Japão Desvia Bilhões para Singapura e Índia — Exodo Bancário Acelera
Os grandes bancos regionais japoneses estão a transferir milhares de milhões de euros em activos e operações para Singapura e para a Índia, num dos maiores realinhamentos da presença financeira nipónica na Ásia desde o início do século. A migração accelerating-se desde 2022, quando as restrições sanitárias na China, as tensões geopolíticas com Pequim e as novas regras de segurança de dados empurraram dezenas de instituições a repensar a sua presença no continente. Organizações como o Bank of Yokohama, o Hiroshima Bank e o Fukuoka Financial Group anunciaram nos últimos 18 meses a abertura de escritórios em Bombaim e Singapura, abandonando filiais em Xangai e Shenzhen.
Os Números por Trás da Fuga
Dados da Agência de Serviços Financeiros do Japão revelam que os activos detidos por bancos nipónicos na China caiu de 92 mil milhões de dólares (cerca de 84 mil milhões de euros) em 2021 para 67 mil milhões de dólares em 2023 — uma quebra de 27 por cento em dois anos. No mesmo período, a exposição combinada ao mercado indiano e ao Hub financeiro de Singapura cresceu 34 por cento, atingindo 48 mil milhões de dólares. O presidente do Hiroshima Bank, Yasuhiro Hiejima, disse numa assembleia de accionistas em Abril que a instituição vai «reforçar significativamente» os seus negócios na Índia e no Sudeste Asiático até 2027.
Por Que a China Perdeu Atracção
Três factores explicam esta inversão. Primeiro, as autoridades chinesas impuseram em 2021 novas regras de armazenamento local de dados financeiros que obrigam instituições estrangeiras a manter servidores no território continental — uma exigência que muitos bancos japoneses consideraram demasiado onerosa. Segundo, a política zero covid deixado empresas nipónicas retidas em Xangai durante meses, com cadeias de aprovisionamento estilhaçadas. Terceiro, a escalada de tensão entre Pequim e Taipé elevou os riscos políticos para qualquer empresa japonesa com operações substanciais no Interior da China.
Singapura Arranja o Crescimento
Singapura tornou-se o destino preferido para as sedes regionais dos bancos japoneses. A cidade-Estado oferece acesso privilegiado aos mercados do Sudeste Asiático, uma jurisdição fiscal favorável e um ecossistema de serviços financeiros já habituado a capitais nipónicos. O Bank of Yokohama abriu em Janeiro um novo escritório de representação em Marina Bay com uma equipa de 40 pessoas. O Sumitomo Mitsui Banking Corp, um dos maiores bancos japoneses, transferiu 3,2 mil milhões de dólares em activos de Xangai para Singapura no ano passado, segundo documentos regulatórios consultados pela Reuters.
A Índia Emerge como Alternativa Sólida
A Índia representa a aposta de maior risco e maior potencial para os bancos japoneses. O país oferece uma economia em crescimento acelerado, uma classe média em expansão e uma agenda de modernização financeira que atrai parceiros estratégicos. Em Fevereiro, o Fukuoka Financial Group anunciou uma parceria com o HDFC Bank para distribuir produtos de seguros e gestão de patrimónios a clientes no Interior do país. O Estado de Gujarat concedeu licenças a dois bancos regionais japoneses para operar zonas económicas especiais em Ahmedabad, segundo o Ministério do Comércio indiano.
Impacto nas Empresas Japonesas na Ásia
Esta reorganização não afecta apenas os bancos. Centenas de empresas japonesas que fabricam em Guangzhou, Tianjin e noutras cidades chinesas dependiam destas instituições para financiar operações, abrir cartas de crédito e gerir câmbios. Com os bancos a encolher a presença na China, essas empresas enfrentam custos de financiamento mais elevados e menos opções locais. A Japan External Trade Organization (JETRO) estimou no mês passado que 23 por cento das pequenas e médias empresas nipónicas na China estão a considerar transferir pelo menos parte da produção para a Índia ou o Vietname nos próximos três anos.
Reacções em Tóquio
O Ministério das Finanças do Japão manifestou preocupação com a aceleração da deslocalização, pedindo aos bancos regionais que «mantenham uma presença equilibrada» na região. Contudo, fontes governamentais citadas pela NHK indicaram que Tóquio não pretende impor restrições aos movimentos de capital, reconhecendo que as decisões dependem de avaliações de risco comercial. O economista Kenji Moriyasu, da教研室 da Universidade de Keio, afirmou que «o Estado japonês está a acompanhar a realidade em vez de resisti-la».
O Que Vem a Seguir
Os próximos meses serão decisivos para medir a profundidade desta mudança. Em Agosto, o Bank of Yokohama vai apresentar os resultados do primeiro semestre da sua operação indiana, um teste ao modelo de expansão. Simultaneamente, a cimeira económica Japão-Índia em Nova Deli, prevista para Setembro, deverá incluir novos acordos de interoperabilidade bancária entre os dois países. Os analistas vão estar atentos a qualquer sinal de que Pequim tente reverter a tendência com incentivos fiscais renovados para instituições financeiras estrangeiras — uma jogada que, segundo a Fitch Ratings, já está «em análise» pelo governo chinês.
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