questões em debate

O programa do congresso inclui 45 painéis temáticos distribuídos por três dias, abrangendo áreas como a sustentabilidade ambiental na olivicultura, os efeitos das alterações climáticas na produtividade dos olivais e as novas tecnologias de monitorização por satélite aplicadas à gestão de explorações agrícolas.

Uma das sessões mais aguardadas é a apresentação de um estudo conjunto da Universidade de Lisboa e do Instituto Superior de Agronomia sobre resistência variedades tradicionais portuguesas à seca. Os resultados preliminares indicam que algumas dessas variedades conseguem manter níveis de produção estáveis mesmo em anos de escassez hídrica severa.

Além dos painéis científicos, o congresso inclui uma área de exposição com mais de 80 stands, onde empresas portuguesas e internacionais apresentam equipamentos de colheita, sistemas de irrigação inteligente e soluções de packaging sustentável para o setor.

O papel do Governo e os apoios públicos

O Ministério da Agricultura apoiou a candidatura portuguesa ao congresso com um subsídio de 1,2 milhões de euros, canalizado através do programa Compete 2030. Este financiamento cobre parte daslogística, a promoção internacional do evento e a participação de investigadores e estudantes universitários.

O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, visitará o congresso no dia 9 de julho para presidir a uma sessão sobre estratégias de promoção do azeite europeu nos mercados asiáticos. Fontes governamentais indicam que está prevista a assinatura de um protocolo entre o Ministério e a Agrifood para a criação de um centro de investigação conjunto sobre olivicultura sustentável, a instalar em Beja.

Investimento público e impacto projetado

O executivo estimou que o congresso poderá gerar um impacto económico direto de cerca de 8 milhões de euros para Lisboa, entre ocupação hoteleira, restauração e serviços associados. A Câmara Municipal de Lisboa prevê ainda que o evento reforce a imagem da cidade como destino de congressos de elevado perfil no setor agroalimentar.

Além do subsídio direto, o Turismo de Portugal lançou uma campanha de promoção do azeite português dirigida ao mercado congressual, com spots publicitários em canais de comunicação social de quatro países-alvo: Brasil, Estados Unidos, Japão e Emirados Árabes Unidos.

O que os produtores nacionais esperam do evento

Para muitos pequenos e médios produtores, o congresso constitui uma plataforma难得的 para estabelecer contactos comerciais sem terem de investir em feiras no estrangeiro. A Herdade da Marmeleira, uma exploração de 200 hectares no Alentejo, vai levar amostras de azeite monocasta para o espaço de prova do congresso. O responsável pela unidade, Rodrigo Mendes, avançou que a empresa espera "fechar pelo menos dois contratos de exportação durante o evento".

A Associação de Produtores de Azeite de Trás-os-Montes (APATM) organizou uma delegação de 35 produtores da região para participar nas sessões sobre certificação de origem e proteção de denominações. A associação considerou que o congresso chega no momento certo, dado que a Comissão Europeia está a rever as regras de etiquetagem para azeites deorigem protegida.

Contexto histórico: Portugal na rota do azeite mundial

Embora España e Itália dominem historicamente a produção mundial de azeite, Portugal tem vindo a ocupar um espaço crescente no panorama internacional. O país passou de um produtor periférico para o terceiro maior produtor da União Europeia, posicionando-se frequentemente como fornecedor de azeites de premium price segments.

O azeite alentejano, em particular, tem conquistado prémios em competitions internacionais como o NYIOOC World Olive Oil Competition, onde Portugal garantiu 32 medalhas em 2024. Este reconhecimento tem permitido aos produtores nacionais praticar preços superiores à média europeia, com algumas marcas a serem comercializadas a mais de 25 euros por litro nos mercados norte-americano e japonês.

O que está em jogo para o setor nos próximos anos

O congresso decorre num momento de incerteza para o setor olivícola europeu. A Comissão Europeia está a preparar novas regras ambientais que podem impor restrições ao uso de água de irrigação em zonas vulneráveis à seca. Portugal, que depende em cerca de 70% da sua produção de olivais irrigados, tem alertado que estas medidas podem afetar a competitividade dos produtores nacionais.

Por outro lado, a procura global de azeite continua a crescer, impulsionada por tendências de consumo saudável nos mercados asiáticos e norte-americano. Projeções da FAO indicam que a procura mundial de azeite poderá aumentar 40% até 2035, criando oportunidades significativas para países com capacidade de produção limitada mas com elevados níveis de qualidade.

O que esperar nos próximos dias

O congresso abre oficialmente às 9 horas do dia 8 de julho no Centro Cultural de Belém, com uma sessão plenária de abertura que inclui intervenções do presidente da Agrifood, do embaixador da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal e do primeiro-Ministro português. Os interessados em participar podem registar-se através do site oficial do Olive Oil World Congress até ao dia 5 de julho.

Para os produtores nacionais, as jornadas de 9 e 10 de julho — quando decorrem os painéis sobre exportação e certificação de origem — devem ser as mais relevantes do ponto de vista comercial. A organização prevê que sejam concretizados mais de 200 encontros empresariais entre produtores e compradores internacionais durante os três dias do evento.

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